Análises e Dicas #1119 – ‘It: Bem-Vindos a Derry’ – 1ª Temporada (It: Welcome to Derry – Season 1)

– Sinopse: Em 1962, Derry é tomada por desaparecimentos, mortes violentas e acontecimentos que desafiam qualquer explicação racional. Enquanto um grupo de adolescentes tenta entender a origem do medo que ronda a cidade, famílias, militares e autoridades locais esbarram em segredos ligados ao passado de Pennywise e à própria história da cidade. Original HBO Max, tem oito episódios com durações entre 54 e 69 minutos cada. É a “Parte 1” de uma trilogia antológica que conecta os acontecimentos de um mesmo universo: a cada 27 anos, na mesma cidade, com o mesmo vilão, e contada de forma inversa. As próximas temporadas serão em 1935 e 1908, respectivamente.

– Análise: Amplia a mitologia de Pennywise ao tratar o horror não apenas como ameaça sobrenatural, mas como sintoma de uma cidade construída sobre violência, silêncio e repetição (literalmente) histórica. Derry não é só cenário: é um organismo onde cada rua, casa e instituição é contaminada por algo que antecede os personagens e continuará depois deles, tratando o medo como uma herança de geração em geração. A explicação sobre a origem sobrenatural do mal que assola a cidade finalmente ganha espaço, mas nem sempre é isso que torna a experiência mais incômoda. O que pesa, em alguns momentos, é o excesso de maldade humana e de sequências prolongadas de sofrimento. Há episódios e acontecimentos em que a série parece insistir demais na crueldade, e isso transforma o horror em desgaste. O problema não está no sobrenatural, mas na sensação de que a dor, às vezes, é esticada além do necessário. Ainda assim, seria injusto ignorar o investimento da produção em ambientação. A trilha não-original, composta por canções de época, trabalha junto com figurino, cenografia e design de produção para nos conduzir aos anos 1960 com enorme naturalidade. A série cria a sensação de viagem no tempo sem precisar anunciar isso o tempo todo. Quando esse cuidado encontra a ideia central, Derry funciona como uma metáfora poderosa sobre sociedades que preferem enterrar seus monstros em vez de enfrentá-los. E não se trata do palhaço, pois, neste caso, uma coisa é conectada à outra em um clima à lá Goonies, Stranger Things e os próprios livro e filmes produzidos anteriormente, mas que se passam após os ocorridos nesta temporada; que, aliás, acerta ao sugerir que Pennywise talvez seja o rosto mais visível de um problema maior. Ele assusta, mas Derry assombra porque reconhecemos nela algo muito humano: a capacidade coletiva de normalizar a violência quando ela parece conveniente demais para ser interrompida.

Para você, o horror de It funciona melhor quando vem de Pennywise ou da maldade humana de Derry? Comente, salve para assistir depois e compartilhe com quem também gosta de terror com camadas!

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