
A CAIXA Cultural Rio de Janeiro recebe, de 3 a 15 de março de 2026 (terça-feira a domingo), a mostra inédita O Encantamento no Cinema de Alice Rohrwacher, que apresenta a obra completa da cineasta italiana. Com curadoria de Raquel Gandra, a programação inclui seis longas-metragens, dois episódios de uma série, um média e oito curtas, além de três clássicos do cinema italiano, que inspiraram a diretora, um curso, um debate e duas sessões comentadas. A mostra tem o patrocínio da CAIXA e do Governo Federal. Todas as atividades são gratuitas.
Na semana do Dia Internacional da Mulher, a retrospectiva oferece ao público carioca a oportunidade de conhecer profundamente o trabalho desta importante e cultuada artista contemporânea, que faz parte de uma safra recente de um cinema europeu mais original e inventivo. Formada em literatura e filosofia na Universidade de Turim, Alice Rohrwacher (Fiesole, Itália, 1981) é um dos nomes mais proeminentes do cinema atual, tendo sido reconhecida no Festival de Cannes com o Grande Prêmio do Júri (As Maravilhas, 2014) e o Prêmio de Melhor Roteiro (Feliz como Lázaro, 2018).
Além desses dois longas-metragens mais conhecidos, alguns dos destaques da mostra são a exibição no cinema de dois episódios da famosa série A Amiga Genial (O Vazio e A Traição), de 2020, dirigidos por Alice; o filme A Quimera (2023), que tem a atriz brasileira Carol Duarte no elenco; e três clássicos italianos que formaram a cineasta – Comícios de amor (1964), de Pier Paolo Pasolini, A classe operária vai para o paraíso (1971), de Elio Petri, e A Lenda do Santo Beberrão (1988), de Ermanno Olmi. Uma curiosidade da programação são os dois curtas-metragens, Uma Alegoria Urbana e Omelia Contadina, codirigidos pelo artista visual JR, que ficou bastante conhecido através do filme Visages Villages, da cineasta francesa Agnès Varda.
O público adolescente poderá se identificar com títulos como Futura (2020) e Corpo Celeste (2011), além de As Maravilhas e Feliz como Lázaro, que apresentam protagonistas que estão passando por um período de transição, quase brutal, da infância ao amadurecimento. Eles mostram um tema recorrente na obra de Rohrwacher – a perda da inocência.
“Descobri o trabalho de Alice Rohrwacher em 2018, quando assisti a Feliz como Lázaro pela primeira vez, e fiquei encantada. Sua sensibilidade e a perspicácia crítica de suas histórias, que entrelaçam habilmente realidade e fantasia por meio de uma abordagem lúdica, iluminam as contradições e complexidades do nosso tempo e de nossos relacionamentos. Admiro profundamente a forma como ela dá voz à rebeldia feminina e a relação de afeto, curiosidade e descoberta que estabelece com a luz e a imagem”, comenta Raquel Gandra.
A cinematografia da realizadora se destaca pelo seu universo delicado e onírico, mas não desprovido das impurezas humanas. Essa dualidade, tensionada por seus contrastes, transparece em outros elementos recorrentes em seus filmes, que navegam entre história e mito, bondade e maldade, rural e urbano, sempre através de uma abordagem poética e intimista.
Em termos técnicos, a diretora preza pelo uso de película e práticas analógicas, sendo a maioria de seus filmes realizados em 16 mm e 35 mm. Mas assim como a relação de suas histórias com o passado não está pautada pela nostalgia nem pela romantização, essa escolha também está a serviço de algo muito mais além do que um mero fetiche estético. Há uma lógica espaço-temporal da criação da imagem feita em película que organiza uma equipe em torno do set. Segunda a diretora: “Como os recursos são limitados, você sabe o que precisa fazer e isso nos mantém alertas. O digital não tem surpresas, não há interpretação da imagem.”
Atividades extras
A mostra promove diversas atividades que incentivam a formação de público. Para participar, basta retirar uma senha a partir de 30 minutos antes do evento.
A curadora Raquel Gandra ministra um curso nos dias 4, 5 e 6/03 (quarta a sexta), às 13h30, abordando o contexto no qual Alice Rohrwacher se insere, suas referências e aspectos de sua cinematografia.
No dia 7 de março (sábado), às 18h15, será realizado o debate “O Encantamento no Cinema de Alice Rohrwacher”, com a participação da curadora Raquel Gandra, da filósofa e artista Juliana Fausto e da cineasta Jô Serfaty, que fará um filme inspirado em As Maravilhas. O debate terá tradução para LIBRAS.
Os filmes A Quimera e Feliz como Lázaro ganham comentários da cineasta Isabel Veiga e do educador e pesquisador Hernani Heffner, após as sessões das 14h30, dos dias 8 e 15 de março (domingos), respectivamente.
A programação da mostra inclui também duas sessões inclusivas, com recursos de acessibilidade (legenda descritiva, audiodescrição e LIBRAS), do filme Feliz como Lázaro, nos dias 7 (sábado, 11h) e 11 (quarta, 17h20) de março.
Programação completa – 3 a 15 de março de 2026 (terça a domingo):
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Serviço:
Mostra O Encantamento no Cinema de Alice Rohrwacher
Local: CAIXA Cultural Rio de Janeiro – Unidade Passeio
Endereço: Rua do Passeio, 38 – Centro (Metrô e VLT: Cinelândia)
Telefone: (21) 3083-2595
Data: de 3 a 15 de março de 2026 (terça-feira a domingo)
Horários e Classificação Indicativa: Consultar a programação
Ingressos: Entrada gratuita com distribuição de senhas 30 min antes do início das sessões e das atividades extras
Lotação: 62 lugares
Bilheteria: terça-feira a sábado, das 13h às 19h. Domingo e feriados, das 13h às 18h.
Acesso para pessoas com deficiências.
Realização: Firula Filmes
Patrocínio: CAIXA e Governo Federal



