‘Feito Pipa’ de Allan Deberton, filme selecionado para concorrer a uma indicação ao Oscar e vencedor de prêmios internacionais em Veneza e Berlim (Crédito da imagem: Divulgação)

A programação do CineSesc entre 5 e 11 de novembro reúne três estreias, uma sessão especial do Cineclubinho em comemoração aos seus 15 anos e duas exibições gratuitas dedicadas ao cinema brasileiro. Entre os destaques está Vicentina Pede Desculpas, novo longa-metragem de Gabriel Martins, A Terra do Meu Pai, de Paweł Pawlikowski, e Feito Pipa, de Allan Deberton, além da abertura do Festival Internacional Mulheres no Cinema (FIM) e de uma sessão comemorativa dos 80 anos do Sesc e da Cinemateca Brasileira.

Em Vicentina Pede Desculpas, Gabriel Martins, diretor de Marte Um, acompanha uma mulher de 75 anos diante das consequências de um acidente de ônibus que vitimou seu filho, Wesley, motorista do veículo, e os demais passageiros. Depois que imagens de segurança levantam suspeitas de que o acidente tenha sido intencional, Vicentina decide procurar as famílias das vítimas para pedir desculpas. Interpretada em uma história marcada pelo luto, pela culpa e pela busca por respostas, a personagem percorre um caminho em que nem sempre encontra o que procura. O filme foi exibido nos festivais de Toronto e San Sebastián.

Outra estreia é A Terra do Meu Pai, de Paweł Pawlikowski, cineasta de Ida e Guerra Fria. Ambientado no verão de 1949, no contexto do final da Segunda Guerra Mundial, o filme acompanha uma viagem de carro pela Alemanha dividida após a derrota nazista, protagonizada pelo escritor Thomas Mann, vencedor do Nobel de Literatura, e sua filha Erika, atriz, escritora e piloto de rali. Após 16 anos de exílio nos Estados Unidos, pai e filha atravessam territórios sob influência americana e soviética, confrontando as ruínas de um país e as tensões de uma relação familiar marcada por feridas do passado.

Já Feito Pipa, de Allan Deberton, apresenta a história de Gugu, um menino prestes a completar 12 anos, que vive com a avó Dilma, professora aposentada, às margens de uma barragem que, depois de anos de seca, começa a revelar as ruínas de uma antiga cidade submersa. Enquanto lida com a relação difícil com o pai, o garoto acompanha o reaparecimento de lembranças que marcaram a trajetória da família. O longa foi premiado com o Urso de Cristal e o Grande Prêmio do Júri Internacional na mostra Generation Kplus do Festival de Berlim e foi o escolhido para representar o Brasil na disputa por uma indicação ao Oscar de Melhor Filme Internacional.

FIM abre programação com documentário de Carla Camurati
A programação especial da semana também recebe a abertura do Festival Internacional Mulheres no Cinema (FIMCine), com a exibição gratuita de Raízes do Sagrado Feminino, novo documentário de Carla Camurati. O filme investiga como as escrituras das cinco maiores religiões do mundo contribuíram para construir e perpetuar determinados lugares sociais destinados às mulheres. Em diálogo com debates contemporâneos sobre igualdade de gênero, direitos das mulheres e liberdade religiosa, a produção propõe uma reflexão sobre as relações entre religião, cultura e representação feminina ao longo da história. A sessão de abertura acontece na segunda-feira, 9 de novembro, com entrada gratuita e retirada de ingressos uma hora antes.

Sesc e Cinemateca Brasileira: 80 anos exibe Garotas do ABC, de Carlos Reichenbach

Cena de ‘Garotas do ABC” de Carlos Reichenbach. Imagem: Divulgação

Na terça-feira, 10 de novembro, o CineSesc recebe uma sessão especial em comemoração aos 80 anos do Sesc e da Cinemateca Brasileira, com a exibição gratuita de Garotas do ABC (2003), de Carlos Reichenbach. Ambientado em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, o filme acompanha um grupo de operárias de fábricas têxteis e metalúrgicas, com destaque para Aurélia, mulher negra que se envolve com Fábio, um jovem ligado a um grupo neonazista responsável por ataques contra negros e nordestinos. Ao articular cotidiano operário, desejo, racismo e violência política, Reichenbach constrói um retrato das contradições sociais brasileiras em uma narrativa que mantém o foco nas histórias das mulheres apresentadas. A entrada é gratuita, com retirada de ingressos uma hora antes.

Cineclubinho celebra 15 anos com sessão em 35mm e dublagem ao vivo

‘O Balão Vermelho’ de Albert Lamorisse. Imagem: Divulgação

No domingo, 8 de novembro, o Cineclubinho comemora seus 15 anos com uma sessão especial em película 35mm e dublagem ao vivo de dois clássicos do cineasta francês Albert Lamorisse: O Balão Vermelho (1956) e O Cavalo Branco (1953). Em O Balão Vermelho, um menino encontra um balão que passa a acompanhá-lo pelas ruas de Paris, estabelecendo com o objeto uma relação de amizade e cumplicidade. Já O Cavalo Branco acompanha um garoto pescador e seu companheiro de aventuras, um cavalo selvagem, pelas paisagens naturais da região de Camargue, no sul da França. Antes da sessão, o público pode se divertir com a intervenção Traquitanas Sonoras, que explora a construção de sons e música através de diferentes instrumentos: uma minifloresta de auto-falantes, um theremin acionado por luz, noise boxes, caixas misteriosas e outros objetos que convidam à exploração livre dos sons.

Confira a programação completa e demais informações em sescsp.org.br

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