
No próximo domingo, 19 de abril, às 20h, estreia a nova temporada do programa Café Filosófico, parceria da TV Cultura e do Instituto CPFL. Com Tainá Müller à frente da atração, o programa chega com novo formato e cenário. O primeiro episódio conta com a participação do antropólogo Michel Alcoforado, autor do best-seller Coisa de Rico. Conhecido como o “Antropólogo do Luxo” por suas pesquisas sobre as elites brasileiras, Alcoforado assina a curadoria do primeiro módulo do ano, dedicado ao tema “Ostentação”.
“Esta nova temporada do Café Filosófico reafirma o compromisso da TV Cultura com a reflexão crítica e com a difusão de conteúdos que possam ampliar o repertório do público. As mudanças no formato e no cenário dialogam com a proposta de tornar o programa ainda mais próximo e relevante para a sociedade contemporânea”, afirma Alexandre Mattoso, coordenador de Núcleo Artístico.
Para Daniela Ortolani Pagotto, head do Instituto CPFL, o novo formato reflete a evolução natural do programa. “Renovamos a linguagem, o cenário e a dinâmica para fortalecer a conexão com o público, sem abrir mão da essência que sempre nos guiou: promover reflexões relevantes e acessíveis sobre o nosso tempo. A curadoria de temas e convidados acompanha esse movimento, buscando ampliar perspectivas, provocar novas perguntas e estimular diferentes formas de compreender questões que atravessam o nosso cotidiano”, diz.
Primeiro Módulo do Café Filosófico
Mais do que tratar a ostentação como sinônimo de excesso ou exibicionismo, o primeiro módulo propõe uma mudança de olhar. A partir de uma abordagem antropológica, o fenômeno é apresentado como uma linguagem social carregada de significados, capaz de revelar as tensões, desigualdades e disputas simbólicas que atravessam a sociedade brasileira. Em um país onde dinheiro, visibilidade e reconhecimento se entrelaçam, ostentar pode ser entendido como uma forma de dizer quem se é — ou quem se deseja ser.
Inspirado em reflexões sobre elites e classes populares, o ciclo de encontros convida o público a analisar o consumo como performance social. A proposta é pensar não apenas o que se ostenta, mas também como e por que isso molda a experiência coletiva. A ostentação aparece, assim, como um espelho cultural: reflexo de medos, ambições, ansiedades e desejos que atravessam diferentes grupos sociais.
O tema de abertura, “Ostentar para existir: distinção, imaginação e hierarquias no Brasil”, parte das reflexões desenvolvidas em Coisa de Rico para defender que a ostentação não é um comportamento restrito aos muito ricos nem um desvio moral, mas uma engrenagem central na produção das hierarquias sociais no país.
“Na sociedade brasileira, a ostentação não é um comportamento periférico, mas uma linguagem social central para a produção de hierarquias. Diante de um objeto, de uma roupa ou de um estilo de vida, as pessoas calculam quanto aquilo custa e, a partir disso, imaginam quanto alguém tem. Esse processo organiza pertencimentos, fronteiras e desigualdades”, afirma Alcoforado.
Segundo o antropólogo, pobres, classe média, novos ricos e elites tradicionais recorrem, cada um à sua maneira, às coisas que exibem para acionar a imaginação dos outros. “Trata-se de um cálculo social contínuo: a partir de objetos, lugares e estilos de vida, constrói-se uma percepção sobre quem ocupa quais posições na hierarquia brasileira”, completa.
Para ampliar os olhares sobre a ostentação, Alcoforado convidou outros pesquisadores para, ao longo dos próximos programas, refletirem sobre o assunto, como o antropólogo Raphael Bispo dos Santos, que discute a relação entre ostentação e inveja, e a cientista social Silvia Naidin, que investiga o corpo como um dos principais dispositivos contemporâneos de distinção social.
Tainá Müller como apresentadora
A nova temporada marca a estreia de Tainá Müller como apresentadora do Café Filosófico. Reconhecida por sua trajetória no audiovisual, a atriz assume o comando do programa trazendo um olhar sensível e contemporâneo para os debates, com a proposta de aproximar ainda mais o público das reflexões propostas em cada encontro.
À frente da atração, Tainá conduz as conversas com os convidados, costurando os diferentes pontos de vista e estimulando o pensamento crítico. Sua chegada reforça a proposta de renovação do Café Filosófico, que, nesta temporada, investe em novas formas de diálogo para tornar os temas ainda mais acessíveis e conectados às questões contemporâneas.
“Eu estou muito empolgada com o novo Café Filosófico, porque acho um luxo ter esse espaço de reflexão e com essa profundidade em TV aberta. Fico muito honrada de apresentar esse novo formato, que vai ganhar muito ao trazer a Filosofia cada vez mais para o cotidiano. O diálogo filosófico nasceu nas ruas e por isso acredito que não é para estar em um lugar inacessível. Meu papel ali é ser como uma estudante curiosa, investigando junto, em um grande diálogo com essas mentes pensantes, que são nossos convidados. Vai dar um molho muito bom”, diz Tainá Müller.
O Café Filosófico vai ao ar todo domingo, às 20h, na TV Cultura, com reapresentação na madrugada de terça para quarta-feira, à 1h.



