
Análises e Dicas #1096 – Terrifier – O Início (All Hallow’s Eve)
– Sinopse: Enquanto cuida de duas crianças na noite de Halloween, uma babá encontra uma fita VHS na sacola de doces de uma delas. A fita contém três contos de terror isolados, todos ligados pela figura de um palhaço assassino que parece transcender as histórias. Conforme a noite avança, a linha entre a fita e a realidade começa a se dissolver. Disponível no Prime Video
– Análise: É um artefato curioso dentro da franquia: funciona como uma espécie de protótipo que Damien Leone construiu para testar não apenas o apelo de Art, mas os limites formais da própria narrativa. O formato de antologia permite que Leone explore variações de tom dentro de um mesmo universo, e a escolha de emoldurar os segmentos como fitas VHS encontradas por uma babá não é apenas estética: é uma decisão funcional que justifica o baixo orçamento ao mesmo tempo que cria uma camada de mediação entre o espectador e o horror. A astúcia do filme está em usar o curta “The 9th Circle” (2008) como um filme dentro do filme, transformando o material pré-existente em peça de uma mitologia maior. Esse recurso (um found footage de ficção dentro de uma ficção) é a tentativa mais inventiva de Leone de sugerir o sobrenatural sem precisar explicá-lo: Art não é apenas um palhaço que mata, mas uma entidade que existe dentro e fora das imagens, um espectro que contamina qualquer suporte em que aparece. É uma ideia que a franquia levaria mais de uma década para retomar de forma mais explícita em Terrifier 3. O formato de antologia, embora criativo, porém, fragmenta o impacto; e a qualidade dos segmentos é desigual: o primeiro se aproxima do DNA da franquia, mas os outros dois são genéricos e arrastados, funcionando mais como preenchimento do que peças necessárias. A moldura da babá e das crianças, que deveria amarrar o conjunto, subutiliza a tensão que poderia extrair do ambiente doméstico. O desfecho, no entanto, acerta ao deixar claro que Art não está confinado à fita; ele vaza para o mundo real. É o primeiro esboço do que a franquia desenvolveria depois. É o melhor entre os cinco, neste momento, não por ser mais competente tecnicamente, mas por ser o mais ousado. Leone tinha menos recursos e mais ideias por minuto de tela. O filme erra, mas funciona como uma chave de leitura para entender que Art sempre foi mais do que um palhaço com uma sacola de lixo cheia de facas.
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