
A Academia Brasileira de Cinema divulgou, nesta segunda-feira (24), a lista com os 15 filmes habilitados a disputar a escolha de representante do Brasil na categoria de Melhor Filme Internacional do Oscar 2027. Entre os concorrentes estão 100 Dias, cinebiografia de Amyr Klink dirigida por Carlos Saldanha; Malês, drama histórico comandado por Antonio Pitanga; e Vicentina Pede Desculpas, novo trabalho de Gabriel Martins, diretor de “Marte Um”.
A relação ainda não corresponde a uma pré-lista oficial da Academia de Hollywood. Nesta primeira fase, os 15 títulos disputam exclusivamente a indicação brasileira. A Comissão de Seleção se reunirá em 9 de setembro para reduzir o grupo a seis finalistas. Em 16 de setembro, será anunciado o filme escolhido para representar o país.
Formado por 15 integrantes titulares, o comitê reúne 12 profissionais eleitos pelos associados da Academia Brasileira de Cinema e outros três indicados pela diretoria da instituição. Para participar do processo, as produções precisaram comprovar lançamento em cinemas entre 1º de outubro de 2025 e 30 de setembro de 2026, com exibições comerciais durante pelo menos sete dias consecutivos. O representante brasileiro deverá ser inscrito na Academia de Artes e Ciências Cinematográficas até 30 de setembro.
O que acontece depois da escolha brasileira?
Depois de receber os representantes de diferentes países, além dos filmes classificados por meio da nova regra dos festivais, a Academia de Hollywood realiza uma primeira rodada de votação. Os 15 títulos mais votados avançam para a lista reduzida de Melhor Filme Internacional, que será divulgada em 15 de dezembro.
Os membros participantes da etapa seguinte deverão assistir aos 15 classificados. Cada votante poderá escolher até cinco produções e os cinco filmes mais votados receberão oficialmente a indicação ao Oscar. A lista completa de indicados será anunciada em 21 de janeiro de 2027.
A votação final acontecerá entre 25 de fevereiro e 4 de março. O vencedor será conhecido durante a 99ª cerimônia do Oscar, marcada para 14 de março de 2027, no Dolby Theatre, em Los Angeles.
Nova regra permite classificação sem indicação do país
A edição de 2027 terá uma mudança importante na categoria de Melhor Filme Internacional. Pela primeira vez, uma produção falada majoritariamente em um idioma diferente do inglês poderá participar da corrida mesmo sem ter sido escolhida como representante oficial de seu país.
Para conquistar a classificação alternativa, o longa precisará vencer um dos prêmios estabelecidos pela Academia em seis festivais internacionais: Urso de Ouro, em Berlim; Palma de Ouro, em Cannes; Leão de Ouro, em Veneza; Grande Prêmio do Júri de Cinema Mundial, em Sundance; prêmio de Melhor Filme, em Busan; ou Platform Prize, em Toronto.
Com isso, um mesmo país poderá ter mais de uma produção entre as candidatas e até entre as cinco indicadas. Uma delas poderá ser a seleção feita pelo comitê nacional e outra poderá entrar por meio da vitória em um festival classificatório.
É justamente o caso de Vicentina Pede Desculpas. O longa de Gabriel Martins está selecionado para a mostra competitiva Platform do Festival Internacional de Cinema de Toronto. Caso conquiste o prêmio, poderá se classificar para a corrida internacional independentemente do resultado da seleção brasileira.
A Academia também passará a reconhecer oficialmente o filme, e não mais o país, como indicado e eventual vencedor. A estatueta será recebida pelo diretor em nome da equipe criativa, com seu nome gravado ao lado do título da produção e do país ou região correspondente.
Conheça os 15 filmes brasileiros habilitados
“100 Dias”, de Carlos Saldanha
Baseado no livro “Cem Dias Entre Céu e Mar”, o filme acompanha a histórica travessia realizada por Amyr Klink em 1984. Interpretado por Filipe Bragança, o navegador deixou a costa da Namíbia, na África, e atravessou sozinho o Oceano Atlântico em um pequeno barco a remo até chegar ao litoral brasileiro, depois de aproximadamente cem dias no mar.
“A Conspiração Condor”, de André Sturm
Durante a ditadura militar, uma jornalista investiga as mortes dos ex-presidentes Juscelino Kubitschek e João Goulart. Ao encontrar indícios de que os casos podem estar ligados, ela se aproxima de uma trama envolvendo a Operação Condor, aliança formada por regimes militares sul-americanos para perseguir e eliminar opositores políticos.
“A Fabulosa Máquina do Tempo”, de Eliza Capai
O documentário acompanha meninas do sertão do Piauí durante um período de nove anos. Enquanto elas imaginam uma máquina capaz de viajar pelo tempo, a diretora registra as transformações da infância para a adolescência, os sonhos construídos para o futuro e os desafios enfrentados pelas jovens em suas comunidades.
