(Crédito da imagem: Divulgação)

Algumas vozes conseguem fazer mais do que identificar um personagem: elas se transformam em memória afetiva. É o caso de Peppino Mazzullo, ator e dublador italiano que ficou conhecido mundialmente como a voz de Topo Gigio. Ele morreu nesta quarta-feira (30), aos 100 anos, em sua casa, em Santo Stefano di Briga, na região de Messina, na Itália.

Mazzullo havia completado um século de vida em 6 de junho de 2026. A causa da morte não foi divulgada. Sua trajetória, porém, ficou para sempre ligada ao pequeno ratinho criado por Maria Perego, personagem que ele interpretou vocalmente durante impressionantes 45 anos, entre 1961 e 2006.

E se existe uma frase capaz de fazer uma geração inteira reconhecer imediatamente aquela voz, é: “Ma cosa mi dici mai?”
O bordão foi criado pelo próprio Mazzullo e se tornou uma das marcas registradas de Topo Gigio.

A história de Peppino Mazzullo tem um capítulo especialmente importante para os brasileiros.
Topo Gigio chegou à televisão brasileira em 1969, no programa Mister Show, da TV Globo, apresentado por Agildo Ribeiro. E havia uma curiosidade que hoje torna essa passagem ainda mais especial: Mazzullo não falava português.

Segundo o Memória Globo, o ator decorava apenas a sonoridade das palavras para conseguir interpretar as falas do personagem. Os diálogos eram adaptados para o público brasileiro por Agildo Ribeiro e Mauro Borja Lopes, o Borjalo.

A química entre Agildo e o ratinho conquistou o público. Topo Gigio se tornou uma das principais atrações de Mister Show e, posteriormente, ganhou seu próprio programa, Topo Gigio Especial.

Mazzullo também participou das gravações do disco brasileiro de Topo Gigio, lançado pela Philips em 1969. O álbum registra oficialmente o italiano como a voz do personagem e inclui, entre outras faixas, “Meu Limão, Meu Limoeiro” e “Diálogo de Boa Noite”, esta última com participação de Agildo Ribeiro.

Para quem cresceu naquela época, Topo Gigio não era simplesmente um boneco italiano que aparecia na televisão. Era companhia. Era infância. Era hora de dormir. E aquela voz, com seu sotaque tão particular, ajudou a transformar o personagem em uma lembrança que atravessou décadas.

Peppino Mazzullo deixa uma trajetória de um século, mas seu legado pode ser ouvido sempre que Topo Gigio volta à tela.

Para os italianos, ele foi a voz de um dos personagens infantis mais populares do país. Para muitos brasileiros, foi também a voz de um ratinho que entrou nas casas pela televisão e ficou guardado em algum lugar muito particular da infância.

A voz que apresentou Topo Gigio a tantas gerações nunca será substituída na memória de quem a ouviu pela primeira vez.

Bom mesmo é aquilo que nos diverte — e isso, para o Filmes Com Batata, é cinema, televisão e memória afetiva em sua melhor forma. 🐭

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