
A HBO Max confirmouk para 15 de outubro, a estreia da série documental Corregidora: A Noite Mais Sombria do Futebol Mexicano. Dividida em três episódios, a produção revisita a batalha campal ocorrida em 5 de março de 2022, durante uma partida entre Querétaro e Atlas, no Estádio Corregidora, e investiga as falhas de segurança, as agressões contra torcedores e as dúvidas que ainda cercam o caso. O trailer oficial já foi divulgado pela plataforma.
A violência começou nas arquibancadas quando torcedores das duas equipes entraram em confronto durante o segundo tempo da partida, válida pelo Campeonato Mexicano. A briga rapidamente se espalhou pelos corredores e pelo gramado, provocando a paralisação definitiva do jogo aos 62 minutos.
Com a confusão fora de controle, famílias invadiram o campo para tentar escapar. Imagens registradas por pessoas que estavam no estádio mostraram torcedores sendo perseguidos, despidos, espancados e atingidos mesmo depois de caírem inconscientes. Paus, barras, cadeiras e outros objetos foram utilizados durante os ataques.
A produção, em três episódios, reúne imagens de arquivo e depoimentos inéditos de vítimas, testemunhas, jornalistas, autoridades e profissionais ligados ao caso. A proposta é reconstruir a sequência dos acontecimentos e confrontar a versão oficial com os relatos de quem presenciou a violência. Entre os entrevistados estão os jornalistas Óscar Balderas, Marion Reimers e Álvaro Morales; Mauricio Kuri, governador do estado de Querétaro; Gabriel Solares, então presidente do Club Querétaro; e torcedores de Querétaro e Atlas que estavam no estádio.
Ao retomar o acontecimento mais de quatro anos depois, a série procura compreender como uma partida de futebol se transformou em uma cena de violência extrema, quais responsabilidades foram efetivamente reconhecidas e por que ainda existem questionamentos sobre a atuação das autoridades, o atendimento às vítimas e a dimensão real da tragédia.
A obra tem direção de Alberto Arnaut e roteiro de Mauricio Vélez e Lisa Estella. Mariano Cesar, Sergio Nakasone e Cecilia Abraham assinam a produção executiva pela Warner Bros. Discovery, enquanto Luis del Valle representa a Pacha Films.
Selvageria
O balanço oficial das autoridades mexicanas apontou 26 pessoas feridas, algumas em estado grave, e nenhuma morte. A brutalidade das imagens, entretanto, alimentou versões contraditórias nas redes sociais e na imprensa. Nas primeiras horas após o confronto, circularam informações não confirmadas sobre mortos e desaparecidos. Familiares e integrantes de grupos de torcedores também questionaram os números divulgados pelo governo de Querétaro.
As investigações expuseram deficiências no planejamento e na execução do esquema de segurança. Autoridades locais admitiram posteriormente a presença de um número de agentes inferior ao considerado necessário para uma partida daquele nível de risco. Também foram abertas apurações sobre possíveis omissões de funcionários públicos e profissionais responsáveis pelo controle do estádio. Quatro servidores de diferentes órgãos chegaram a ser detidos por suspeita de não adotarem medidas necessárias para impedir ou conter a violência.
A Promotoria de Querétaro identificou inicialmente 26 suspeitos apontados como os principais agressores e expediu mandados de prisão. Os investigados passaram a responder por crimes como tentativa de homicídio e violência em evento esportivo.
Caso provocou punições e mudanças no futebol mexicano
Depois da tragédia, a Liga MX e a Federação Mexicana de Futebol aplicaram uma série de punições ao Querétaro. O clube perdeu a partida por 3 a 0, foi multado e precisou disputar durante um ano todos os jogos como mandante sem a presença do público. A diretoria que comandava a instituição na época foi afastada por cinco anos, enquanto o grupo de torcedores organizados do time ficou proibido de comparecer aos jogos em casa por três anos.
A administração do clube também foi obrigada a devolver o controle da equipe aos antigos proprietários, com a determinação de que o Querétaro fosse colocado à venda. Pessoas consideradas culpadas pelas agressões deveriam ser banidas definitivamente dos estádios mexicanos.
A Liga MX proibiu ainda a entrada de grupos organizados visitantes nos estádios e determinou a criação de sistemas de identificação dos torcedores, incluindo cadastro obrigatório, reconhecimento facial e o chamado Fan ID.



