Trinta anos depois de ter colocado o interior de Minas Gerais no mapa mundial dos mistérios ufológicos, o Caso Varginha voltou ao centro do debate internacional através de um documentário e de uma movimentação política que atravessou fronteiras. O cineasta americano James Fox, diretor de Moment of Contact, levou testemunhas brasileiras ao Capitólio, em Washington, e apresentou o caso a parlamentares dos Estados Unidos. A reunião aconteceu a portas fechadas e foi seguida de uma coletiva que reacendeu uma pergunta que há décadas divide opiniões: o que realmente aconteceu em janeiro de 1996?
Os bastidores desse encontro foram detalhados em artigo assinado pelos jornalistas Leslie Kean e Ralph Blumenthal (disponível aqui), conhecidos por revelarem em 2017 a existência de um programa secreto do Pentágono dedicado à investigação de OVNIs. Agora, a dupla mostra como o episódio brasileiro entrou oficialmente na pauta de congressistas americanos interessados em pressionar por mais transparência sobre os chamados UAPs, os Fenômenos Anômalos Não Identificados.
O documentário e a nova ofensiva
James Fox investiga o caso há quase duas décadas. Na primeira e na segunda edição de Moment of Contact, o diretor reuniu depoimentos de civis, militares e profissionais da saúde que afirmam ter presenciado partes do episódio. Agora, Fox diz que a investigação não terminou.
Segundo o cineasta, novas pessoas continuam surgindo, algumas alegando ter documentos, outras mencionando imagens que ainda não vieram a público. Ele afirma que está em busca de registros oficiais, dados de voo, vídeos e qualquer material que possa comprovar ou desmentir definitivamente o que aconteceu.
Fox faz um apelo para que qualquer pessoa que tenha informações, registros, imagens ou documentos relacionados ao Caso Varginha entre em contato pelo e-mail: momentofcontact@proton.me.
O que aconteceu em Varginha?
O caso começou em 13 de janeiro de 1996, quando um objeto cilíndrico teria sido visto caindo na zona rural próxima a Varginha. Dias depois, três adolescentes relataram ter encontrado uma criatura agachada em um terreno baldio da cidade. Pouco tempo depois, caminhões militares passaram a circular pela região. O clima de tensão se espalhou e surgiram rumores de que dois seres teriam sido capturados.
De acordo com o artigo de Kean e Blumenthal, entre as testemunhas levadas a Washington está o neurocirurgião Ítalo Venturelli. Ele relatou ter estado no Hospital Regional de Varginha e observado uma entidade que, segundo sua descrição, não parecia humana. Falou de olhos lilases em formato de gota, cabeça proporcionalmente grande e comportamento que classificou como calmo e observador.
Outro depoimento que chamou atenção foi o do médico legista Armando Fortunato. Ele mencionou o caso do policial militar Marco Chereze, que teria participado da captura de uma das criaturas e morreu semanas depois, vítima de uma infecção grave. Documentos apresentados indicam que a bactéria encontrada foi descrita como de agressividade e letalidade extremamente elevadas.
Também foi levantada a hipótese de que uma aeronave militar americana teria pousado em Campinas dias após o incidente, alimentando suspeitas de cooperação internacional sigilosa.
Congresso, sigilo e pressão política
O encontro no Capitólio reuniu deputados que vêm cobrando maior abertura do governo americano sobre investigações envolvendo UAPs. Embora relatórios oficiais do Departamento de Defesa afirmem não haver evidências de origem extraterrestre nos casos analisados, parlamentares seguem pressionando por acesso mais amplo a informações classificadas.
O fato de um caso brasileiro ter sido apresentado formalmente dentro do Congresso dos Estados Unidos dá ao episódio um novo peso político. O debate deixou de ser apenas uma história regional que circula entre curiosos. Entrou na arena institucional, onde a discussão envolve soberania, inteligência militar e possível retenção de informações por parte de governos.
Trinta anos depois, o Caso Varginha continua sem provas materiais conclusivas tornadas públicas. Não há imagens oficiais divulgadas, nem documentos reconhecidos formalmente que confirmem a existência de uma criatura não humana. Ainda assim, o volume de testemunhos, a persistência da investigação e agora a entrada do caso no Congresso americano mantém a história viva.
James Fox afirma que a busca continua. E reforça que quem tiver qualquer elemento concreto pode contribuir.