“A Natureza das Coisas Invisíveis”, de Rafaela Camelo
Glória, de 10 anos, passa as férias acompanhando a mãe, que trabalha como enfermeira em um hospital. No local, ela conhece Sofia, uma menina que tenta convencer a bisavó a retornar para casa. A amizade leva as duas crianças a procurar formas de escapar daquele ambiente e compreender questões como afeto, separação e perda.
“Ato Noturno”, de Marcio Reolon e Filipe Matzembacher
Um ator em busca de reconhecimento e um político em ascensão começam um relacionamento secreto. Enquanto tentam proteger as respectivas carreiras, os dois descobrem uma atração pelo risco e por encontros em lugares públicos, fazendo com que desejo, exposição e ambição passem a ameaçar tudo o que construíram.
“Cinco Tipos de Medo”, de Bruno Bini
Inspirado em acontecimentos reais, o suspense entrelaça cinco histórias marcadas pela violência em Cuiabá. As trajetórias de personagens de diferentes origens se cruzam progressivamente, formando um retrato sobre medo, criminalidade, sobrevivência e as consequências de decisões tomadas em situações extremas.
“Dolores”, de Maria Clara Escobar e Marcelo Gomes
Às vésperas de completar 65 anos, Dolores tem uma premonição de que se tornará proprietária de um cassino bem-sucedido. Para transformar o sonho em realidade, ela precisa vender a casa e reconstruir a relação com a filha Deborah. Enquanto isso, sua neta Duda enxerga em uma oportunidade nos Estados Unidos a possibilidade de mudar de vida. As três mulheres apostam tudo na tentativa de concretizar seus próprios projetos.
“Feito Pipa”, de Allan Deberton
Gugu é um menino criado pela avó no interior do Ceará. Quando ela enfrenta problemas de saúde, o garoto passa a conviver com a possibilidade de deixar a única casa que conhece e morar com o pai, ausente durante boa parte de sua vida. A mudança obriga os dois a construir uma relação até então marcada pela distância.
“Herança de Narcisa”, de Clarissa Appelt e Daniel Dias
Depois da morte da mãe, a ex-vedete Narcisa, Ana retorna ao casarão no qual passou a infância para organizar os pertences e vender o imóvel. Ao lado do irmão Diego, ela encontra segredos e memórias de uma relação familiar traumática. O processo de limpeza da casa também desperta manifestações sobrenaturais ligadas à presença de Narcisa.
“Malês”, de Antonio Pitanga
Separados à força de sua terra natal na África e escravizados no Brasil, um casal luta para sobreviver e se reencontrar em Salvador. A história se desenvolve durante os acontecimentos que antecederam a Revolta dos Malês, levante organizado por africanos muçulmanos escravizados e libertos em 1835.
“Nosso Segredo”, de Grace Passô
Depois de uma perda, uma família negra tenta reconstruir a rotina e encontrar novas formas de permanecer unida. Em meio ao luto e aos silêncios dentro de casa, o filho mais novo esconde um segredo capaz de modificar a maneira como todos enfrentam a ausência e compreendem os vínculos familiares.
“O Rei da Internet”, de Fabrício Bittar
Inspirado na história de Daniel Nascimento, o filme acompanha um adolescente que se torna um dos hackers mais conhecidos do Brasil. Antes dos 17 anos, ele invade servidores, entra para uma organização criminosa que movimenta milhões de reais e mergulha em uma vida de luxo e ostentação, até se tornar alvo de uma grande operação da Polícia Federal.
“Papagaios”, de Douglas Soares
Tunico é um conhecido “papagaio de pirata” da periferia do Rio de Janeiro e persegue repórteres para aparecer ao fundo de transmissões televisivas. Depois de um grave acidente, ele conhece Beto, um jovem misterioso que se torna seu aprendiz. A parceria revela gradualmente as consequências da busca pela fama a qualquer custo.
“Quando Vira a Esquina”, de Chris Alcazar
O documentário acompanha profissionais do sexo que trabalham na Vila Mimosa, tradicional região de prostituição do Rio de Janeiro. Por meio de relatos pessoais e da observação do cotidiano, o longa apresenta as histórias, relações, dificuldades e estratégias de sobrevivência das pessoas que ocupam aquele espaço.
“Vicentina Pede Desculpas”, de Gabriel Martins
Vicentina enfrenta a morte do filho Wesley, motorista de um ônibus envolvido em um acidente que deixou diversas vítimas em Belo Horizonte. Quando a investigação levanta a possibilidade de que ele tenha provocado a queda deliberadamente, ela decide procurar os familiares dos passageiros para pedir desculpas, enquanto tenta compreender a tragédia e seguir em frente.
Calendário da disputa brasileira no Oscar 2027
- 9 de setembro de 2026: anúncio dos seis finalistas brasileiros;
- 16 de setembro de 2026: escolha do representante oficial do Brasil;
- 30 de setembro de 2026: prazo para inscrição dos filmes internacionais;
- 15 de dezembro de 2026: divulgação da lista reduzida com 15 produções;
- 21 de janeiro de 2027: anúncio dos cinco indicados;
- 14 de março de 2027: cerimônia e anúncio do vencedor.



