
O último projeto concebido por Silvio Tendler antes de sua morte, em 2025, começou a sair do papel na última semana com o início das gravações. Idealizado pelo cineasta, um dos maiores documentaristas do país, o longa MinC: Cultura e Democracia – O fio invisível da memória entra em fase de gravações. A produção é da Caliban Cinema e Conteúdo, produtora criada por ele, e realização do Ministério da Cultura (MinC) por meio da Fundação Casa de Rui Barbosa.
Com argumento original desenvolvido por Tendler ao longo de uma série de encontros e diálogos sobre cultura, democracia e memória institucional, o filme se propõe a registrar e analisar a trajetória do MinC desde sua criação, em 15 de março de 1985, até sua retomada recente, posicionando a pasta como peça estruturante de um projeto democrático de Estado. A narrativa parte da premissa de que o Ministério nasce diretamente ligado ao processo de redemocratização brasileira e à construção de uma nação plural.
Para a ministra da Cultura, Margareth Menezes, o documentário reafirma a importância da memória institucional e do papel estratégico da cultura para o país, concebido por um cineasta que dedicou sua obra à reflexão sobre o Brasil.
“Silvio Tendler foi um dos grandes narradores da nossa história recente. Sua obra sempre colocou a cultura, a memória e a democracia no centro do debate público. Este documentário carrega esse legado e reafirma que a cultura é parte essencial da democracia brasileira. Registrar essa trajetória é também preservar a memória das políticas públicas que garantem diversidade, participação social e acesso à cultura para toda a população.”
O secretário-executivo do MinC destaca que a produção reforça o compromisso da Pasta com o fortalecimento da cultura como política pública estruturante. “O documentário amplia a compreensão do papel estratégico da cultura e a importância das instituições públicas na garantia dos direitos culturais”, reforça Márcio Tavares.
“Este filme representa uma significativa homenagem à trajetória do Ministério da Cultura, bem como um reconhecimento e demonstração de gratidão ao legado do cineasta Silvio Tendler. Assim como em sua obra cinematográfica, o filme busca, a partir de um personagem, seja uma pessoa ou uma instituição, refletir sobre a memória e a história do Brasil. A história do Ministério da Cultura, por sua vez, está intrinsecamente ligada ao processo de construção da democracia no país, com seus impasses e contradições. A trajetória do MinC é, assim, um mote para desenvolver e refletir sobre a história brasileira nas últimas quatro décadas”, explicou o presidente da Fundação Casa de Rui Barbosa, Alexandre Santini.
Segundo a produtora Ana Rosa Tendler, o cineasta acompanhou de perto as etapas iniciais de concepção do projeto, contribuindo ativamente para sua formulação e consolidação institucional, mesmo em um período de saúde delicada. “Esse projeto carrega diretamente o legado do meu pai. O argumento foi desenvolvido por ele ao longo de muitos encontros e reflexões. Ele acompanhou cada etapa com enorme dedicação e estava profundamente comprometido com o filme. Este documentário é também uma obra que ele deixa como herança para a cultura brasileira”, afirmou.
A assinatura de Tendler confere ao documentário um peso histórico e simbólico, pois foi pensado por um cineasta que dedicou a carreira a refletir sobre a memória política e identidade nacional. O longa se apresenta como uma obra de memória e reflexão crítica sobre o papel da cultura na democracia brasileira, tema central de sua filmografia e que agora também marca seu último projeto concebido.



