Conferência ‘Brazil Beyond – The Next Decade of the Brazilian Audiovisual Industry’ (Brasil Além – A Próxima Década da Indústria Audiovisual Brasileira). (Foto: Divulgação/ ApexBrasil)

Em uma ação estratégica para consolidar o Brasil como um dos maiores players da indústria criativa global, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) participou, na última sexta-feira (15), da programação oficial do Marché du Film, em Cannes. A Agência assume o protagonismo na promoção internacional do novo Plano de Diretrizes e Metas do Audiovisual 2026–2035 durante a conferência “Brazil Beyond – The Next Decade of the Brazilian Audiovisual Industry” (Brasil Além – A Próxima Década da Indústria Audiovisual Brasileira), realizada no Main Stage (Riviera) e promovida pelo Ministério da Cultura do Governo Brasileiro.

O painel marcou o lançamento do plano decenal, desenhado pelo Conselho Superior de Cinema e pelo MinC, contando com a participação de destaque da diretora de Negócios da ApexBrasil, Maria Paula Velloso. Ao lado da secretária do Audiovisual do Ministério da Cultura (MinC), Joelma Gonzaga, e da produtora Tatiana Leite, a diretora da ApexBrasil destacou que o país superou a fase da mera busca por visibilidade exterior. O foco agora é estrutural: trazer escala, segurança jurídica e previsibilidade para investidores estrangeiros.

“Para produtores e distribuidores internacionais, a ApexBrasil se posiciona em Cannes como uma porta de entrada estruturada para o mercado brasileiro. Atuamos como parceiros estratégicos para reduzir barreiras, organizar oportunidades e conectar diretamente agentes globais a empresas preparadas para fazer negócios sustentáveis”, discursou Maria Paula Velloso no palco principal do evento. “Queremos que os parceiros internacionais enxerguem o país não como uma oportunidade pontual, mas como um mercado no qual vale a pena construir relações de longo prazo.”

A secretária do Audiovisual, Joelma Gonzaga, complementou destacando a relevância estratégica e o impacto econômico do setor para o país. “Nossa indústria hoje cria mais de 608 mil postos de trabalho por ano”, reforçou a secretária, evidenciando a força produtiva do mercado nacional na abertura dos debates.

O Plano 2026–2035: O que muda na prática
Alinhado à nova política industrial do país, o plano decenal reposiciona o Brasil na vanguarda da agenda criativa global por meio do aprimoramento de políticas públicas, atração de instrumentos fiscais robustos e criação de um ambiente regulatório altamente competitivo. A meta é consolidar o território nacional não apenas como um exportador de conteúdo, mas como uma plataforma internacional de coprodução, investimento e circulação de obras. Nesse cenário, a ApexBrasil assume um papel central para ativar esse potencial no mercado externo, trabalhando estrategicamente na geração de novas oportunidades de negócios, na atração de coproduções e investimentos internacionais, e no posicionamento definitivo do Brasil como um polo criativo maduro e confiável.

Um ecossistema maduro e em recorde histórico
A apresentação do novo ciclo estratégico fundamenta-se em números incontestáveis de crescimento. O setor audiovisual brasileiro movimentou R$ 70,2 bilhões e gerou mais de 608 mil empregos diretos e indiretos — superando setores tradicionais da economia nacional. Em 2025, o setor registrou o maior volume de investimentos públicos de sua história, com R$ 1,41 bilhão desembolsados (alta de 29% em relação ao ano anterior), resultando em 367 filmes exibidos e mais de 11 milhões de espectadores nas salas nacionais.

Esse dinamismo impulsionou o projeto setorial Cinema do Brasil — parceria entre a ApexBrasil e o Sindicato da Indústria Audiovisual do Estado de São Paulo (SIAESP) que completa 20 anos de existência. No acumulado do ciclo 2024–2025, o programa superou em 134% a sua meta estipulada, alcançando US$ 73,9 milhões em exportações e registrando a entrada de 83 novas empresas no mercado internacional (332% da meta inicial).

Cannes como Hub de Continuidade e Negócios
A presença brasileira no Marché du Film 2026 reflete a maturidade comercial da indústria. Com um pavilhão de 96 m² instalado no Palais des Festivals, uma delegação de cerca de 80 empresas e 4 distribuidoras nacionais participará de uma agenda intensa de rodadas de negócios one-to-one e encontros bilaterais com nove delegações — incluindo França, Alemanha, Itália, Espanha, Reino Unido, Polônia, Colômbia, Chile e Uruguai —, além de introduções estratégicas aos mercados asiáticos (China, Japão, Coreia do Sul e Índia).

O aditivo para a participação em Cannes 2026 foi viabilizado integralmente por meio de economias geradas pelo próprio convênio (R$ 977 mil), sem a necessidade de novos aportes da ApexBrasil. Além disso, a contrapartida privada de R$ 8,46 milhões superou o inicialmente pactuado, comprovando a capacidade de cofinanciamento e a autonomia do empresariado audiovisual brasileiro.

Diversidade Regional e Casos de Sucesso
Outro ponto crucial defendido na conferência foi o avanço da descentralização. A ApexBrasil e o Cinema do Brasil têm fortalecido polos emergentes por meio da iniciativa Audiovisual em Todos os Eixos, levando capacitação e conexão com players globais para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do país.

O reflexo prático dessa consistência está nas telas e no mercado de direitos de exibição: fenômenos recentes de crítica em festivais internacionais de prestígio dividem espaço com cases de alta performance comercial, como o premiado filme Baby, as coproduções em festivais como Manas e Feito Pipa, e o clássico contemporâneo Que Horas Ela Volta?, vendido para 50 países com faturamento superior a €1 milhão.

Com uma diversidade narrativa única, talentos reconhecidos mundialmente e segurança institucional garantida para a próxima década, o convite feito em Cannes pelo Brasil ao mercado global foi direto: este não é apenas um bom momento para assistir ao conteúdo brasileiro, é o momento estratégico para investir e construir parcerias de longo prazo.

Próximos passos em Cannes: painéis e debates estratégicos
Após a abertura oficial com o painel Brazil Beyond, a comitiva brasileira segue com uma agenda robusta de debates de alto impacto no Marché du Film. Ainda na sexta(15), o foco se voltou ao mercado europeu com o Encontro Brasil–França, focado em mecanismos de coprodução e financiamento. No domingo (17), a ApexBrasil se une ao coletivo +Mulheres do Audiovisual e ao CNC para um painel estratégico sobre os impactos da Inteligência Artificial na indústria criativa.

Na segunda-feira (18), a programação oficial destaca a “Manhã Brasil”, uma vitrine promovida pela ApexBrasil, MinC, ANCINE e Cinema do Brasil para apresentar o potencial do mercado nacional a grandes players globais. No mesmo dia, o debate sobre diversidade e expansão internacional ganha força no Painel Abrasia, que discute as relações bilaterais entre Brasil, Japão e França. A programação de painéis encerra-se no final da tarde de segunda-feira, com o lançamento do prestigiado Hubert Bals Fund.

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