A primeira reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas, em 1946, trazia promessas de paz e proteção para um mundo que sofria com os resultados desastrosos da Segunda Guerra Mundial. Com o advento do poder de veto na ONU, concedido a apenas EUA, Rússia, China, França e Reino Unido, a ideia era instituir um contrapeso que garantisse tempos de harmonia. Mecanismo hoje visto como controverso, o veto continua sendo um desafio. É esse o tema central do documentário inédito O Poder de Veto: Ameaça à Paz Mundial. O longa estreia com exclusividade no Curta! e já está disponível no CurtaOn – Clube de Documentários.
Com produção da Vast Productions USA e direção de Tim Slade, o filme explica como o Conselho de Segurança foi estruturado, o que é o poder de veto e como ele se tornou uma ferramenta controversa. Com imagens de arquivo de conflitos internacionais e sessões da ONU, além de depoimentos de renomados pesquisadores, diplomatas e analistas políticos, a produção discute os rumos do multilateralismo e alternativas ao poder de veto.
“Existe uma tensão intrínseca ao próprio sistema da ONU, que se manifesta na prática, com a existência de dois valores: de um lado, os Direitos Humanos e a lei internacional; e de outro, um acordo de segurança entre as potências hegemônicas do outro. Esse é um traço que produz resultados absurdos, que testemunhamos em locais como Gaza e Ucrânia”, avalia Ardi Imseis, professor de Direito Internacional e ex-membro do Grupo de Especialista da ONU sobre o Iêmen.

Além de episódios recentes, o documentário debate as implicações jurídicas e políticas do dispositivo. E aborda conflitos e debate sobre a atuação do Conselho de Segurança em casos como a invasão do Iraque, em 2003, a Guerra Civil da Síria, em 2011, e o Apartheid sul-africano em meados do século XX.
“Seu discurso e suas observações compõem uma espécie de teatro, mas com consequências reais na vida das pessoas. As decisões que se tomam ali têm tudo a ver com guerra e paz. O que você faz pode salvar vidas ou o que você deixa de fazer pode matar muita gente”, alerta o embaixador queniano Martin Kimani, ex-representante permanente da ONU.
Atualmente, a ONU é formada por 193 estados-membros e apenas cinco deles, EUA, Rússia, China, França e Reino Unido, têm o poder de veto. Para especialistas, o Conselho de Segurança precisa ser atualizado de acordo com as demandas do mundo moderno, evitando que o veto se torne um dispositivo que dificulte a cooperação entre as nações.
“Deveria ter havido uma exigência de que, ao utilizá-lo, o membro permanente apresentasse uma alternativa plausível àquilo que estava bloqueando. Se você está representando toda a comunidade internacional, crie algo plausível que permita ao sistema respirar e ao Conselho de Segurança cumprir suas funções”, sugere o príncipe Zeid Ra’ad Al Hussein, presidente do International Peace Institute, ex-representante permanente da ONU para a Jordânia.
O Poder de Veto: Ameaça à Paz Mundial é uma produção da Vast Productions USA. O filme pode ser visto no CurtaOn – Clube de Documentários, disponível no Prime Video Channels, da Amazon, na Claro tv+ e no site oficial (CurtaOn.com.br). A estreia no Curta! é no dia temático Sextas de História & Sociedade, 24 de julho, às 22h30.



