Antropólogo Michel Alcoforado abre temporada 2026 do Café Filosófico CPFL (Foto: Renato Parada)

Café Filosófico CPFL inicia a temporada 2026 em 5 de março, às 19h, em Campinas, com uma combinação de novidades e provocações. O programa ganha novo formatonovo cenário e uma nova apresentadora: a atriz Tainá Müller, que passa a conduzir as conversas que, há mais de duas décadas, colocam o pensamento em horário nobre. A estreia também marca o início de um ciclo de palestras inéditas, aberto pelo antropólogo Michel Alcoforado. Conhecido como o “Antropólogo do Luxo” por suas pesquisas sobre as elites brasileiras, ele é autor do best-seller Coisa de Rico e assina a curadoria do primeiro módulo do ano, dedicado ao tema “Ostentação”.

“A nova temporada do Café Filosófico CPFL marca um momento importante de renovação do programa sem perder a essência de promover reflexões profundas e acessíveis sobre temas centrais da contemporaneidade”, afirma Daniela Ortolani Pagotto, head do Instituto CPFL.

Mais do que tratar a ostentação como sinônimo de excesso ou exibicionismo, o módulo propõe uma mudança de olhar. A partir de uma abordagem antropológica, o fenômeno é apresentado como uma linguagem social carregada de significados, capaz de revelar as tensões, desigualdades e disputas simbólicas que atravessam a sociedade brasileira. Em um país onde dinheiro, visibilidade e reconhecimento se entrelaçam, ostentar pode ser entendido como uma forma de dizer quem se é ou quem se deseja ser.

Inspirado em reflexões sobre as elites e as classes populares, o ciclo de encontros convida o público a analisar o consumo como performance social. A proposta é pensar não apenas o que se ostenta, mas o porquê e de que modo isso molda nossa experiência coletiva. A ostentação aparece, assim, como um espelho cultural: um reflexo de medos, ambições, ansiedades e desejos que atravessam diferentes grupos sociais.

A palestra de abertura, “Ostentar para existir: distinção, imaginação e hierarquias no Brasil”, parte das reflexões desenvolvidas em Coisa de Rico para defender que a ostentação não é um comportamento restrito aos muito ricos nem um desvio moral, mas uma engrenagem central na produção das hierarquias sociais no país. “No Brasil, a ostentação não é um comportamento periférico, mas uma linguagem social central para a produção das hierarquias. Diante de um objeto, de uma roupa ou de um estilo de vida, as pessoas calculam quanto aquilo custa e, a partir disso, imaginam quanto alguém tem. Esse processo organiza pertencimentos, fronteiras e desigualdades”, afirma Alcoforado. Segundo o antropólogo, pobres, classe média, novos ricos e elites tradicionais recorrem, cada um à sua maneira, às coisas que exibem para acionar a imaginação dos outros. “Trata-se de um cálculo social contínuo: a partir de objetos, lugares e estilos de vida, constrói-se uma percepção sobre quem ocupa quais posições na hierarquia brasileira”, completa.

Para ampliar os olhares sobre a ostentação, Alcoforado convidou outros pesquisadores para, ao longo do mês de março, refletirem sobre o tema, como o antropólogo Raphael Bispo dos Santos, que discute a relação entre ostentação e inveja e a cientista social Silvia Naidin, que investiga o corpo como um dos principais dispositivos contemporâneos de distinção social.

Ambiente inspirador de troca e aprendizado
O Café Filosófico CPFL está com uma nova identidade visual e artística, incluindo cenário, para acompanhar a renovação do formato, que passa a ter Tainá Müller interagindo com os convidados e a plateia. O espaço do Café, na sede do Instituto CPFL, em Campinas, oferece uma atmosfera convidativa e aconchegante, onde cada detalhe é pensado para proporcionar uma experiência prazerosa. É possível tirar fotos em todos os lugares, incluindo o novo cenário. O local possui climatização e é acessível a pessoas com deficiência, além de contar com intérpretes de Libras para garantir a participação de todos. Há, ainda, um serviço de alimentação com cardápio de comidas e bebidas para consumo no local.

Os encontros do Café Filosófico CPFL são presenciais e gratuitos, com entrada por ordem de chegada, a partir das 18h. A classificação é de 14 anos e a transmissão online é realizada no canal do Café no YouTube. Após a exibição ao vivo, as palestras são editadas e exibidas na TV Cultura.

Confira a programação de março:

  • – 05/03, quinta-feira, 19h: “Ostentar para existir: distinção, imaginação e hierarquias no Brasil”com Michel Alcoforado, antropólogo 
  • – 12/03, quinta-feira, 19h: “Ostentação e inveja: o regime emocional da comparação social”com Raphael Bispo dos Santos, antropólogo 
  • – 26/03, quinta-feira, 19h: “Corpo plástico, investimento e ostentação”com Silvia Naidin, cientista social

Os encontros do Café Filosófico CPFL são presenciais e gratuitos, com entrada por ordem de chegada, a partir das 18h. A classificação é de 14 anos e a transmissão on-line será no canal do Café no YouTube.

Serviço

  • Café Filosófico CPFL, ao vivo, com Michel Alcoforado, antropólogo
  • Quando: 5 de março, quinta-feira, às 19h
  • Onde: Instituto CPFL
  • Rua Jorge Figueiredo Corrêa, 1632 – Chácara Primavera, Campinas/SP
  • Entrada: gratuita, por ordem de chegada, a partir das 18h
  • Participação online: canal do Café no YouTube
  • Informações: institutocpfl.org.br

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