Faltando poucos dias do segundo turno das eleições, marcado para este domingo (25), a Associação de Profissionais do Audiovisual Negro (APAN) apresenta uma seleção de cinco filmes que ajudam a compreender como as decisões políticas impactam diretamente a vida da população. Disponíveis na plataforma Todesplay, as produções abordam temas como racismo, acesso à educação, representatividade feminina, políticas afirmativas e mobilização social, mostrando que a política vai muito além das disputas eleitorais.

A lista reúne histórias que colocam em perspectiva direitos conquistados, desigualdades persistentes e a importância da participação da sociedade na construção de políticas públicas. Da luta pelas cotas raciais nas universidades às manifestações populares, os filmes convidam o público a refletir sobre quem ocupa os espaços de poder, quem tem acesso às oportunidades e como as decisões coletivas podem transformar realidades.

Confira as cinco indicações da APAN:

1. Quantos Eram Pra Tá (2018)
O documentário acompanha experiências de jovens negros de uma geração que passou a ocupar o ensino superior em um contexto de expansão das políticas de ações afirmativas. A obra aborda trajetórias de conquista, pertencimento e resistência, refletindo sobre a importância das cotas raciais na democratização da educação e no enfrentamento das desigualdades históricas.

2. A Pedra (2019)
O documentário apresenta três trajetórias marcadas pelo enfrentamento ao racismo, destacando conquistas e desafios da luta antirracista, especialmente no campo da educação. A produção evidencia a importância da resistência e da transformação social para a construção de uma sociedade mais igualitária.

3. Àprova (2020)
A luta pela implementação das políticas de ações afirmativas na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) é o tema central do documentário. A obra retrata a mobilização que levou à aprovação das cotas étnico-raciais na instituição,em 2017, e destaca a importância da organização coletiva para ampliar o acesso à universidade pública.

4. Voces de Mujeres en el Decenio (2022)
A produção destaca a participação das mulheres na política, trazendo reflexões sobre representatividade, liderança e os desafios enfrentados na ocupação dos espaços de poder. O filme evidencia a importância das vozes femininas na construção de uma sociedade mais democrática e igualitária.

5. 2013/2020 (2022)
O documentário estabelece um paralelo entre as manifestações de 2013 e as mobilizações de 2020 no Amapá, tendo como pano de fundo os impactos da privatização do setor de energia elétrica. A produção discute a mobilização popular, o acesso a serviços essenciais e as disputas políticas e sociais que atravessam diferentes momentos da história recente.

Cinema como espaço de reflexão política
Para a APAN, o audiovisual também é um instrumento de preservação da memória, formação crítica e valorização de narrativas que nem sempre encontram espaço no debate público. Ao dar visibilidade a essas histórias, o cinema contribui para ampliar perspectivas sobre questões que atravessam a sociedade brasileira e estimula o público a reconhecer seu papel na construção de mudanças sociais.

Sobre a APAN
Criada em 2016, a APAN – Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro – é uma organização não governamental, sem fins lucrativos, apartidária e com articulação, mobilização, incidência política, ações e representação nas cinco regiões do país. Desde sua criação, a associação defende o fortalecimento das

Ações Afirmativas como princípio e estratégia política fundamental para a garantia da inclusão da população negra no setor audiovisual e para o avanço na luta de combate ao racismo no Brasil. A APAN é fruto de uma articulação histórica de cineastas e profissionais do audiovisual brasileiro voltadas a potencializar as políticas públicas e as ações de mercado que fomentem e ampliem o audiovisual negro no país. A APAN, tem como eixo central para sua incidência a articulaçãopolítica, pautar e tensionar a construção de caminhos para o audiovisual brasileiro atento a um debate racial, de gênero e territorialidade.

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