Edward Boggiss (Foto: Reprodução/ Instagram @/edwardboggiss)

Na noite da última quarta-feira (8), o ator Edward Boggiss, conhecido por papéis em Sandy & JuniorMalhação e O Profeta, morreu aos 49 anos. A causa da morte não foi divulgada pela família. No entanto, o ator enfrentava, desde 2024, um câncer de orofaringe e um câncer de pulmão em estágio 4. Em entrevista concedida no ano passado, Edward falou publicamente sobre a doença: “Eu estou com câncer no sistema de orofaringe e no sistema pulmonar. Estou fazendo tratamento, quimioterapia e tudo. É bem cansativo”.

A trajetória do ator também traz visibilidade para dois tipos de câncer que seguem entre os principais desafios da oncologia. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deverá registrar cerca de 12.260 novos casos de câncer da cavidade oral e orofaringe por ano no triênio 2026-2028. Estudos também indicam que, entre 2030 e 2040, aproximadamente metade dos tumores de orofaringe poderá estar relacionada à infecção pelo HPV, enquanto a outra metade continuará associada principalmente ao tabagismo.

“O aumento dos casos de tumores de orofaringe relacionados ao HPV reforça a importância de ampliar a informação sobre prevenção, principalmente entre os homens. A vacinação e o acompanhamento médico são estratégias fundamentais para reduzir o risco de desenvolvimento desses tumores”, explica Isabella Favato, oncologista da Oncoclínicas.

Além disso, o câncer de pulmão continua sendo um dos tumores de maior impacto em saúde pública. O INCA estima 35.380 novos casos de câncer de traqueia, brônquios e pulmão por ano no Brasil no triênio 2026-2028.

O tabagismo permanece como o principal fator de risco, estando relacionado à origem de cerca de 90% dos casos da doença no mundo e aumentando em aproximadamente 20 vezes o risco de seu desenvolvimento. Como consequência, os tumores pulmonares seguem liderando o ranking de mortalidade por câncer em todo o mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Mariana Laloni, oncologista e Diretora Médica Técnica da Oncoclínicas, explica que a maioria dos pacientes apresenta sintomas relacionados ao próprio aparelho respiratório. “Os sinais de alerta são tosse, falta de ar e dor no peito. Outros sintomas inespecíficos também podem surgir, entre eles perda de peso e fraqueza. Em poucos casos, cerca de 15%, o tumor é diagnosticado por acaso, quando o paciente realiza exames por outros motivos. Por isso, a atenção aos primeiros sintomas é essencial para que seja realizado o diagnóstico precoce da doença, o que contribui amplamente para o sucesso do tratamento”, diz.

A especialista destaca ainda que existem dois tipos principais de câncer de pulmão: carcinoma de pequenas células e carcinoma de não pequenas células. “O carcinoma de não pequenas células corresponde a 85% dos casos e se subdivide em carcinoma epidermóide, adenocarcinoma e carcinoma de grandes células. O tipo mais comum no Brasil e no mundo é o adenocarcinoma e atinge 40% dos doentes”, conclui Mariana Laloni.

Embora apresentem fatores de risco distintos, tanto o câncer de orofaringe quanto o de pulmão têm em comum o impacto que o diagnóstico precoce pode exercer sobre as possibilidades de tratamento e controle da doença. Especialistas reforçam que medidas preventivas, como evitar o tabagismo, manter a vacinação contra o HPV em dia e buscar avaliação médica diante de sintomas persistentes, continuam sendo as principais estratégias para reduzir a incidência e favorecer o diagnóstico em fases iniciais.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui