
Neste sábado (13), o 15º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba encerrou suas atividades. E o longa-metragem escolhido para fechar a programação foi Salvação, do cineasta turco Emin Alper, e a exibição ocorre simultaneamente em três locais, sendo, MON – Auditório Poty Lazzarotto, Cine Passeio e Cinemateca.
A produção foi vencedora do cobiçado Urso de Prata do Grande Prêmio do Júri, no Festival de Berlim de 2026, um dos títulos mais festejados e debatidos do circuito global deste ano.
Escrito e dirigido por Alper — cineasta de relevância internacional já conhecido por obras como A Tale of Three Sisters e Burning Days —, o filme utiliza contornos de uma parábola perturbadora para investigar os mecanismos sociopolíticos por trás de um massacre no núcleo de um clã na Turquia. Inspirado em um chocante caso real ocorrido em 2009, o enredo expõe como disputas territoriais e ressentimentos históricos podem ser instrumentalizados por lideranças locais para incitar o ódio e a violência coletiva. Ambientada em uma remota vila montanhosa, a narrativa traça um paralelo contundente e assustadoramente atual com a ascensão global de regimes autoritários e a intolerância contra as minorias.
Além da forte carga dramática e política, Salvação enriquece sua atmosfera ao incorporar elementos sobrenaturais diretamente conectados à tradição sufi e a experiências religiosas místicas. Na trama, o regresso de um clã exilado acende uma disputa de terras histórica, ao mesmo tempo em que Mesut, irmão do líder local, passa a ser acometido por visões perturbadoras que ele julga serem avisos divinos, passando a desafiar o próprio sangue.
O longa agora irá estrear oficialmente no circuito comercial brasileiro em 2 de julho, com distribuição da Pandora Filmes, distribuidora independente que acumula 35 anos de história dedicados a expandir as fronteiras do cinema de arte no Brasil. Com o lançamento de “Salvação”, a distribuidora adiciona mais uma obra de relevância geopolítica e estética ao seu robusto catálogo, que recentemente levou às telas nacionais fenômenos celebrados como o sul-coreano Parasita e o brasileiro Motel Destino.



