
Belo Horizonte recebe uma edição especial da Mostra de Cinema Árabe Feminino, reunindo uma programação dedicada a filmes dirigidos por mulheres árabes residentes em seus países de origem ou em diáspora. A mostra desembarca no Cine Santa Tereza entre os dias 27 e 31 de maio, com entrada gratuita e exibição de títulos inéditos na capital mineira. Desde sua primeira edição em 2019, o projeto tem como objetivo buscar e ampliar o acesso a obras cinematográficas dirigidas por mulheres árabes, residentes no mundo árabe ou em diáspora. A curadoria, assinada pelas pesquisadoras e curadoras Analu Bambirra e Carol Almeida, propõe um olhar voltado para filmes narrativos, documentais, experimentais e videoartes que rompem com leituras estereotipadas sobre o mundo árabe e suas mulheres, valorizando cinematografias ainda pouco difundidas no Brasil.
Ao longo de cinco edições, a mostra consolidou-se como a única iniciativa contínua a longo prazo no país dedicada exclusivamente à difusão de filmes realizados por mulheres árabes. O projeto já exibiu mais de 150 filmes e passou por cidades como Recife, Rio de Janeiro,, Brasília e São Paulo,, alcançando mais de 7 mil espectadores e promovendo debates, oficinas e sessões comentadas em parceria com universidades, cineclubes e festivais de cinema. Outro eixo central da mostra é o compromisso político e curatorial com o cinema palestino. Desde a primeira edição, a programação dedica atenção especial a realizadoras palestinas e às produções que refletem sobre deslocamentos, memória, território e resistência. Em diálogo com a Campanha Palestina para o Boicote Acadêmico e Cultural de Israel (PACBI), a mostra reafirma seu posicionamento em defesa da libertação da Palestina e do fortalecimento de narrativas dissidentes por meio do cinema.
Curadoria revisita cinco edições da mostra em programação especial para BH
A edição em Belo Horizonte propõe uma curadoria retrospectiva construída a partir das cinco edições anteriores do projeto, reunindo filmes que marcaram a trajetória da mostra e que ajudam a mapear diferentes perspectivas sobre o mundo árabe contemporâneo. Esta edição também propõe um diálogo entre o cinema produzido por diretoras mineiras e cineastas árabes nas sessões “Diálogos Minas-Mundo Árabe”.
“Já havíamos experimentado criar paralelos entre cinematografias de realizadoras brasileiras e realizadoras árabes na 5ª edição da mostra e isso deu muito certo, porque quando colocamos esses filmes em diálogo direto numa mesma sessão, percebemos que existem alianças estéticas e políticas que estreitam nossa experiência de audiovisual com o que diretoras do mundo árabe vêm fazendo há muitos anos”, ressalta Carol Almeida.
Um dos destaques da programação será a sessão de abertura, no dia 27 de maio, às 18h30, com o documentário Sudão, Lembre de Nós, da diretora tunisiana Hind Meddeb (França/Tunísia/Catar). O filme constrói um retrato coletivo de uma geração sudanesa que luta por liberdade em meio à guerra e aos conflitos políticos do país. Após a sessão, acontece uma conversa com a pesquisadora Patrícia Teixeira Santos, professora de História da UNIFESP, especialista em estudos africanos e tensões coloniais no Sudão.
A programação segue no dia 28 de maio, às 16h30, com Os Três Desaparecimentos de Soad Hosni, da libanesa Rania Stephan, um ensaio experimental sobre a atriz egípcia Soad Hosni e a construção da imagem da mulher árabe moderna no cinema egípcio. A sessão será comentada pela pesquisadora Juliana Gusman.
Na mesma noite, às 19h, a sessão “Diálogos Minas-Mundo Árabe” aproxima produções árabes e brasileiras em torno de temas como memória, corpo e deslocamento. Entre os filmes exibidos estão Memória da Terra, da palestina Samira Badran, Febre 40º, da brasileira Natália Reis, e Festa na Caps, da marroquina Meriem Bennani. A sessão contará com acessibilidade em libras e legendas descritivas, seguida de debate com a pesquisadora Helena Elias.
No dia 29 de maio, a mostra contará com três sessões. A primeira, às 15h, apresenta Rainhas, longa da diretora marroquina Yasmine Benkiran, que acompanha três mulheres em fuga pelas paisagens do Marrocos. Já a sessão das 17h reúne filmes como Minha Pátria, animação futurista da diretora Tabarak Abbas suíça-iraquiana; Dançando a Palestina, da emiradense Lamees Almakkawy, sobre a dabke como símbolo de identidade e resistência palestina; e Neo Nahda, ficção da diretora libanesa May Ziadé sobre identidade queer e memória árabe em Londres. A conversa após a sessão será conduzida pela curadora Carol Almeida.
Ainda na sexta-feira, às 19h, a segunda sessão “Diálogos Minas-Mundo Árabe” promove aproximações entre Minas Gerais, Palestina e Líbano a partir da imagem do trem. Entre os destaques estão O Silêncio Elementar, de Mariana Melo, sobre mineração em Minas Gerais, e Trem-Trens 2: Um Desvio, de Rania Stephan, road movie experimental sobre trilhos abandonados entre Líbano e Palestina. A sessão comentada será realizada por Larissa Muniz.
No sábado, 30 de maio, às 16h30, a programação traz O Projeto Adam Basma, da diretora libanesa Leila Basma, e Um Retrato de Michel, documentário da diretora síria Christine Gedeon sobre desaparecimentos políticos durante o regime da família Assad. À noite, às 18h30, os filmes Carta para um Amigo, da palestina Emily Jacir, e Recorrências Perpétuas, da também palestina Reem Shilleh, refletem sobre memória e arquivos palestinos. A sessão será comentada por Alessandra Brito.
Encerrando a mostra, o domingo, às 16h30, apresenta Uma Vida Suspensa, clássico da cineasta libanesa Jocelyne Saab, ambientado em meio à guerra civil libanesa. A sessão final, às 18h30, será dedicada ao cinema palestino contemporâneo, com obras como Uma Pedra Atirada, de Razan AlSalah, Nós Começamos Medindo Distâncias, de Basma AlSharif, e Vibrações de Gaza, de Rehab Nazzal, documentário sobre crianças com deficiência auditiva vivendo sob bombardeios em Gaza.
Além das exibições, a programação reafirma a proposta da mostra de construir pontes entre cinematografias, territórios e experiências políticas, ampliando o acesso do público brasileiro a produções raramente exibidas nos circuitos comerciais. O festival também realizará sessão educativa voltada a estudantes da rede pública de ensino.
Este projeto é realizado com recursos da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Governo do Estado e Minas Gerais, por meio da Política Nacional Aldir Blanc, do Ministério da Cultura. O projeto é produzido por Partisane Filme, Capisciana Produções e Carol Almeida, com apoio cultural da Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Fundação Municipal de Cultura, e parceria do Festival Internacional de Curitiba Olhar de Cinema e da editora Tabla, responsável pela publicação de autores árabes no Brasil, e que cede alguns exemplares para serem sorteados entre o público ao longo da mostra.
Serviço
Mostra de Cinema Árabe Feminino – Edição Belo Horizonte
Data: 27 a 31 de maio de 2026
Local: Cine Santa Tereza – R. Estrela do Sul, 89 – Santa Tereza
Entrada gratuita mediante retirada de ingressos pelo Sympla ou na bilheteria do cinema uma hora antes da sessão.
Classificações indicativas variadas, consulte previamente na programação, ou com a sala de cinema
Mais informações: Instagram @cinema_arabefeminino | cinemaarabefeminino.com



