
A Itaú Cultural Play ampliou seu catálogo gratuito com duas mostras dedicadas à diversidade de experiências, territórios e identidades presentes no cinema brasileiro. A plataforma estreou, nesta sexta-feira (18), a seleção “Travessias”, formada por cinco filmes realizados por profissionais trans e travestis. Desde a última segunda-feira (14), o serviço também disponibiliza nove produções da 9ª Ciranda de Filmes, voltadas às infâncias e juventudes.
Juntas, as programações reúnem 14 curtas e longas-metragens produzidos em estados como Alagoas, Bahia, Minas Gerais, Pará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. Entre ficções, documentários, romances, dramas, comédias, animações e trabalhos experimentais, os filmes abordam temas como identidade de gênero, resistência, ancestralidade, pertencimento, educação, direito à cidade, meio ambiente e diferentes maneiras de viver a infância e a juventude.
O acesso à Itaú Cultural Play é gratuito e pode ser realizado pelo site da plataforma, por aplicativos para Android e iOS, Chromecast e smart TVs da Samsung, LG, Android TV e Apple TV. Parte do catálogo também está disponível na Claro TV+, SKY+ e Watch Brasil.
Ciranda de Filmes aborda diferentes experiências das infâncias brasileiras
A segunda programação disponibilizada pela Itaú Cultural Play reúne nove produções brasileiras selecionadas para a 9ª Ciranda de Filmes. Os títulos permanecerão disponíveis na plataforma até 11 de outubro.
Reconhecida como a primeira mostra brasileira de cinema dedicada às infâncias, juventudes e educação, a Ciranda de Filmes retornou depois de dois anos voltados à pesquisa. A edição de 2026 tem como tema “Infância: força regeneradora da vida – reacender sonhos, cultivar o comum e regenerar nossa forma de estar no mundo”.
O evento presencial aconteceu entre 10 e 13 de setembro, no Espaço Petrobras de Cinema, em São Paulo, com mais de 50 filmes brasileiros e internacionais, além de rodas de conversa, oficinas e vivências. Parte das atividades também circulou pelas Fábricas de Cultura da capital paulista e pelo Centro Cultural Casarão, em Campinas.
A seleção disponível na IC Play reúne filmes de Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Bahia e Rio de Janeiro.
A Mensagem de Jequi
De Igor Iamin — drama, 74 minutos, Minas Gerais, 2024. Classificação indicativa: livre.
Jequi, uma criança quilombola do Vale do Jequitinhonha, percebe as ameaças que o chamado “progresso” pode trazer para sua região, principalmente por meio da exploração de recursos naturais como as águas do rio onde brinca diariamente. Utilizando sua sabedoria ancestral, ela cria uma maneira de compartilhar o alerta com o maior número possível de crianças: enviar uma mensagem dentro de uma garrafa.
Oroboro
De Pablo Lobato — documentário, 81 minutos, Minas Gerais, 2024. Classificação indicativa: livre.
Em um vale de Minas Gerais cercado por arranha-céus, duas turmas de uma escola mergulham em processos criativos ao adaptar para o teatro “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa, e “A Flauta Mágica”, de Wolfgang Amadeus Mozart. Ao acompanhar os ensaios e a rotina escolar, o documentário registra descobertas, desafios e alegrias vividos durante a juventude, mostrando como a experiência sensível e o contato com a arte podem transformar os processos pedagógicos.
Amora
De Ana Petta — documentário, 77 minutos, São Paulo, 2025. Classificação indicativa: 6 anos.
Pedro tem quatro anos e mora com a irmã e a mãe em uma vila localizada no centro de São Paulo, onde o cotidiano é formado por árvores, vizinhos e brincadeiras. Certo dia, ele descobre que o local será demolido para dar espaço a um prédio. Enquanto os moradores se mobilizam para preservar a memória e a existência daquele espaço, a narrativa acompanha a situação pelos olhos e pela imaginação do menino, registrando a separação dos amigos, os conflitos com a construtora e o esvaziamento das casas.
