Cena do filme ‘Los Domingos’, de Alauda Ruiz de Azúa, em cartaz na Mostra Farol (Foto: Reprodução/ Divulgação/ Sesc São Paulo)

Mostra Farol, que ocupa o CineSesc, chega à última semana exibindo grandes filmes inéditos no circuito comercial brasileiro e obras que marcaram a estreia ou revelaram cineastas hoje consagrados. Até 2 de abril, a mostra, realizada pelo Sesc São Paulo, traz 10 filmes imperdíveis que destacamos a partir das tensões evocadas nas histórias que nos remetem à vida que é possível dentro de estruturas que há muito tempo não se sustentam.

Em ChocolateAqui não Entra LuzA Sombra do Meu Pai e O Riso e a Faca, resquícios do colonialismo e da escravidão contaminam sociedades, identidades, hierarquias e até mesmo a arquitetura. No conjunto formado por QueerpanoramaSlacker e Los Domingos, a formação de identidade é o centro, e o choque vem do contato com o outro, da falta de perspectivas e da quebra de expectativas de um mundo que quer o encaixe mas não oferece estruturas para isso. O afeto tenta reorganizar o caos em DoloresI Will Follow e Os Matadores, onde frustrações, luto e violência barram essa possibilidade.

Os detalhes:

1. Chocolate (1988), de Claire Denis
Um retorno à infância colonial no Camarões que se desdobra em silêncios densos, tensões raciais e desejos interditos. A relação entre a jovem protagonista Aimeé e Protée, o empregado da casa, é construída com uma delicadeza cortante, onde cada gesto carrega um mundo.
Por que ver? Estreia de uma das cineastas mais importantes do cinema contemporâneo, o filme já anunciava o olhar sensorial e político de Denis. Exibido no Festival de Cannes, tornou-se referência na revisão crítica do passado colonial europeu.
Quando? Dia 26/03, quinta-feira, às 18h

2. Aqui Não Entra Luz (2025), de Karol Maia
Um documentário que escava o Brasil profundo através da arquitetura residencial. Ao investigar o espaço destinado às trabalhadoras domésticas, o filme revela como paredes, portas e corredores também segregam.
Por que ver? Urgente e necessário, o filme dialoga com debates contemporâneos sobre heranças da escravidão. A força está nos depoimentos de mulheres que transformam dor em projeto de futuro.
Quando? Dia 28/03, sábado, às 18h

3. Slacker (1991), de Richard Linklater
Um mosaico errante de jovens em Austin, conectados apenas pelo acaso e pelo desencanto. Sem protagonista, sem trama tradicional, o filme flutua como uma conversa infinita que nunca chega a lugar nenhum e, justamente por isso, chega a muitos.
Por que ver? Marco do cinema independente americano dos anos 1990, feito com orçamento mínimo e máxima liberdade. É o filme que chamou a atenção para a direção de Linklater e uma cápsula do espírito pré-internet.
Quando? Dia 29/03, domingo, às 17h30

4. Queerpanorama (2025), de Jun Li
Um jogo de identidades em que um homem incorpora seus parceiros sexuais para existir ou talvez para escapar da sua realidade. O corpo vira palco, máscara e espelho.
Por que ver? Provocador e conceitual, o filme tensiona performatividade e desejo com uma abordagem ousada sobre identidade queer. Uma experiência mais próxima de um labirinto do que de uma narrativa linear.
Quando? Dia 29/03, domingo, às 20h30

5. I Will Follow (2010), de Ava DuVernay
O luto como travessia íntima. Maya precisa deixar a casa da tia recém-falecida e, no processo, reorganizar a própria vida. Pequeno no orçamento, gigantesco na sensibilidade.
Por que ver? Primeiro longa de DuVernay, que depois ganharia projeção global com obras como Selma. Aqui, já se vê sua habilidade em dirigir atores e transformar o cotidiano em matéria emocional potente.
Quando? Dia 30/03, segunda-feira, às 18h

6. A Sombra do Meu Pai (2025), de Akinola Davies Jr.
Uma viagem entre pai e filhos em meio ao colapso político da Nigéria dos anos 1990. O que começa como reconexão familiar se torna um percurso atravessado pelo caos urbano.
Por que ver? Cinema africano contemporâneo com imagens e narrativa impressionantes, combinando drama íntimo e contexto histórico. O contraste entre afeto e instabilidade cria uma tensão constante.
Quando? Dia 30/03, segunda-feira, às 20h30

7. Dolores (2025), de Marcelo Gomes e Maria Clara Escobar
Três gerações de mulheres orbitando desejo, vício, sobrevivência e fuga. Um sonho de cassino atravessa a narrativa como promessa e ameaça.
Por que ver? Um retrato feminino multifacetado, com ecos de melodrama e crítica social. O filme costura destinos com uma pulsação bem brasileira, entre o realismo e o delírio.
Quando? Dia 31/03, terça-feira, às 18h

8. Os Matadores (1997), de Beto Brant (em 35mm)
Dois pistoleiros à espera, um bar na fronteira, histórias que circulam como fumaça. A figura mítica de Múcio paira sobre tudo.
Por que ver? Um clássico do cinema brasileiro dos anos 1990, exibido em película. A atmosfera seca e os diálogos afiados fazem do filme um estudo sobre violência, masculinidade e mito.
Quando? Dia 31/03, terça-feira, às 20h30

9. O Riso e a Faca (2025), de Pedro Pinho
Um engenheiro português na África Ocidental se envolve com dois habitantes locais em uma relação que mistura desejo, poder e deslocamento. Com três horas de duração, o filme respira fundo e mergulha sem pressa.
Por que ver? Épico contemporâneo que dialoga com questões pós-coloniais e afetivas. Pinho já chamou atenção com A Fábrica de Nada e aqui radicaliza sua proposta.
Quando? Dia 01/04, quarta-feira, às 18h

10. Los Domingos (2025), de Alauda Ruiz de Azúa
Uma jovem brilhante decide abandonar tudo para se tornar freira. A família, perplexa, vê ruir o roteiro que havia imaginado para ela.
Por que ver? Drama íntimo sobre fé, vocação e ruptura geracional. A diretora, premiada por Cinco Lobitos, reafirma seu talento em explorar conflitos familiares com precisão.
Quando? Dia 02/04, quinta-feira, às 17h30

Todas as sessões da Mostra Farol estão com ingressos vendidos a R$20 (inteira), R$10 (meia) e R$6 (credencial Sesc) e as exibições na faixa das 15h são gratuitas, com ingressos distribuídos 1h antes do início. As sessões do CineClubinho tem gratuidade para crianças até 12 anos e ingressos vendidos a R$10 (inteira), R$5 (meia) e R$ 3 (credencial Sesc). A pipoca é R$ 2.

Confira a programação completa e demais informações em sescsp.org.br/mostrafarol e sescsp.org.br/cinesesc.

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