Matthew Perry Caricatura (Imagem: ChatGPT/ Prompt: Tiago Di Tullio Freitas)

A Justiça dos Estados Unidos condenou, nesta quarta-feira (8), Jasveen Sangha a 15 anos de prisão pelo papel na morte do ator Matthew Perry, astro de Friends. Segundo a acusação federal, a “Rainha da cetamina” integrou a rede que abasteceu o ator com a medicação fora do ambiente médico e se declarou culpada por crimes ligados à distribuição de drogas, incluindo o fornecimento da dose fatal. A sentença foi proferida em Los Angeles, onde o caso se transformou em um dos mais comentados desdobramentos criminais recentes envolvendo Hollywood.

Matthew Perry morreu em 28 de outubro de 2023, aos 54 anos, após ser encontrado inconsciente na jacuzzi de casa, em Pacific Palisades, bairro nobre de Los Angeles. Em dezembro daquele ano, o Departamento Médico Legal do condado concluiu que a causa foi os efeitos agudos da cetamina, com fatores contribuintes como afogamento, doença arterial coronariana e efeitos da buprenorfina.

A despedida veio poucos dias depois da morte, em 3 de novembro, no Forest Lawn Memorial Park de Hollywood Hills, em Los Angeles, próximo aos estúdios da Warner Bros e marcou o primeiro grande momento público de comoção em torno do ator, que por décadas foi um dos rostos mais populares da TV americana. O enterro foi acompanhado por familiares e colegas de elenco de Friends.

Relembre o caso
A investigação avançou ao mostrar que Perry fazia tratamento legal com infusões de cetamina para depressão e ansiedade, mas passou a buscar novas doses por fora quando médicos se recusaram a aumentar a quantidade aplicada. De acordo com o Departamento de Justiça e com a Reuters, Jasveen Sangha vendeu cetamina a Erik Fleming, que a repassou ao assistente pessoal do ator, Kenneth Iwamasa. Iwamasa admitiu ter aplicado injeções em Perry, inclusive no dia em que ele morreu.

O caso veio a público de forma mais ampla em agosto de 2024, quando autoridades federais anunciaram acusações contra cinco pessoas. Entre os réus estavam dois médicos, o assistente do ator, um intermediário e Sangha, descrita pelos promotores como operadora de um esquema de tráfico que atendia clientes de alto padrão a partir de North Hollywood. A acusação também sustentou que ela tentou apagar rastros da operação após a morte de Perry.

Desde então, a apuração foi revelando uma engrenagem desconfortável, com profissionais de saúde, atravessadores e traficantes orbitando um ator famoso, vulnerável e com histórico público de dependência. A própria sentença desta quarta reforçou tal entendimento. Segundo os promotores, Sangha continuou envolvida com tráfico mesmo depois de saber que sua droga havia sido associada a mortes, incluindo outro caso fatal em 2019.

Outros envolvidos no processo já tiveram seus destinos definidos ou seguem aguardando decisão judicial. O médico Salvador Plasencia foi condenado, em dezembro de 2025, a dois anos e meio de prisão federal por distribuir cetamina a Perry. Já o médico Mark Chavez fechou acordo judicial e recebeu pena que incluiu liberdade condicional e detenção domiciliar. Kenneth Iwamasa, assistente do ator, ainda aguarda sentença, atualmente prevista para 10 de junho de 2026, segundo reportagens publicadas nesta quarta-feira.

A morte de Perry também recolocou em evidência uma parte da vida que ele jamais escondeu. Ao longo dos anos, o ator falou abertamente sobre alcoolismo, uso de analgésicos e sucessivas passagens por clínicas de reabilitação. Na autobiografia “Amigos, Amores e Aquela Coisa Terrível” (Friends, Lovers, and the Big Terrible Thing), lançada em 2022, ele retomou essa trajetória de recaídas, tratamentos e tentativas de sobriedade, algo que o acompanhou mesmo durante os períodos de maior fama.

Na carreira, Perry ficou eternizado como Chandler Bing em Friends, série exibida entre 1994 e 2004 e que o transformou em um fenômeno global de popularidade. No cinema, também ganhou destaque em títulos como Meu Vizinho Mafioso (The Whole Nine Yards), De Caso com o Acaso (Fools Rush In) e 17 Outra Vez (17 Again). Na televisão, esteve ainda em projetos como Studio 60 on the Sunset Strip, ampliando a imagem de um ator associado tanto à comédia de timing afiado quanto a produções dramáticas e autorais.

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