Meu Nome É Bagdá
De Caru Alves de Souza — drama, 99 minutos, São Paulo, 2020. Classificação indicativa: 16 anos.
Bagdá é uma skatista de 17 anos que vive na Freguesia do Ó, bairro da periferia da zona norte de São Paulo. A jovem anda de skate com um grupo de meninos e divide o restante do tempo entre a família e as amigas da mãe, mulheres que escapam de comportamentos considerados convencionais. A rotina começa a mudar quando Bagdá conhece um grupo de meninas que também pratica o esporte. O filme teve sua estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Berlim, em 2020.
Aventuras de Makunáima: Histórias Encantadas da Amazônia
De Chico Faganello — documentário, 104 minutos, Santa Catarina, 2025. Classificação indicativa: 6 anos.
Makunáima permanecia quieto porque os parentes indígenas haviam sido afastados de suas culturas e idiomas. Certo dia, durante um passeio por Wararaa’Pay, percebe algo diferente, transforma-se em animais e reencontra narrativas ancestrais presentes no cotidiano das crianças. Com música, dança e brincadeiras, crianças e adolescentes macuxi, taurepang, tukano e wapichana apresentam um presente misterioso e encantador, transformando um passado de incompreensão em resistência.
Antes que o Mundo Acabe
De Ana Luiza Azevedo — drama, 100 minutos, Rio Grande do Sul, 2009. Classificação indicativa: 14 anos.
Daniel é um adolescente que tenta compreender problemas que parecem insolúveis: uma namorada que não sabe o que quer, um amigo acusado de roubo e o desejo de deixar a pequena cidade onde vive. Tudo começa a mudar quando ele recebe uma carta do pai que nunca conheceu. Diante das novas questões, Daniel precisa realizar suas primeiras escolhas adultas e descobre que o mundo é muito maior do que imaginava.
Chuva
De Vanessa Fort — animação, 3 minutos, São Paulo, 2024. Classificação indicativa: livre.
Por meio de seus desenhos, Aurora recorda o lugar onde vivia com os pais, os avós e o cachorro Mocotó. Nos dias chuvosos, ela gostava de brincar perto de um pé de laranja, seu espaço preferido, até a chegada de uma tempestade que colocou todos em perigo. Produzido a partir da perspectiva infantil sobre a crise climática e as enchentes no Rio Grande do Sul, o curta conquistou o primeiro lugar na categoria Conteúdos Curtos e o Prêmio Especial Direitos das Infâncias no Festival comKids 2025.
Quintal
De Mariana Passos Netto — animação, 16 minutos, Bahia, 2022. Classificação indicativa: livre.
A pequena e sonhadora Diadorim e o alegre passarinho Riobaldo transformam um terreno abandonado em uma grande cidade em um espaço de amizade, imaginação e afeto. Juntos, eles desafiam as limitações impostas pela sociedade. A animação é inspirada nas obras de Manoel de Barros e Guimarães Rosa e nos traços de “O Menino e o Mundo”.
A Menina e o Mar
De Gabriel Mellin — ficção, 19 minutos, Rio de Janeiro, 2022. Classificação indicativa: livre.
Duas crianças com maneiras completamente diferentes de enxergar o mundo se encontram diante do mar. Enquanto o menino teme aquilo que as águas podem trazer, a menina encontra poesia em cada grão de areia. Juntos, os dois aprendem a se abrir para novas experiências.
“Travessias” reúne filmes de realizadores trans e travestis
Com curadoria de Alice Muniz, presidente da Associação de Profissionais Trans do Audiovisual (APTA), a mostra “Travessias” apresenta cinco filmes realizados por pessoas trans e travestis de diferentes regiões brasileiras.
