Em vez de faixas de torcida, parte da arquibancada do Estádio Nacional, em Santiago, leva a frase “Um povo sem memória é um povo sem futuro”. No local, quase 30 mil pessoas foram presas e torturadas pela ditadura chilena, entre elas Manuel Méndez, que conta sua história no episódio inédito de “Fronteiras da Memória”, que estreia com exclusividade no Curta!. A série completa, com três episódios, está no CurtaOn – Clube de Documentários.
Após os relatos das ditaduras na Argentina e no Brasil, o último episódio da série, viabilizada pelo Curta! através do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e com direção de Stela Grisotti, apresenta os traumas dos chilenos e como eles lidam com as memórias do período. Méndez, que à época do golpe era um operário sem filiações partidárias ou militância política, ficou preso no estádio onde depois se tornou guia. Ali passa para as novas gerações a importância de manter viva a memória do que aconteceu no país durante a ditadura de Pinochet.
“Aqui tenho muitas lembranças. Porque aqui sofremos, passamos fome, passamos frio, dificuldades, pancadas, tudo. Mas aqui nasceram amizades a partir do cuidado de um para com o outro”, relembra.
O episódio visita o Museu da Memória dos Direitos Humanos, em Santiago. No espaço, a engenheira Ninóska Araya e sua mãe, a advogada de Direitos Humanos Monica Araya, recordam os familiares perseguidos, sequestrados e mortos pelas Forças Armadas, que derrubaram o governo democraticamente eleito do socialista Salvador Allende.
“Acabaram com qualquer possibilidade de termos uma família próxima e unida. Porque a ditadura fez com que tivéssemos que viver separados. A memória é para as novas gerações. Para que percebam a importância de respeitar o pensamento do outro”, afirma Ninóska, que perdeu os avós e o irmão durante a ditadura.
Outro símbolo de memória no país, que teve mais de 3 mil pessoas mortas ou desaparecidas, está na província de Maipo, na Região Metropolitana de Santiago. O Memorial do Paine foi construído em homenagem aos camponeses e moradores da região. Ali, seus familiares prestam homenagens aos mortos, sequestrados e torturados, honram suas memórias e preservam o espírito de resistência e denúncia às violências cometidas durante o regime.
“Por que temos este lugar de memória e para quê? Ao conquistar este espaço próprio, sentimos a necessidade de fazer algo pela comunidade, para que ela se interessasse pelo que aconteceu no Paine. Que a comunidade entre, reconheça e visualize o que aconteceu”, diz Sara Mendes Guajardo, cuidadora e integrante da Direção da Corporação Memorial Paine.

Já no extremo sul do país, na região de Magalhães, Magda Ruiz e suas ex-companheiras de cárcere lutam para transformar a antiga prisão onde estiveram detidas em um espaço de memória aberto à sociedade. E a trajetória de Pepe Rovano amplia o olhar sobre heranças inesperadas: criado longe do pai, ele descobre na vida adulta que sua origem está ligada à repressão e transforma essa revelação no filme “Bastardo, a Herança de um Genocida”.
“Fronteiras da Memória” é uma produção da MMTV, viabilizada pelo Curta! através do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). A serie está no CurtaOn – Clube de Documentários, disponível no Prime Video Channels, da Amazon, na Claro tv+ e no site oficial (CurtaOn.com.br).
A estreia no canal é no dia temático Sextas de História & Sociedade, 24 de abril, às 21h20.



