Cena de ‘Polyester’, de John Waters (Foto: Reprodução/ Divulgação)

online, para todo o Brasil, pela plataforma Sesc Digital. A edição reúne 52filmes, entre clássicos e inéditos, organizados em dois eixos: Filmes sobre Cinema, dedicado aos bastidores da produção audiovisual e à cultura cinematográfica; e Filmes de Ruptura, que reúne obras que desafiaram convenções e exploraram novas possibilidades narrativas e estéticas. A programação inclui ainda o tradicional CineClubinho, a Sessão Comentada – Pornochanchada, com participação de Fernanda Pessoa, e algumas sessões especiais apresentadas.

A edição 2026 da Mostra coloca em diálogo diferentes gerações, linguagens e perspectivas do audiovisual. “Desde a primeira edição, em 2023, a curadoria investiga como os filmes refletem a própria linguagem cinematográfica, seja ao abordar o cinema como tema, seja ao romper convenções narrativas e estéticas. Nesta edição, ampliamos esse olhar para obras que desafiam formatos e perspectivas, entendendo que, se há amor ao cinema, é porque os filmes atravessam pessoas. Transgredir também é uma forma de preservar”, observa a equipe de curadores.

O evento abre no dia 9 de setembro, às 20h, no CineSesc, com A História dos Documentários: Introdução de Mark Cousins, exibido com grande repercussão em Cannes e inédito no Brasil.  O diretor, conhecido por obras como A História do Cinema: Uma Nova Geração, também presente na programação da mostra, traça um amplo panorama da evolução do cinema documental, revisitando filmes fundamentais e resgatando obras pouco conhecidas. Ao longo do percurso, Cousins revela como o documentário se consolidou como uma importante ferramenta para observar, interpretar e compreender o mundo em que vivemos. A sessão é gratuita, com retirada de ingressos uma hora antes, sujeita à lotação.

No eixo Filmes sobre Cinema, a seleção reúne produções metalinguísticas que exploram a própria linguagem audiovisual para criar possibilidades narrativas ou questionar convenções estabelecidas. Entre os destaques estão Arquivo Vivo, de Vincent Carelli e Ana Carvalho; Os Diários de Ozu, de Daniel Raim; Filmar ou Morrer, de Lúcia Nagib; Para Vigo Me Voy, de Lírio Ferreira e Karen Harley; Milton Gonçalves, Além do Espetáculo, de Luiz Antonio Pilar; Cinéma Laika, de Veljko Vidak;  e A Negação do Brasil de Joel Zito Araújo.

No campo da ficção, o recorte apresenta diferentes maneiras de pensar o cinema por dentro, a partir de personagens, processos e dispositivos. É o caso de  Ladrões de Cinema, de Fernando Coni Campos, abordagem metalinguística e inventiva sobre o próprio fazer cinematográfico; Na Teia da Aranha, de Kim Jee-woon, que mergulha no caos de uma produção audiovisual; Amador, de Krzysztof Kieslowski.

Completam a seleção  A Noite Já Está Partindo, de Ramiro Sonzini e Ezequiel Salinas, que acompanha a vida de um projecionista que transforma um cineclube em casa; Cinema, Aspirinas e Urubus, de Marcelo Gomes, Primavera para Hitler, de Mel Brooks; Morte e Vida Madalena, de Guto Parente; The Watermelon Woman, de Cheryl Dunye; A Divina Comédia, de Ali AsgariWhite Snow, de  Praveen Morchhale; e Blow-Up – Depois Daquele Beijo, de Michelangelo Antonioni.

Já no eixo Filmes de Ruptura, o evento traz obras que, em diferentes momentos e contextos, desafiaram convenções narrativas, estéticas e sociais. Entre os destaques estão o surrealismo de Niki de Saint Phalle, em Um Sonho Mais Longo Que a Noite, e de Luis Buñuel, em Um Cão Andaluz e A Idade do Ouro, o registro político de Primárias, de Robert Drew; e a experimentação de Claire Denis em Desejo e Obsessãoe o marco do cinema africano A Garota Negra, de Ousmane Sembène.

O público verá clássicos que tensionam os limites da linguagem cinematográfica, como Quando Fala o Coração, de Alfred Hitchcock, Metrópolis, de Fritz Lang, e O Encouraçado Potemkinde Sergei Eisenstein, que será exibido em dois momentos, o primeiro, com a ambientação musical, inédita no Brasil, criada pela dupla britânica de synth-pop Pet Shop Boys, e o segundo com trilha sonora de 1976, desenvolvida com trechos das sinfonias de Dimitri Shostakovich. Completam o recorte títulos como Eles Vivem, de John Carpenter, que transforma a ficção científica em crítica ao consumismo; As Pequenas Margaridas, de Věra Chytilová; A Mulher Sem Cabeça, de Lucrecia Martel; e Uma Mulher Sob Influência, de John Cassavetes.

O cinema brasileiro também ocupa lugar de destaque na seleção Filmes de Ruptura, com títulos que romperam padrões formais e abordaram questões de identidade, sociedade e representaçãoAlma no Olhode Zózimo Bulbul, articula corpo e mímica para refletir sobre corporalidade e (r)existências negras no Brasil; e Limite de Mario Peixotoconstrói uma narrativa marcada por flashbacks e pela fragmentação das histórias de três personagens à deriva.

O evento ainda presta uma homenagem ao aclamado cineasta underground norte-americano John Waters com a exibição de Polyester. A sessão reproduz a experiência criada para o lançamento original do filme, onde o público recebe uma cartela Odorama — semelhante a uma raspadinha — e é convidado a sentir diferentes aromas nos momentos indicados durante a projeção, proporcionando uma experiência sensorial única e divertida.

A quarta edição também homenageia o diretor Fernando Coni Campos com a exibição de Ladrões de Cinema, obra considerada uma das mais originais da cinematografia nacional por sua abordagem metalinguística e inventiva sobre o próprio fazer cinematográfico e do documentário Fernando Coni Campos: Cada Um Vive Como Sonha, de Luís Abramo e Pedro Rossi.

Entre as atrações especiais, a Sessão Comentada de Histórias que Nosso Cinema (Não) Contava, com a participação da diretora Fernanda Pessoa, em um panorama dedicado à pornochanchada, gênero que marcou uma importante fase da produção audiovisual brasileira e segue despertando debates sobre comportamento, censura e mercado cinematográfico.

As crianças também ganham espaço na Mostra com as sessões do tradicional CineClubinho, que reúne duas animações francesas. Em Maya, Me Dê um Título, o diretor Michel Gondry transforma as sugestões de sua filha em curtas-metragens que combinam imaginação, humor e delicadeza. Já Príncipes e Princesas, de Michel Ocelot, apresenta seis fábulas narradas por meio do teatro de sombras, em histórias que giram em torno de diferentes formas de amor.

Mais informações e a programação completa em sescsp.org.br/amoraocinema.

Serviço
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