
O som que conquistou Goiânia chega agora às telas de cinema. O eletrofunk, gênero musical nascido na periferia goiana que mistura as batidas do house com a pegada do funk, é o tema do documentário A Tropa de Goiânia!, dirigido por João Lucas Ribeiro e Iuri Moreno. O longa-metragem estreia nos cinemas em 12 de novembro. Em 70 minutos, o filme mergulha na história e na cultura do eletrofunk em Goiânia e mostra como o movimento deixou de ser uma subcultura da periferia para se tornar um fenômeno nacional do entretenimento.
“A gente quis contar a história do eletrofunk a partir de quem construiu esse movimento. É uma cultura que nasceu na periferia de Goiânia, cresceu muitas vezes à margem dos grandes meios e hoje alcança milhões de pessoas pelo Brasil. Para nós, é motivo de muito orgulho poder contar essa história a partir de Goiás, por uma produtora goiana e com uma equipe majoritariamente goiana. Existe uma potência muito grande em podermos olhar para as histórias que nascem aqui e levá-las para as telas do cinema a partir de quem vive e produz no estado. Realizar um longa-metragem dessa dimensão no estado é uma conquista que mostra a importância das políticas públicas de incentivo ao audiovisual. Foi através da Lei Paulo Gustavo que tivemos a oportunidade de produzir aqui, com profissionais daqui, um filme que registra e valoriza uma manifestação cultural tão importante para Goiás”, comenta Iuri Moreno, diretor do filme.
A produção destaca a influência da Abelvolks, uma das principais equipes de som automotivo do país, que teve papel fundamental na construção dessa cultura, e acompanha a trajetória de DJs e MCs que saíram da cena local para ganhar projeção nacional. “O eletrofunk é um movimento de música genuinamente goiano, popular, e que cada vez mais ganha espaço. Os personagens são de uma riqueza ímpar e mostrar está cena pro Brasil foi urgente pra mim, quando decidi me empenhar neste projeto. É a nova música de Goiás com potencial para nos representar. É o funk goiano!”, analisa João Lucas Ribeiro, diretor do filme.
Produzido pela Caolha Filmes em parceria com a Fósforo Cultural e a Matuta Produções, A Tropa de Goiânia! traz imagens de bastidores de grandes eventos da cena e depoimentos dos artistas Dan Better, DJ Brenno Paixão, DJ Fabrício Rodrigues, DJ Índia, DJ Jiraya Uai, DJ Junim Dantes, DJ Low, DJ Tubas, DJ Vinícius Cavalcante, Maaju, MC Jacaré, MC Lozin e Wam Baster. Também participam o produtor musical Nadir Netto, os empresários Glauber Silva e Silvibel Silva, da Abelvolks, e Santiago Maia, da Sam Music.
O Eletrofunk
O eletrofunk nasceu da cultura do som automotivo em Goiás e tem suas raízes ligadas à Abelvolks, empresa especializada no segmento fundada em 1967. Nos anos 1990, as festas promovidas pela empresa ajudaram a popularizar a marca. Foi durante a pandemia, porém, que o gênero ganhou força, impulsionado pelo lançamento do álbum “22 Eletro Funk Especial de Quarentena”, do DJ Wam Baster. Em 2023, a Assembleia Legislativa de Goiás realizou uma sessão solene em homenagem aos DJs e produtores da cena, um reconhecimento que ajudou a romper barreiras de preconceito.
Goiânia se tornou um dos principais polos do movimento no Brasil e revelou artistas que hoje dominam os palcos do país e as plataformas digitais, como MC Jacaré, que acumula 15 milhões de ouvintes mensais no Spotify e 3,1 milhões de seguidores no Instagram. Esses artistas também já levaram o grave goiano para fora do Brasil, com apresentações na Inglaterra, em Portugal e nos Estados Unidos.
Sobre os Diretores
João Lucas Ribeiro é produtor cultural, idealizador dos festivais Vaca Amarela, La Bomba Latina e Grito Rock. Fundador do coletivo Fósforo Cultural, atua há mais de 20 anos na cena musical brasileira. Radialista e músico, atualmente é produtor da Rádio MOOV FM. Formado em Jornalismo, João iniciou a sua carreira no audiovisual. “A Tropa de Goiânia!” é o primeiro longa que ele assina direção.
Iuri Moreno é sócio da produtora goiana Caolha Filmes, onde atua como diretor, produtor executivo e roteirista. Em 2023, Iuri foi premiado com o troféu Grande Otelo pela Academia Brasileira de Cinema por seu curta “A Menina Atrás do Espelho”, e junto a outras obras produzidas pela Caolha, o diretor participou de mais de 500 festivais de cinema pelo Brasil e pelo mundo. Iuri é também um dos idealizadores do festival de animação Lanterna Mágica, é pós-graduado em cinema e concluiu cursos livres de produção executiva e roteiro oferecidos pela EICTV, em Cuba.



