
Varῖ Mëma, antropóloga e indígena, não é mais considerada uma verdadeira Marubo. Na universidade, é alguém “de fora”. Delvair Montagner, antropóloga que presencia seu nascimento nos anos 1970, tenta reconectar-se com ela e com uma Amazônia que já não existe mais.
Este é o mote de O Vento Vai Reagir, longa-metragem inédito por Delvair Montagner e Marcelo Díaz. Recentemente, o filme terminou sua pós-produção e tem previsão de lançamento para o segundo semestre deste ano. O filme ganhou o prêmio Albatros Post no 10° Encuentro Internacional de Industria Documental Conecta, no Chile. Também foi contemplado com cinco prêmios no SAPCINE (Colômbia).
Também conhecida como Nelly Marubo (45), Varῖ nasceu na Aldeia São Sebastião, no vale do Javari, Amazonas. “O nome ‘Nelly’ foi sugerido pelo cartório de registro e que uso como uma camisa apertada. Eu não consigo me identificar com esse nome”, avalia Varῖ, durante a narração que abre o filme. Quando criança, foi estudar na cidade. Depois, cursou Bacharelado em Antropologia na Universidade Federal do Amazonas e mestrado em Antropologia Social do Museu Nacional/UFRJ.
Na capital carioca, Varῖ reencontrou Delvair Montagner, antropóloga e documentarista octogenária que atua com o povo Marubo há mais de 50 anos. Delvair é reconhecida por seus inúmeros relatórios, artigos, livros e fotografias com temática indígena e seus mais de 40 documentários. Radicada em Brasília há mais de 50 anos, Delvair é natural de São Gabriel (RS).
Durante uma de suas visitas ao povo Marubo nos anos 1970, conheceu a pequena Varῖ e sua família. O elo de contato na aldeia foi o pai, César. Nos anos 1980, Delvair ajudou a identificar o Vale do Javari região como Terra Indígena, o que levou a sua demarcação décadas mais tarde.
“O longa-metragem narra a reunião de duas antropólogas de identidades distintas, unidas pela cultura indígena Marubo. Além de protagonizarem o filme, Delvair atua como diretora e roteirista (funções divididas com Marcelo Díaz), enquanto Varῖ também colabora com o roteiro. Em 2023, viajam à aldeia de Varῖ, a dois dias de barco de Atalaia do Norte, e encontram uma Amazônia degradada, especialmente em termos culturais.
Delvair relembra a reação que teve ao chegar na aldeia à época: “me senti estranha, pois aparentemente os hábitos culturais, que me eram tão familiares, pareciam não ser mais os mesmos”. As malocas que eram ocupadas por várias famílias nucleares apresentavam um esvaziamento causado pelo deslocamento para os centros urbanos. “A modernidade, a tecnologia, melhores oportunidades educacionais e mudanças climáticas, desencadearam essas alterações”, resume.
“Com essa experiência, o filme passa a ser uma certa crítica e, principalmente, uma mistura entre o passado dos documentários da Delvair, da pesquisa da Varῖ e das experiências de ambas, em contraponto ao presente – o momento dos povos dessa região”, explica o cineasta brasiliense Marcelo Díaz, que também assina a produção executiva. “Gerações muito diferentes, vivências muito diferentes, mas conectadas pela cultura e pela vontade de trabalhar na preservação dessa cultura”, complementa.
Varῖ, por sua vez, descreve O Vento Vai Reagir como uma obra “sensível e reflexiva, marcada por uma atmosfera contemplativa que convida à introspecção”. Ela destaca as emoções sutis, os silêncios, memórias e transformações internas que evocam os sentimentos despertados pelo filme. “Ao final, fica uma sensação de leve inquietação, como se o vento simbolizasse mudanças inevitáveis que preciso aprender a aceitar”, analisa.
O Vento Vai Reagir tem o patrocínio do FAC (Fundo de Apoio à Cultura do DF, Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal – SECEC-DF). O longa-metragem tem produção da Diazul de Cinema. Site oficial: oventovaireagir.com.br
Ficha Técnica
Título: O Vento Vai Reagir (The Wind Will Blow / El Viento Vendrá / Le vent se lèvera)
Produtora: Diazul de Cinema
Ano: 2026
Duração: 98 min
Idiomas: Português e Marubo
Legendas: Inglês, Espanhol, Francês
Créditos
Produção: Diazul de Cinema
Com: Varῖ Mëma e Delvair Montagner
Direção: Delvair Montagner e Marcelo Díaz
Produção Executiva: Marcelo Díaz
Roteiro: Delvair Montagner e Marcelo Díaz
Colaboradora de Roteiro: Varῖ Mëma
Coord. de Produção: Thay Limeira
Dir. de Fotografia: André Carvalheira
Técnico de Som: Fábio Carneiro Leão, Hudson Vasconcelos
Edição: Sérgio Azevedo
Produção de Impacto: Diazul de Cinema
Desenho de Som e Trilha Sonora: O Grivo
Criação Gráfica: Estúdio Girundi
Motion Graphics: Renata Rico
Animação (abertura): Bruno Rojas
Sobre Diazul de Cinema | Produtora
Produtora brasiliense fundada em 2005, reconhecida por obras que mesclam forte identidade artística e impacto social. Criamos conteúdos para cinema, TV e streaming a partir de um olhar multicultural do coração do Brasil.
Ao final de 2020 lançamos nos cinemas o longa “Maria Luiza”, com a 1a trans das Forças Armadas brasileiras, tendo estado 4 semanas em cartaz e em mais de 15 plataformas nacionais e internacionais e canais de TV. O filme estreou no É TUDO VERDADE e percorreu diversos festivais na França, Holanda, México, Argentina, EUA, Suíça, Colômbia, Peru, Áustria, Sérvia, Brasil, foi premiado como Melhor Documentário Internacional no Humano Human Rights Film Festival/México, Menção Honrosa no LIFFY (Yale/EUA) e Melhor Documentário no Merlinka Queer FF (Sérvia). A obra foi também reconhecida como caso de estudo de impacto através do cinema.
Realizamos os os documentários Terra de Luz (2016); Restrutural (2014); Galeno, Curumim Arteiro (2009, DOCTV); Oficina Perdiz (2006, Melhor Curta do DF no Fest de Brasília, Prêmio Público no Fest de Curtas de SP; mais de 30 festivais como Havana, Milão, Sydney Latin American, Brazilian FF Miami, Brazilian FF Toronto e Gramado), De Esperança e Espera (2003)
Em ficção produzimos o curta Extrusos (2004), co-produzimos o curta Desdobráveis (2013) (Melhor Roteiro no CineMube/SP, exibido em festivais na Argentina, Colômbia, Chile, México, Brasil, EUA, Espanha) e o filme-espetáculo Aquilo que Não Podem Demolir Enquanto Eu Puder Falar (2020) com a Cia. Teatro do Concreto (Festival Cena Contemporânea 2020).



