
Skydance será o nome da nova companhia formada pela fusão entre a Paramount e a Warner Bros. Discovery. A conclusão da operação está prevista para esta terça-feira, 6 de outubro, quando o conglomerado avaliado em US$ 111 bilhões passará a reunir alguns dos maiores estúdios, canais de televisão, plataformas de streaming e catálogos de entretenimento do mundo.
O negócio equivale a aproximadamente R$ 580 bilhões, considerando a cotação oficial de R$ 5,2238 para o dólar registrada pelo Banco Central na última sexta-feira (2). O valor inclui a compra das ações e a incorporação das dívidas da Warner Bros. Discovery.
O nome foi anunciado por David Ellison, atual presidente e diretor-executivo da Paramount Skydance. A denominação recupera a identidade da Skydance Media, produtora fundada pelo executivo há quase duas décadas e responsável por filmes como “Top Gun: Maverick”, “Missão: Impossível – Acerto de Contas” e “O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio”.
Segundo Ellison, a escolha cria uma identidade própria para o novo grupo sem diminuir ou sobrepor os nomes da Paramount e da Warner Bros. Os dois estúdios continuarão existindo e produzindo sob suas respectivas marcas, agora controladas pela Skydance.
O que ficará dentro da Skydance?
A nova Skydance reunirá praticamente todos os negócios atualmente controlados pela Paramount e pela Warner Bros. Discovery.
Do lado da Paramount, o conglomerado incluirá:
- Paramount Pictures;
- Paramount Television;
- CBS e CBS News;
- CBS Sports;
- Paramount+;
- Pluto TV;
- Showtime;
- Nickelodeon;
- MTV;
- Comedy Central;
- BET;
- Skydance Animation;
- Skydance Television;
- Skydance Interactive e Games.
A estrutura da Warner Bros. Discovery acrescentará:
- Warner Bros. Pictures;
- Warner Bros. Television;
- Warner Bros. Pictures Animation;
- New Line Cinema;
- Warner Bros. Games;
- HBO;
- HBO Max;
- CNN;
- DC Studios e DC Comics;
- Cartoon Network;
- Adult Swim;
- Discovery Channel;
- Discovery+;
- TNT e TNT Sports;
- TBS;
- truTV;
- Turner Classic Movies;
- Food Network;
- HGTV;
- TLC;
- Animal Planet;
- Investigation Discovery;
- Eurosport;
- Magnolia Network.
O catálogo reunirá ainda franquias como Friends, Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Game of Thrones, Universo DC, Missão: Impossível, Transformers, Star Trek, Top Gun, Yellowstone, Mortal Kombat, Looney Tunes e as animações da Hanna-Barbera (como Scooby-Doo, por exemplo), entre muitas outras propriedades.
HBO Max e Paramount+ devem permanecer separadas
Apesar de pertencerem à mesma empresa, HBO Max e Paramount+ deverão continuar funcionando como plataformas separadas, ao menos durante a primeira fase da integração.
Casey Bloys, presidente e diretor-executivo de conteúdo da HBO e da HBO Max, indicou que os dois serviços poderão ser oferecidos em um pacote conjunto. Nesse modelo, o assinante teria acesso às duas plataformas por um preço promocional, mas cada uma preservaria seu próprio aplicativo, catálogo e posicionamento.
A estratégia evitaria uma união imediata de HBO Max e Paramount+ em um único serviço. Bloys deverá assumir a supervisão dos conteúdos das duas plataformas dentro da nova companhia, enquanto as equipes técnicas poderão compartilhar estruturas e sistemas para reduzir custos.
Uma eventual combinação comercial seguiria modelos já adotados nos Estados Unidos, onde diferentes plataformas são oferecidas em pacotes conjuntos sem perder as respectivas identidades. Os valores, países participantes e data de lançamento de um possível combo ainda não foram anunciados.
Por que a fusão finalmente foi autorizada?
