(Créditos: Studio II)

Brilhando como a divertida Rosinha em “Coração Acelerado”, ao lado de um dos elencos mais estrelados da Globo, Yrla Braga não estava mais sonhando alto quando a personagem apareceu. Nos palcos desde os 9 anos, a atriz precisou lidar com o luto da perda da mãe, sua maior apoiadora, e decidiu que aquele capítulo tinha ficado para trás. “Minha mãe era tudo. Era quem me empurrava, quem acreditava. Quando ela morreu, eu perdi o sentido da arte. Parei. Não queria mais. Subir no palco virou uma ferida muito latente pra mim.

Durante anos, Yrla se afastou. Assumiu uma rotina mais estável, trabalhando com assessoria de imprensa na área política. A vida seguiu, organizada, previsível, mas distante de qualquer sensação de realização.

“Eu não queria mais porque achava que não dava. Eu realmente acreditava que meu tempo tinha passado.”

O humor que cura e conecta
Foi nesse processo que a comédia ganhou um novo significado na vida da artista. Em 2019, amigos insistiram para que ela participasse de um grupo de teatro. Yrla topou, mas com uma condição: ficaria apenas nos bastidores. Nada de palco.

Não durou muito. Um convite para testar o stand-up acabou mudando tudo. Relutante no início, ela aceitou. “Eu escrevi meu primeiro show inteiro sobre a minha mãe. Foi um processo de cura. Quando eu subi no palco, eu entendi: é aqui que eu quero estar.”

“Comecei a perceber que aquilo ajudava outras pessoas. Muita gente vinha falar comigo depois do show dizendo que tinha passado por algo parecido. A comédia foi o jeito que eu achei pra me curar. E, sem querer, eu comecei a ajudar outras pessoas a olhar pra isso de outro jeito também”, conta.

Um susto que mudou tudo
Aos 29 anos, Yrla sofreu um AVC e se viu, de uma hora para outra, dentro de uma UTI. “Os médicos falavam que era grave, e eu ali tranquila, conversando, sem entender. Depois me explicaram que foi um fio de cabelo que me separou da morte”, lembra. “Teve um momento que eu pensei: se eu não morrer, eu vou sair daqui e vou pisar com tudo no acelerador.”

Vieram exames, investigações e uma sequência de tentativas de encontrar uma explicação. Nenhuma resposta veio. O ponto de virada aconteceu em uma conversa com o médico que a acompanhava, que explicou que o caso da atriz não tinha um “porquê”. “Ele falou: ‘é vida que segue’. Na hora eu pensei… então é isso. Eu estou na melhor das hipóteses. E agora é comigo.”

O encontro com Paulo Vieira e a virada inesperada
Foi nesse momento de retomada que surgiu a oportunidade que mudaria tudo. Yrla chamou a atenção de Paulo Vieira durante a gravação de um episódio do programa do comediante em Barra do Garças, cidade natal da atriz.

Depois de uma entrevista, ele a chamou para conversar. “Ele me deu o número, falou pra eu mandar mensagem e disse que ia me levar pra São Paulo. Eu achei que era mentira.” Não era.

A experiência na capital abriu portas, ampliou o alcance do trabalho e trouxe novas possibilidades. Ainda assim, a televisão não estava nos planos. “Novela, Globo… eu já não pensava mais nisso. Era um sonho que eu tinha deixado pra trás.

E então, Rosinha chegou
O convite veio através de um projeto da Globo voltado para humoristas. A ideia inicial era simples: uma apresentação curta. Depois, vieram trabalhos de roteiro, testes e, finalmente, a chance de disputar um papel.

“Eu pensei em não fazer. Achei que não era pra mim. Mas falei: vou fazer e pronto. Sem expectativa.” Dias depois, veio a ligação confirmando que o papel era dela. “Eu não consegui nem falar direito. Eu só pensava: não é possível.”

Na novela, Yrla vive Rosinha, uma personagem que mistura ingenuidade, humor e ambição. “Sempre pergunto se posso colocar um caco, uma coisinha. A Rosinha me permite isso.”

Tendo como inspiração nomes como Tatá Werneck e Meryl Streep, seu desejo agora é mergulhar ainda mais fundo em personagens pensados para a comédia. “Todo mundo fala que quer fazer vilã. Eu quero fazer comédia. Sempre tratam a comédia como o primo pobre, mas vai ver as bilheterias. Não existe história sem humor.”

Próximos passos
Hoje morando no Rio de Janeiro, Yrla ainda se adapta à nova rotina, longe da família e da vida que tinha antes. Pretende continuar. Os próximos passos ainda são incertos, mas, pela primeira vez em muito tempo, ela voltou a acreditar. “Antes eu não achava possível estar aqui. Agora fica difícil não acreditar em coisas maiores. Eu só quero continuar.

Yrla Braga é um talento Catapulta – Catapulta é uma gestora artística que surgiu da percepção da necessidade dos atores de se posicionarem no mercado de forma estratégica e consistente, contando com um seleto grupo de artistas, priorizando a diversidade e o desenvolvimento de carreira de cada assessorado, auxiliando em todas as etapas. O intuito é lapidar talentos nacionais e internacionais, entre os quais estão Luiza Rosa, José Trassi e Natascha Falcão.

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