O documentário brasileiro Teko Porã: Retrato Atual da Vida Cotidiana na Aldeia Guarani Rio Silveira, dirigido pela jornalista Luciana Alves e codirigido por Adolfo Timotio, conquistou uma seleção oficial para o Red Nation International Film Festival & Awards (RNIFF), em Los Angeles, nos Estados Unidos. Realizado anualmente em novembro desde 1995, o evento é considerado o maior festival de cinema nativo e indígena do mundo fundado nos Estados Unidos.

A produção ganha uma sessão especial na terça-feira, 10 de novembro, às 18h10 (horário local), no cinema AMC The Grove 14, em Los Angeles. A exibição contará com a presença da diretora Luciana Alves, do diretor de fotografia Claudio Alves e da produtora Mariana Alves, que também participam de um bate-papo com o público após a sessão.

A seleção coloca o filme na mesma vitrine que já teve entre seus selecionados Yanuni, documentário protagonizado pela liderança indígena Juma Xipaia que integrou a shortlist do Oscar 2026 de Melhor Documentário Longa-Metragem, venceu múltiplos prêmios em festivais internacionais e acumula milhões de visualizações online.

“Ver o Teko Porã selecionado para um festival que já exibiu o Yanuni foi uma grata surpresa e uma inspiração enorme. É a prova de que as histórias dos povos originários estão sendo ouvidas no mundo inteiro, e de que uma aldeia a menos de três horas de São Paulo também tem muito a dizer”, afirma Luciana Alves.

‘Teko Porã’ é selecionado para o Red Nation International Film Festival, em Los Angeles (Crédito da imagem: Divulgação)

Uma trajetória internacional
Antes da seleção nos Estados Unidos, Teko Porã foi premiado na 15ª edição do Berlin Women Cinema Festival, em Berlim, na Alemanha, festival qualificatório para o IMDb. “A conquista reforça o interesse cada vez maior pelas narrativas dos povos originários e pela potência do cinema indígena, levando para outros países histórias, culturas e modos de vida diferentes, que precisam ser vistos, respeitados e valorizados”, declarou a diretora na ocasião do prêmio.

No Brasil, o lançamento oficial ocorreu em 29 de abril, na Sala de Cinema São Paulo – Minas, no Complexo Fepasa, em Jundiaí, com entrada gratuita. Antes, em 17 de abril, o filme teve uma sessão especial na própria Aldeia Rio Silveira, dentro da Semana dos Povos Indígenas, marcada pelo reencontro da comunidade com sua própria imagem na tela.

Um mergulho na aldeia
Com 1 hora e 20 minutos de duração, o longa retrata o cotidiano, a espiritualidade, os rituais, os saberes ancestrais e os desafios do povo Guarani Mbya na Aldeia Rio Silveira, localizada na Terra Indígena Ribeirão Silveira, entre São Sebastião e Bertioga, no litoral norte de São Paulo. Acompanhar uma família no preparo da comida, assistir ao Ano Novo Guarani, ouvir os cantos sagrados e ver crianças subindo descalças nas árvores: é essa a experiência que o documentário propõe ao espectador.

Gastronomia, celebrações, espiritualidade e a riqueza da Mata Atlântica dividem espaço com os desafios enfrentados pela comunidade, como a pressão da cultura não indígena, a dependência do dinheiro, a especulação imobiliária e a luta permanente por visibilidade e respeito.

A Rio Silveira integra o território Terras do Rio Silveira, com cinco aldeias, próximo à Riviera de São Lourenço, mas permanece pouco conhecida até por quem vive ou veraneia na região. “Muitas pessoas viam nas mídias sociais o que a gente compartilhava e achavam que estávamos no Xingu, na Amazônia”, conta Luciana. “Não, eu estou gravando aqui, no litoral de São Paulo, duas horas e meia da minha casa.”

Construído junto com a comunidade
Ao longo de mais de um ano, a equipe realizou cerca de 20 diárias de gravação na aldeia, respeitando o ritmo próprio da comunidade e construindo a confiança aos poucos. O filme não tem locução: a escolha foi dar protagonismo e ampliar a voz dos próprios Guarani. Todas as músicas da trilha foram gravadas na aldeia e executadas pelos indígenas, ao lado dos sons do cotidiano, da floresta, até ao som do carro do gás, visita frequente na aldeia.

O filme não idealiza a vida na aldeia: entre a escola, o celular e a venda de artesanato, principal fonte de renda, os Guarani Mbya cultivam sua língua, sua espiritualidade e seus rituais. Uma das imagens emblemáticas mostra um guarani com o cachimbo, parte de sua conexão espiritual, em uma mão, e o celular na outra. O encerramento, com uma frase do próprio cacique, resume a urgência da questão indígena: território é muito mais do que terra, é sobrevivência.

A força visual é outro destaque, com imagens aéreas da mata e do litoral norte paulista combinadas a um olhar atento aos detalhes. “A preocupação não era captar só imagens bonitas. Queríamos registrar a alma daquele lugar”, afirma o diretor de fotografia Claudio Alves.

Teko Porã foi realizado com apoio do Programa de Ação Cultural (ProAC), da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativa do Estado de São Paulo, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) e do Sistema Nacional de Cultura do Ministério da Cultura (MinC).

Serviço
Filme: Teko Porã — Retrato Atual da Vida Cotidiana na Aldeia Guarani Rio Silveira
Duração: 1h20
Direção: Luciana Alves  |  Codireção: Cacique Adolfo Timotio
Produção: Speed Comunica (@speedcomunica)
Festival: Red Nation International Film Festival & Awards (RNIFF), Los Angeles (EUA)
Sessão: Terça-feira, 10 de novembro, 18h10 (horário local), com bate-papo com a diretora após a exibição
Local: AMC The Grove 14 – 189 The Grove Dr, Los Angeles, CA
Redes sociais: @tekoporadocumentario (Instagram e YouTube)

Ficha técnica
Direção e roteiro: Luciana Alves
Codireção: Cacique Adolfo Timotio
Produção executiva: Luciana Alves
Produção: Mariana Alves
Pesquisa: Andre Pereira e Mariana Alves
Produção local: Marina Fernandes Timotio e Marcio Fernandes Timotio
Assistentes de produção: Ariel Lobo e Maria Luiza Silva Espírito Santo
Direção de fotografia: Claudio Alves
Montagem, motion graphics e DCP: Ariel Lobo
Edição de texto: Mariana Alves
Operação de câmera: Claudio Alves, Rafael Ramiro e Raphael Gomes
Câmera adicional: Luciana Alves, Sariel e Marina Timotio
Drone: Raphael Gomes
Fotografia / assistente técnico: Bruno Cavalcanti
Colorista: Larissa Abrunhosa
Som direto e mixagem: Cesar Antunha
Edição de som: Cesar Antunha e Ariel Lobo
Legendas: Andre Pereira
Audiodescrição: Audeostudio; roteiro e narração de Raimundo Deodato
Libras: Educalibras
Consultoria cultural indígena: Adolfo Timotio e Andre Pereira
Tradução (guarani – português): Marisa Fernandes Timotio e Marcinho Mirim Dju Fernandes Timotio
Social media: Julia Canineo
Design gráfico: Carolina Lima, Joab Linhares e Maria Luiza Espírito Santo

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