
Uma das habilidades que torna um artista genial é a capacidade de criar obras atemporais. Como destaca o inédito documentário Chaplin e os Tempos Modernos, que estreia com exclusividade no Curta!, o pai do vagabundo Carlitos filmou uma crônica que segue atual quase um século depois do seu lançamento, representado uma mudança de paradigma no cinema e antecipando debates. O filme está disponível no CurtaOn – Clube de Documentários e estreia no Curta! no dia temático Quartas de Cena & Cinema, 24 de junho, às 22h20.
Com direção de Gregory Monro, a produção da ARTE FRANCE traz áudios exclusivos do próprio cineasta, de seus familiares, artistas e produtores. Com um rico acervo de imagens e trechos de seus filmes, o documentário revive o contexto cultural, político e social da época, destacando os bastidores das gravações de “Tempos Modernos”.
Ao refazer os anos após o sucesso de “Luzes da Cidade” (1931), o filme mostra como nem mesmo Chaplin estava livre da pressão da modernidade capitalista e seus excessos. Sua postura ousada, contudo, permaneceu em desacordo com os padrões de Hollywood e as exigências do novo cinema falado.
“Eu não poderia deixar meu personagem falar, eu não saberia que tipo de voz usar, como construir uma frase. A palavra falada é a coisa mais constrangedora, ela reduz todos a uma certa superficialidade, porque ela é muito reveladora e artificial”, avaliou o cineasta.
Sempre oscilando entre comédia e tragédia, unindo risada à reflexão, suas obras captaram o espírito do tempo. Em um mundo tenso, com relações trabalhistas e sociais desumanizadas, prestes a entrar no mais violento confronto da Era Moderna, Chaplin usou sua arte como alerta, mas também como uma trincheira para preservar sonhos. Ali, ainda era possível ser doce.
“Na época do cinema mudo, eu escrevia com a câmera na mão, nunca tinha nada preparado. Eu me empolgava, e da empolgação surgia a invenção. Acho que todo trabalho criativo surge da empolgação. E agora a indústria se tornou um tipo de aventura financeira. De certa forma, lamento muito”, preocupava-se.
Para entender sua angústia com a situação da indústria cinematográfica e o desalento com as mazelas sociais, o documentário apresenta a trajetória de vida de Chaplin. Se suas obras se tornaram marcantes pela graciosidade, é porque refletem seu caráter humanista, ainda mais evidente em “O Grande Ditador” (1940), seu primeiro filme falado, também abordado na produção.
“Um artista, um comediante ou um palhaço não pode ignorar o que acontece ao seu redor”, define.
“Charles Chaplin e os Tempos Modernos” é uma produção da ARTE FRANCE. O filme pode ser visto no CurtaOn – Clube de Documentários, disponível no Prime Video Channels, da Amazon, na Claro tv+ e no site oficial (CurtaOn.com.br).



