
Alice Carvalho chega a Sessão de Terapia como Morena, uma mulher metódica que procura o consultório em meio ao desgaste provocado pelos cuidados com o pai. Diante do avanço do Alzheimer, a personagem precisa lidar não apenas com decisões difíceis, mas também com a culpa de considerar dividir uma responsabilidade que, durante anos, assumiu sozinha. O conflito se desenvolve menos por grandes acontecimentos e mais pelas pausas, pelos gestos contidos e por tudo aquilo que Morena ainda não consegue dizer.
“Foi um processo de segurar muita coisa por dentro, de guardar mais do que soltar. O pai sempre foi a força dela desde que perdeu a mãe cedo – aí a doença chega, o Alzheimer vai tomando conta, e ela se vê tendo que decidir se interna o pai numa instituição de longa permanência ou se segura tudo sozinha, como sempre segurou. É um processo de negação da própria dor. Ela organiza tudo à volta porque, no fundo, sente que está perdendo o controle de tudo o mais, e a culpa de nem cogitar abrir mão desse cuidado pesa. Em Sessão de Terapia não tem pra onde fugir atrás de ação ou acontecimento de fora. A câmera fica colada em você, então qualquer respiração diferente, qualquer silêncio, qualquer desvio de olhar já conta a história. O desafio foi construir essa intensidade sem entregar a emoção antes da hora, deixando tudo vir enquanto a palavra sai. Uma honra imensa também ser dirigida por Selton Mello”, revela a artista.
O formato da produção, concentrado no encontro entre terapeuta e paciente, exigiu da atriz uma presença diferente em cena. Sem a possibilidade de deslocar a atenção para ações externas, Alice precisou explorar as contradições entre o que a personagem fala, o que tenta esconder e aquilo que acaba revelando pelo olhar. A experiência também ampliou sua percepção sobre a escuta e sobre a força dramática dos intervalos de uma conversa.
“Todo trabalho me muda de alguma forma e é inevitável. Cada personagem deixa um resquício em mim depois que acaba. Mas Sessão de Terapia mexeu de um jeito particular, porque é um formato que exige um outro tipo de presença. Você precisa estar de fato ali com o outro, não ficar só esperando sua vez de falar. O silêncio vira resposta também, e às vezes é nele que mora a informação mais importante da cena inteira. Saí desse processo prestando ainda mais atenção nas pausas e entre o que a boca fala e o olho entrega. É assim com tudo que eu faço. Todo personagem me devolve um pouco diferente de como me encontrou”, completa.
Fora das gravações, essa atenção ao que pede cuidado também aparece em sua rotina de beleza, especialmente durante o inverno, quando o uso mais frequente de secador e os banhos quentes podem aumentar o ressecamento dos fios. Para atravessar a estação sem pesar o cabelo ou adicionar etapas demais ao dia a dia, Alice prioriza fórmulas leves, capazes de manter hidratação, brilho e movimento.



