Orlando Senna (Foto: Divulgação/ MinC)

O audiovisual brasileiro se despede hoje de uma de suas figuras mais completas e influentes. Orlando Senna faleceu nesta terça-feira, 9 de junho, aos 86 anos, no Rio de Janeiro. A notícia foi confirmada por familiares nas redes sociais, que destacaram sua dedicação à arte e à construção de um mundo mais humano. Até o momento, a causa da morte não foi divulgada oficialmente pela família.

Cineasta, roteirista, jornalista e gestor, Senna nasceu em no distrito de Afrânio Peixoto, em Lençóis, na Chapada Diamantina, na Bahia, e iniciou a carreira em 1962. Ele foi um dos fundadores da Escola Internacional de Cinema e TV de San Antonio de los Baños, em Cuba, onde lecionou por anos. No campo criativo, sua obra-prima é o longa Iracema, Uma Transa Amazônica (1975), codirigido com Jorge Bodanzky. O filme, que misturava ficção e documentário para denunciar a devastação da Amazônia, foi perseguido pela ditadura militar e tornou-se um marco da resistência cultural brasileira.

Ex-Secretário do Audiovisual Brasileiro
Além de sua produção artística, Orlando Senna foi um estrategista fundamental para as políticas públicas do setor. Em nota de pesar, o Ministério da Cultura (MinC) manifestou profundo pesar e reforçou sua importância: “À frente da Secretaria Nacional do Audiovisual, desempenhou papel decisivo na formulação e consolidação de políticas públicas para o setor. Entre suas contribuições, esteve a criação da TV Brasil, emissora da qual também assumiu a direção-geral. Sua atuação ajudou a ampliar o acesso à produção audiovisual brasileira e a fortalecer a comunicação pública no país”.

Sua trajetória na gestão pública incluiu ainda o cargo de subsecretário de Audiovisual no estado do Rio de Janeiro e a presidência da Televisión América Latina (TAL). Senna colaborou com roteiros para diretores renomados como Hector Babenco, em O Rei da Noite, e Ruy Guerra, em Ópera do Malandro. Foi casado com a atriz e documentarista Conceição Senna, falecida em 2020, com quem compartilhou décadas de militância cultural.

O falecimento de Orlando Senna ocorre apenas dois dias após ele ser visto em uma sessão de cinema no CCBB Rio, ao lado do amigo Antônio Pitanga, demonstrando que sua paixão pela sétima arte permaneceu intacta até o fim. O Filmes Com Batata presta sua homenagem a este realizador que não apenas filmou o Brasil, mas ajudou a estruturar as bases para que outros pudessem filmá-lo.

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