0

Uma história que começou no interior do Ceará e ganhou forma durante a passagem de seu roteirista pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) agora chega a uma das maiores vitrines do cinema mundial. Feito Pipa, dirigido por Allan Deberton e escrito por André Araújo e Deberton, foi escolhido pela Academia Brasileira de Cinema para representar o Brasil na disputa por uma vaga no Oscar 2027, na categoria de Melhor Filme Internacional.

O anúncio foi feito na quarta-feira (16), depois de o longa superar outras 14 produções brasileiras inscritas na seleção. Antes da escolha final, Feito Pipa avançou para a etapa decisiva ao lado de 100 Dias, A Fabulosa Máquina do Tempo, A Natureza das Coisas Invisíveis, Nosso Segredo e Vicentina Pede Desculpas.

Agora, o caminho continua. A produção será submetida à Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, responsável pelo Oscar, que definirá os cinco títulos que disputarão oficialmente a estatueta de Melhor Filme Internacional. Os indicados serão anunciados em 21 de janeiro de 2027, enquanto a cerimônia está marcada para 14 de março.

Uma história que nasceu na UERN
Por trás da escolha brasileira existe também uma trajetória acadêmica que ajuda a tornar o projeto ainda mais especial. André Araújo, um dos roteiristas de Feito Pipa, é egresso do curso de Comunicação Social, com habilitação em Rádio, TV e Internet, da UERN, onde se formou em 2010. Foi durante a universidade que ele começou a realizar seus primeiros filmes e aprofundou a relação com o audiovisual.

A própria origem de Feito Pipa está ligada a esse período. Durante a produção de seu Trabalho de Conclusão de Curso, André visitou as ruínas da antiga cidade de São Rafael, no Rio Grande do Norte. A paisagem e as memórias daquele lugar permaneceram com o roteirista e, anos depois, ajudaram a alimentar a história do longa.

O projeto começou a ser desenvolvido em 2019 e posteriormente passou pelo Laboratório de Cinema da Escola Porto Iracema das Artes, em Fortaleza. O roteiro levou anos até chegar às filmagens, realizadas em 2024, no Ceará.

Mais do que falar sobre uma região específica, a história nasceu do desejo de trabalhar temas como memória, identidade, pertencimento e os afetos que atravessam as relações familiares.

A história de Gugu
No centro da trama está Gugu (Yuri Gomes), um garoto de 11 anos apaixonado por futebol e criado pela avó, Dilma (Teca Pereira), uma professora aposentada que representa para ele liberdade, proteção e afeto.

Quando a saúde de Dilma começa a se fragilizar por causa do Alzheimer, Gugu tenta esconder a situação para evitar ser separado dela e ter de morar com o pai, Batista, interpretado por Lázaro Ramos.

A partir desse conflito, Feito Pipa acompanha o amadurecimento precoce do menino e a tentativa de preservar o mundo que conhece, enquanto precisa lidar com mudanças que fogem completamente de seu controle. O filme foi rodado em Quixadá e em outras cidades do Ceará.

Do Festival de Berlim ao Oscar
A escolha para representar o Brasil acontece depois de uma trajetória expressiva em festivais. Feito Pipa estreou mundialmente no Festival Internacional de Cinema de Berlim, onde recebeu o Urso de Cristal e o Grande Prêmio do Júri Internacional da mostra Generation Kplus.

No Festival de Gramado, o longa também se destacou e conquistou os prêmios de Melhor Filme pelo Júri Popular, Melhor Direção, Melhor Atriz para Teca Pereira e Melhor Ator Coadjuvante para Lázaro Ramos.

A produção ainda recebeu reconhecimento no Festival de Guadalajara, no México, onde Teca Pereira e Yuri Gomes também foram premiados.

O caminho internacional, portanto, começou antes mesmo de o filme ser escolhido oficialmente para representar o país. Agora, Feito Pipa passa a carregar uma nova responsabilidade: apresentar seu olhar sobre o Brasil diante da Academia de Hollywood.

Lázaro Ramos celebra escolha
Parte do elenco, Lázaro Ramos também comemorou a decisão da Academia Brasileira de Cinema. O ator, que interpreta Batista, compartilhou a emoção com a escolha do filme e destacou a importância do momento para a produção.

Para André Araújo, a notícia tem um significado ainda mais particular. O roteirista descreveu como difícil assimilar que um filme escrito por ele havia sido escolhido para representar o Brasil no Oscar, lembrando a distância que aquela possibilidade parecia ter quando começou a escrever a história.

É uma trajetória que conecta universidade, memória, cinema independente e reconhecimento internacional — e que agora ganha mais um capítulo.

Feito Pipa estreia nos cinemas brasileiros em 5 de novembro de 2026. Enquanto o longa se prepara para chegar às telonas, a produção segue seu caminho internacional em busca de uma vaga entre os cinco indicados ao Oscar 2027 de Melhor Filme Internacional.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui