
Com o sucesso de público, o MIS, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, anuncia a prorrogação da exposição “A alma humana, você e o universo de Jung”. A mostra, que mergulha no universo dos conceitos criados por Carl Gustav Jung, se encerraria no dia 18 de janeiro e agora foi estendida até 1º de março de 2026.
Nos 550 m2 do primeiro andar do MIS, o visitante vai percorrer a psique humana de forma simbólica e imagética, por meio de instalações criadas para dialogar em três diferentes dimensões: a pedagógica, já que os conceitos criados ou trabalhados por Jung serão explicados de forma acessível; a sensorial, tendo em vista que cada instalação artística pode provocar sensações no visitante; e ainda a provocativa, já que sempre haverá uma pergunta convidando o público à introspecção, movimento necessário para o autoconhecimento. Todos os conteúdos foram inspirados na cosmovisão de Carl Gustav Jung (1875 – 1961), psiquiatra suíço fundador da Psicologia Analítica.
“O MIS sempre foi conhecido por trazer exposições inovadoras para o público, e dessa vez não poderia ser diferente”, afirma André Sturm, diretor-geral do MIS. “Por isso, é com muito orgulho que anunciamos essa mostra que é uma experiência imersiva no universo de Carl Jung, um dos nomes mais importantes na história da psicologia. Além de ser um tema novo em relação ao que geralmente trazemos em nossas exposições, estamos muito empolgados por apresentar a primeira experiência simbólica de autoconhecimento realizada em um museu.”
“Se estivesse vivo, Jung nos ajudaria a entender muitos dos nossos desafios contemporâneos. Isso porque ele oferece à humanidade uma perspectiva de mundo integrado. Não há indivíduo sem sociedade, consciência sem inconsciente, dor sem prazer, sintoma sem cura. Luz e sombra coexistem e é a partir da integração dos opostos que se pode vislumbrar uma vida digna de ser vivida na inteireza e em prol de todos”, afirma a idealizadora da exposição Luciana Branco, que no desenvolvimento dos conteúdos contou com a curadoria fundamental de Waldemar e Simone Magaldi, fundadores do IJEP – Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa –, instituição dedicada, há 40 anos, ao estudo e ensino da obra completa do pensador. Assinam a criação da exposição, ao lado de Luciana, Flavio Vieira e Camila Whitaker. A produção executiva é de Naiclê Leônidas.
Passeio
Na exposição, é a partir dos sintomas que o visitante vai entrar na psique humana. Isso porque, para Jung, tudo o que vive no inconsciente encontra uma forma de se manifestar. E o inconsciente costuma manifestar-se por meio dos sonhos, das sincronicidades, das expressões simbólicas e também pelos sintomas físicos, psíquicos, sociais e ambientais. “Como estamos em um momento altamente sintomático, escolhemos começar a contar essa história pelas dores contemporâneas”, explica Luciana.
“A psicologia de Jung nos ajuda a perceber que o que chamamos de ‘vida comum’ — aquela cheia de tarefas e desafios diários — na verdade, pode ser uma porta para o inconsciente e seus mistérios. Ao englobarmos isso, podemos viver de forma mais harmoniosa, aberta e cheia de sentido”, afirmam os curadores no texto de abertura.
Para investigar simbolicamente a alma humana, o time de criadores da exposição convidou artistas e pensadores diversos para a produção das obras. Em Sintomas, o público vai escolher por qual caminho seguir (livrando-se rapidamente deles ou dialogando com os mesmos). Neste espaço, encontra frase emblemática de Tom Zé. No Inconsciente, o público conhece o conceito pela perspectiva junguiana e o que o diferencia de Freud. Na continuação desse espaço, o visitante encontra outros importantes fundamentos da obra de Jung, como Arquétipos e Imagens Arquetípicas (representados por obra de Moara Tupinambá); Mitos, quando um mesmo tema será retratado em cinco diferentes culturas e tradições (em obra de Tania Sassioto em parceria com a analista junguiana Daniela Euzébio); além de Anima e Animus, uma videoarte criada por Flavio Vieira em vídeo desenvolvido por Inteligência Artificial.
O percurso da exposição segue com o conceito de Persona, cuja obra foi criada com o trabalho de produção de 1260 máscaras de gesso, realizada voluntariamente pelos estudantes do IJEP; Ego encontra na exposição uma irreverente representação; em Expressões Simbólicas, o visitante vai conhecer o trabalho integrado da psiquiatra brasileira Nise da Silveira com Jung; a ferramenta analítica de Associação de Palavras ganha representação simbólica e interativa. Já a instalação sobre Sonhos conta com reflexões de Sueli Carneiro, Ailton Krenak, entre outros. Um corredor foi dedicado à Alquimia, no qual o visitante encontra a obra “Decantador de sonhos”, de Mariana Guardani e ilustrações do “Rosarium Philoshoporum”, manual alquímico do século XVI, recriadas pela aquarelista Isabela Amado e com textos explicativos da psiquiatra e analista junguiana Célia Mello. A biografia de Jung é contada por fatos, mas também pelas viagens que realizou e por cinco sonhos que teve, em uma inédita Sonhografia, na qual o público terá acesso aos conteúdos dos sonhos e seus significados (criada pelo analista junguiano José Balestrini).
A exposição ainda conta com instalações relacionadas ao conceito de Sincronicidade e ao Livro Vermelho. Em ambas, obras do artista carnavalesco Victor Passos.
Muitas vozes
Jung foi um pensador interessado nas diferentes culturas e tradições. Já no século passado, desconfiou da ideia da hegemonia branca europeia. “Nós, os europeus, não somos as únicas criaturas do mundo. Somos apenas uma península da Ásia, e naquele continente há velhas civilizações onde as pessoas treinaram suas mentes em psicologia introspectiva durante milhares de anos, enquanto nós começamos com a nossa psicologia não ontem, mas hoje de manhã…”, afirmou o psiquiatra, que visitou mais de 15 países em busca da alma humana. Foi essa busca que deu origem ao conceito de inconsciente coletivo. Apesar de ser ter colecionado títulos de Doutor Honoris Causa em Ciências nas mais prestigiadas Universidades do mundo (Harvard, Oxford, Clark, Calcutá, Sociedade Real de Medicina, entre outras), pelo destemor em dialogar com o que a ciência não explica, é ainda hoje taxado como místico.
“Tive que estudar coisas orientais para entender certos fatos do inconsciente…Tive que estudar não só literatura chinesa e hindu, como também literatura sânscrita e manuscritos latinos de origem desconhecida até mesmo de especialistas. Até que não se adquiram tais conhecimentos, continuarei não passando de um feiticeiro”, afirmou.
A exposição é uma realização do hub de comunicação [ EM BRANCO ], com curadoria do IJEP – Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa, com parceria da Weleda, apoio institucional da Editora Vozes, Instituto Focus Têxtil, Associação Junguiana do Brasil, Tigor, Treehouz, Double Cultura, Consulado-Geral da Suíça e apoio de mídia do UOL e JCDecaux.
A programação é uma realização do Ministério da Cultura, Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas de São Paulo, e Museu da Imagem e do Som, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.
O MIS tem patrocínio institucional da Livelo, Vivo, Goldman Sachs e Goodstorage e apoio institucional das empresas Dasa, EAÍ?! Marketing, Unisys, Volkswagen, Unipar, Campari, Colégio Albert Sabin e PWC.



