A voz do povo Sateré-Mawé ganha destaque em documentário produzido no âmbito das iniciativas da PUC-Rio voltadas à valorização dos povos originários, à preservação dos biomas e à salvaguarda de saberes ancestrais. A produção evidencia a importância da escuta ativa das lideranças da Terra Indígena Andirá-Marau, localizada no município de Maués, no Amazonas, e aborda questões relacionadas aos direitos dos povos indígenas, à valorização de seus conhecimentos tradicionais e à relação com o território.
A iniciativa integra a atuação da PUC-Rio em uma perspectiva de universidade a serviço da sociedade, princípio que ganha relevância diante das novas regras estabelecidas pelo Ministério da Educação (MEC) para o enquadramento das instituições como universidades comunitárias. Entre os aspectos considerados está a prestação de serviços à sociedade, um dos pilares da instituição.
Nesse contexto, a atuação da Universidade junto ao povo Sateré-Mawé, na Terra Indígena Andirá-Marau, reúne ações em áreas como saúde, educação, justiça, sustentabilidade e empreendedorismo. O trabalho busca aproximar a universidade das demandas e dos conhecimentos presentes no território e valorizar a participação das comunidades na construção das iniciativas.
Entre as ações desenvolvidas estão atividades voltadas à identificação dos grandes temas considerados relevantes para a comunidade, como um jogo criado para captar essas questões, além de oficinas de ilustração, desenho e pintura. Na área de práticas educacionais, também há a participação da Associação de Professores Indígenas Sateré-Mawé.
Outra iniciativa é o Varal dos Sonhos, voltado à preservação de uma herança cultural e a uma questão central para o trabalho desenvolvido no território: como fazer com que as juventudes se reconheçam como parte dele.
A dimensão desse desafio pode ser observada pelos números que caracterizam a comunidade: são cerca de 29 mil pessoas, o que faz deles a 13ª etnia mais populosa. Nesse cenário, iniciativas que valorizam a identidade, os conhecimentos e as perspectivas dos povos originários ganham papel importante na construção de novas formas de relação entre universidade e sociedade.
O documentário integra o conjunto de iniciativas desenvolvidas pela PUC-Rio, por meio da Vice-Reitoria de Extensão e Estratégia Pedagógica (VREEP), relacionadas à Amazônia e aos povos originários. A produção também esteve entre os trabalhos apresentados pela universidade no contexto da COP30, ao lado do documentário Padre Gallo, que aborda ações realizadas no Marajó, como oficinas de escaneamento e impressão 3D para o acervo de um museu, atividades de empreendedorismo para mulheres e iniciativas vinculadas à Cátedra UNESCO de Leitura.
A iniciativa está relacionada ao Amazonizar PUC-Rio, projeto idealizado pelo reitor da universidade, Padre Anderson Pedroso S.J., que expressa o compromisso da instituição com a Amazônia e tem como inspiração a encíclica Laudato Si’. A proposta parte da compreensão de que as questões sociais e ambientais estão interligadas e de que a universidade pode assumir um papel de transformação socioambiental.
Ao colocar em evidência as perspectivas do povo Sateré-Mawé, o documentário reforça a importância de ouvir os povos originários, preservar uma herança cultural e reconhecer seus saberes e sua relação com a terra para além de uma perspectiva exclusivamente econômica.