As produções são provenientes de Alagoas, Pará, Rio Grande do Norte e São Paulo. A seleção busca ampliar o olhar sobre a produção audiovisual trans para além dos grandes centros, explorando a ideia de travessia como um movimento contínuo atravessado por desigualdades sociais, relações de pertencimento e diferentes formas de resistência.
Ela & Elu
De Icá Iuori — romance, 18 minutos, São Paulo, 2025. Classificação indicativa: 12 anos.
Ela, uma estudante introvertida, tem um encontro inesperado com Elu, uma pessoa não binária. Depois de uma festa, emoções até então desconhecidas vêm à tona. A partir desse momento, os jovens precisam decidir se desejam se aprofundar nas descobertas proporcionadas pela nova relação ou permanecer presos às convenções do cotidiano e às tradições da sociedade.
Ainda Escuto o Céu Embaixo d’Água
De Alice Lovelace, Kalina Flor, Lua de Kendra, Morgana Neves e Samantha de Araújo — documentário, 13 minutos, Alagoas, 2024. Classificação indicativa: livre.
Samantha, uma jovem travesti, não consegue mais sonhar. Enquanto suas amigas se divertem no Bar da Ana, ela permanece distante e deixa seus pensamentos viajarem. O documentário constrói uma narrativa sobre desejo, cotidiano e espaços de convivência.
Mururé
De Gabriela Luz — drama, 21 minutos, Pará, 2024. Classificação indicativa: 12 anos.
Mururé vive em um ambiente familiar hostil, no qual não consegue expressar sua identidade de gênero com segurança. Um encontro inesperado com forças espirituais da Amazônia devolve à jovem a coragem necessária para enfrentar o pai que a oprime. Em meio aos conflitos familiares, os limites de todos são testados e Mururé descobre até onde uma mãe está disposta a ir para proteger os filhos. O curta incorpora elementos da cultura amazônica, como a boiuna e a flor de mururé, em uma história sobre identidade, maternidade, pertencimento e resistência. A produção recebeu Menção Honrosa em Direção de Fotografia no Festival Ruídos Queer.
Pupá
De Osani — documentário, 14 minutos, Rio Grande do Norte, 2024. Classificação indicativa: 12 anos.
Pupá mora em Acari, no Rio Grande do Norte, onde sua presença é sinônimo de alegria e liberdade. No cotidiano, ela se divide entre os trabalhos domésticos, o ofício de cambista e a produção de lambedores, como são conhecidos alguns xaropes caseiros. Nos fins de semana, encontra nas serestas, nos forrós, nos rios e nos açudes os espaços para reafirmar o direito de viver com autonomia. “Pupá” foi escolhido como Melhor Filme pelo júri oficial do 11º Festival Nacional de Cinema Ambiental do Espírito Santo, o Cine.Ema.
Perifericu
De Nay Mendl, Rosa Caldeira, Stheffany Fernanda e Vita Pereira — drama e comédia, 20 minutos, São Paulo, 2020. Classificação indicativa: 14 anos.
Luz e Denise vivem na periferia do extremo sul de São Paulo. Seus corpos dissidentes desafiam a hegemonia da cisgeneridade e lutam pelo direito de existir. Da noite paulistana às angústias do amor, passando pela fé e por versos carregados de transformação, seus sonhos enfrentam diariamente as limitações impostas pela realidade social. Vencedor do prêmio de Melhor Curta pelo público no 27º Festival Mix Brasil, o filme incorpora o Pajubá, dialeto historicamente utilizado por travestis e mulheres trans como instrumento de resistência e segurança.
Como assistir às mostras
“Travessias” está disponível a partir desta sexta-feira (18) e não teve uma data de encerramento divulgada. Os filmes selecionados pela 9ª Ciranda de Filmes podem ser assistidos até 11 de outubro.
As duas programações têm acesso gratuito pelo site Itaú Cultural Play, pelos aplicativos da plataforma para celulares e tablets, pelo Chromecast e em smart TVs compatíveis.



