
A Itaú Cultural Play (IC Play), plataforma de streaming gratuita dedicada ao cinema brasileiro, estreia em 15 de maio a mostra Eliza Capai — Resistência pelo afeto, em homenagem a um dos nomes mais celebrados do documentário brasileiro contemporâneo. Com uma filmografia que tensiona os limites entre quem filma e quem é filmado, a documentarista Eliza Capai constrói narrativas marcadas pela escuta e pelo envolvimento direto com os contextos que retrata, transformando o ato de registrar em gesto político.
A mostra reúne seis filmes que atravessam diferentes territórios e realidades sociais, conectando experiências íntimas a debates coletivos. Entre os destaques estão Incompatível com a vida (Rio de Janeiro, 2023), qualificado para o Oscar de Melhor Documentário daquele ano, e Espero tua (Re)volta (Rio de Janeiro, 2019), reconhecido com mais de 25 prêmios em festivais nacionais e internacionais. Completam a seleção os títulos O jabuti e a anta (São Paulo, 2016), No devagar depressa dos tempos (São Paulo, 2014), #Resistência (São Paulo, 2017) e Tão longe é aqui (Rio de Janeiro, 2013).
O acesso à Itaú Cultural Play é gratuito, disponível em www.itauculturalplay.com.br, nas smart TVs da Samsung, LG, Android TV e Apple TV, nos aplicativos para dispositivos móveis (Android e iOS) e Chromecast. O conteúdo da IC Play também está disponível nas plataformas Claro TV+, SKY+ e Watch Brasil.
Os filmes
Incompatível com a vida (Rio de Janeiro, 2023) parte de uma experiência pessoal de Eliza para abordar a interrupção da gravidez, reunindo relatos de diferentes mulheres sobre dor, memória, medos, sonhos e anseios. Ao oscilar entre o lugar de entrevistadora e de personagem, a cineasta questiona os imaginários em torno da maternidade e evidencia as lacunas nas políticas de cuidado à pessoa gestante. Além de ter se qualificado para o Oscar de Melhor Documentário, após vencer o 28º festival É Tudo Verdade, o longa-metragem também foi eleito Melhor Documentário pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e integrou a lista dos 10 melhores filmes de 2023 pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine).
Espero tua (Re)volta (Rio de Janeiro, 2019) acompanha o movimento estudantil em São Paulo desde as manifestações de 2013 até os desdobramentos políticos pré-pandemia. Narrado por três estudantes, o documentário articula imagens de arquivo e registros diretos das ocupações de escolas e protestos nas ruas, revelando a potência da mobilização jovem e suas conexões com pautas como educação acessível e igualdade social. O documentário participou de mais de 100 festivais e ganhou mais de 25 prêmios, entre eles, o da Anistia Internacional e o da Paz no 69º Festival Internacional de Cinema de Berlim.
No estilo boat movie (filme de barco), O jabuti e a anta (São Paulo, 2016) investiga os impactos socioambientais da construção de usinas hidrelétricas no Brasil sob perspectiva da seca histórica de 2014 no Sudeste. A diretora percorre rios da região amazônica, como Xingu, Tapajós e Ene, ouvindo populações indígenas, ribeirinhas e pescadores, enquanto expõe as desigualdades de poder e os conflitos entre desenvolvimento econômico, consumo e preservação ambiental. O documentário foi um dos destaques da Première Brasil no 18º Festival do Rio (2016) e foi selecionado para o 14º Festival Latino-Americano de Cinema Ambiental.

Em No devagar depressa dos tempos (São Paulo, 2014), Eliza Capai investiga os impactos do programa Bolsa Família na realidade de diferentes mulheres na cidade de Guaribas, no sertão do Piauí. A partir de relatos de violência doméstica e desigualdade social, o filme constrói uma narrativa intergeracional sobre as relações de gênero e as perspectivas de futuro dessas mulheres, em meio a transformações econômicas e culturais. Foi premiado em diversos festivais, incluindo os internacionais Festival de Cine de la Mujer Marialionza (Venezuela) e Festival de Martil (Marrocos), ambos em 2015.
#Resistência (São Paulo, 2017) acompanha manifestações políticas e ocupações de espaços públicos durante o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Por uma abordagem imersiva, a cineasta se insere nos movimentos sociais e articula debates sobre cultura, feminismo e mídia, propondo uma leitura alternativa às narrativas hegemônicas sobre o período. A obra integrou festivais internacionais como o Festival Internacional de Cine Político de Buenos Aires e o Brésil en Mouvements, na França.
Por fim, em Tão longe é aqui (Rio de Janeiro, 2013), Eliza Capai registra sua viagem pelo continente africano às vésperas do seu aniversário de 30 anos. Ao longo do percurso, a diretora se encontra com mulheres de diferentes culturas e estabelece diálogos que atravessam questões de identidade, pertencimento e visão de mundo, rompendo estereótipos construídos no Ocidente que perduram por gerações. No ano do lançamento, a obra foi premiada como Melhor Filme na mostra Novos Rumos do Festival do Rio e recebeu o Prêmio Especial do Júri no Femina Festival.