A Paramount já havia conquistado a aprovação de quase 70 órgãos reguladores ao redor do mundo, mas a conclusão do negócio permanecia suspensa por uma ação apresentada pela Califórnia e outros 11 estados norte-americanos.
Os autores do processo argumentavam que a concentração de dois grandes estúdios, redes de televisão e plataformas de streaming poderia reduzir a concorrência, provocar demissões, aumentar preços e diminuir o número de produções realizadas em Hollywood.
O impasse foi resolvido após a Paramount aceitar uma série de compromissos. O acordo foi homologado na última quarta-feira (30) pela juíza federal Araceli Martínez-Olguín, removendo o principal obstáculo jurídico para a conclusão da compra.
Entre as obrigações assumidas pela futura Skydance estão:
- lançar pelo menos 30 filmes por ano nos cinemas durante os dois primeiros anos;
- ampliar esse número para 32 lançamentos anuais nos três anos seguintes;
- investir US$ 300 milhões por ano na produção audiovisual realizada nos Estados Unidos;
- destinar US$ 47,5 milhões a programas de apoio aos trabalhadores do setor;
- manter em funcionamento os estúdios da Paramount em Los Angeles e da Warner Bros. em Burbank;
- criar um conselho independente para acompanhar a atuação jornalística da CNN e da CBS News.
A Skydance poderá pagar uma multa de US$ 30 milhões por cada filme que deixar de lançar dentro das metas acertadas. Parte dos recursos será destinada a fundos de saúde e aposentadoria de profissionais sindicalizados e a programas de auxílio para trabalhadores desempregados do audiovisual.
O Sindicato dos Roteiristas dos Estados Unidos, que também havia recorrido à Justiça contra a operação, chegou a um acordo separado com a Paramount. Com os processos solucionados e as principais aprovações regulatórias obtidas, a companhia marcou o fechamento para 6 de outubro.
O que vai rolar na terça-feira?
Na terça-feira (6), a Paramount deverá concluir formalmente a incorporação da Warner Bros. Discovery. Cada ação ordinária da companhia adquirida será convertida no direito de receber pouco mais de US$ 31 em dinheiro, conforme os termos atualizados da operação.
A Warner Bros. Discovery deixará de existir como companhia independente de capital aberto, embora suas principais marcas permaneçam em atividade. A nova empresa adotará legalmente o nome Skydance, e suas ações de classe B passarão a ser negociadas na Bolsa de Valores de Nova York sob o código “SKYD”. A conclusão ainda depende do cumprimento das condições administrativas habituais previstas no contrato.
David Ellison dividirá o comando do grupo com Ynon Kreiz, que deixou a direção-executiva da Mattel para assumir como copresidente da Skydance. Kreiz ficará concentrado na operação cotidiana e na integração das empresas, enquanto Ellison deverá liderar as estratégias criativas, tecnológicas e de crescimento.
Nova gigante nasce com dívida e cortes pela frente
Embora forme uma das maiores empresas de entretenimento do planeta, a Skydance começará sua trajetória com aproximadamente US$ 80 bilhões em dívidas. A administração promete reduzir US$ 6 bilhões em despesas durante os três primeiros anos depois da fusão.
A integração de tecnologias, serviços de streaming, departamentos administrativos e operações internacionais deverá responder por parte da economia. Executivos também admitem que haverá demissões, embora afirmem que os cortes não serão a única estratégia adotada.
O desafio será conciliar essa redução de custos com as obrigações assumidas no acordo judicial, especialmente o aumento do número de filmes lançados nos cinemas e dos investimentos em produção.
Com a conclusão prevista para terça-feira, Paramount, Warner Bros., HBO, CNN, CBS, DC e dezenas de outras marcas passarão a responder à mesma controladora. A nova Skydance nascerá, assim, como uma concorrente de proporções inéditas para Disney, Netflix, Amazon e Apple no mercado mundial do entretenimento.
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