
O Oscar 2026 ainda nem esfriou e a internet dos EUA já está mergulhada em uma nova obsessão: listas, previsões e apostas para o Oscar 2027. A chamada “early predictions season” ganhou força em fóruns, canais de cinema, sites especializados e comunidades de awards watchers, que transformaram o exercício de prever indicados em um evento paralelo da indústria. Plataformas como Gold Derby, Awards Watch, JustWatch e discussões no Reddit já publicaram seus primeiros palpites para a próxima temporada.
No Brasil, quem entrou na conversa foi Fernanda Schein, cineasta brasileira radicada em Los Angeles, parte do time de editores da Netflix. Atenta aos movimentos da indústria, ela montou sua seleção de títulos que podem dominar a corrida daqui até a cerimônia de 2027, entre blockbusters de prestígio, apostas de festival, streamings agressivos e nomes já amados pela Academia.
“O Oscar 2027 deve refletir uma Academia ainda em ajuste fino entre relevância cultural e sobrevivência de audiência”, afirma a cineasta.
Blockbusters que podem puxar o público de volta
Entre os principais nomes da lista está The Odyssey, novo projeto de Christopher Nolan. Para Fernanda, o longa reúne ingredientes difíceis de ignorar: escala épica, elenco forte, apelo comercial e um diretor em alta após temporadas recentes de sucesso.
Na mesma linha aparece Project Hail Mary, visto como um possível elo entre cinema popular e prestígio crítico. “A presença de blockbusters com pedigree autoral não parece acidental, mas parte de um movimento consciente de reaproximação com o público que se afastou da cerimônia ao longo da última década.”
Cannes segue como fábrica de favoritos
Se o grande público importa, os festivais seguem decisivos. Fernanda aponta Fjord, de Cristian Mungiu, e All of a Sudden, de Ryusuke Hamaguchi, como títulos que podem sair de Cannes já fortalecidos para a temporada. “Cannes continua funcionando como porta de entrada para o prestígio, com títulos podendo emergir já com narrativa consolidada.”
Streamings aprenderam o jogo
A lista também reforça o peso das plataformas. Narnia, comandado por Greta Gerwig, surge como possível grande aposta da Netflix. Já The Adventures of Cliff Booth, de David Fincher com roteiro de Quentin Tarantino, também entra no radar.
Para Fernanda, esse cenário já mudou de vez. “Os streamings deixaram de ser intrusos e hoje operam com campanhas sofisticadas, entendendo perfeitamente o jogo.”
Outros nomes no radar
Ela ainda cita Digger, dirigido por Alejandro G. Iñárritu e com Tom Cruise em um papel dramático, além de Michael e Being Heumann, possível aposta da Apple.
Na avaliação de Fernanda, o Oscar vive uma transformação maior do que apenas a escolha de vencedores. “O Oscar não desaparece, mas se transforma em algo diferente do que já foi — menos centro incontestável, mais peça dentro de um sistema maior de validação cultural.”
Confira as apostas na íntegra, com os comentários da cineasta:
- The Odyssey (Christopher Nolan) “Diretor que já tem destaque na Academia. Blockbuster com grande elenco e grande possibilidade de alta bilheteria.”
- Disclosure Day (Steven Spielberg) “Diretor que já tem destaque na Academia. Voltando ao sci-fi. Contudo, também é da Universal, e acredito que o foco do estúdio ficará em The Odyssey. Porém, é bom ficar de olho.”
- Narnia (Greta Gerwig)“A Netflix vem investindo pesado em campanhas para se consolidar no Oscar. Foi amplamente indicada com Frankenstein este ano, e agora acredito que sua principal aposta para o próximo Oscar será Narnia.”
- Project Hail Mary (Phil Lord e Christopher Miller) “O Oscar tem interesse em trazer grandes blockbusters que agradaram o público, buscando fazer com que esse público assista à premiação, que segue lutando por audiência e relevância — algo que vem se perdendo nos últimos anos.”
- Fjord (Cristian Mungiu) “Do mesmo diretor que ganhou a Palma de Ouro em 2007 por 4 Months, 3 Weeks and 2 Days, e já vem sendo um dos cotados para indicação a Melhor Filme Internacional. Foi adquirido para distribuição pela Neon nos EUA, que já emplacou diversos filmes na categoria internacional. No ano passado, tinha 3 filmes na categoria, incluindo o vencedor Valor Sentimental, o brasileiro Agente Secreto e também Sirat.”
- All of a Sudden (Ryusuke Hamaguchi) “Outra aposta da Neon, que também vai estrear em Cannes, do mesmo diretor já premiado no Oscar por Drive My Car.”
- The Adventures of Cliff Booth (David Fincher) “O filme, um spin-off/sequência de Once Upon a Time in Hollywood, dirigido por David Fincher e escrito por Quentin Tarantino, também pode ter um lançamento limitado nos cinemas na mesma época. O que pode indicar a intenção da Netflix de colocar esse filme na corrida pelo Oscar.”
- Digger (Alejandro G. Iñárritu) “Diretor premiado por O Regresso, com a proposta de trazer Tom Cruise em um papel dramático fora do padrão de sua carreira — talvez sua chance ao Oscar. Acho bom ficar de olho. Acredito que a Warner pode investir na campanha desse filme.”
- Michael (Antoine Fuqua) “Pelo impacto da figura, vou mantê-lo na lista principal por enquanto. O público parece gostar do filme, embora a crítica não esteja respondendo tão bem. Resta esperar a temporada da indústria e ver se o filme, que estreou cedo no ano, consegue se sustentar até as indicações.”
- Being Heumann (Sian Heder) O filme acompanha a ativista pelos direitos das pessoas com deficiência Judy Heumann, abordando a ocupação de 28 dias do prédio federal de São Francisco em 1977 para garantir direitos civis. Seria essa a aposta da Apple? Ainda não sabemos se vai estrear este ano, mas considero interessante apostar que a Apple faça uma campanha para o Oscar também, assim como fez com CODA.
Saiba mais sobre Fernanda Schein:
Do interior do Rio Grande do Sul para Los Angeles, a cineasta e editora Fernanda Schein já atuou em diversos projetos importantes do cinema e da publicidade. Fez mestrado na New York Film Academy e com o tempo se consagrou tanto em projetos internacionais quanto nacionais, como “Neymar: O Caos Perfeito” (Netflix), o filme “Forbidden Wish” (Prime Video), “Poisoned” (Netflix) – ganhador do Emmy – e o documentário de sucesso “O Caso dos Irmãos Menéndez”, que estreou em outubro na Netflix e logo conquistou a atenção do mundo todo. Também, estrelou em produções independentes, como “The Boy in The Mirror”, vencedor do prêmio de melhor curta-metragem no California Women’s Film Festival.
Foi editora/montadora principal de projetos dirigidos por Rob Styles, como “A Social(Media) Construct” e “Sleeping Awake”. Brilhou com “I See You” e “Envenenados: O Perigo na Nossa Comida”, para a Netflix, o longa-metragem “Farewelling”, dirigido por Rodes Phire e o curta “Last Minute”, de Joel Junior.



