
Reconhecida como uma das cineastas mais premiadas do audiovisual brasileiro, Susanna Lira vive um momento de consolidação e transição criativa. Depois de uma trajetória marcante no documentário — onde construiu uma filmografia comprometida com temas sociais, direitos humanos, identidade e memória —, a diretora se firma agora na ficção, sem abrir mão da sensibilidade e da força política que marcam toda a sua obra.
No Festival do Rio 2025, ela apresentou #SalveRosa, longa-metragem que integra a mostra Première Brasil: Ficção. O filme foi consagrado no festival, vencendo o Troféu Redentor de Melhor Longa-Metragem de Ficção – Voto Popular, além dos prêmios de Melhor Atriz para Klara Castanho e Melhor Figurino para Renata Russo.
A trama acompanha Rosa, uma influenciadora digital de 13 anos, vivida por Klara Castanho, que vive sob a rígida tutela da mãe, Dora (Karine Teles). À medida que o sucesso nas redes cresce, a jovem descobre que a vida perfeita que exibe ao público é sustentada por mentiras e manipulações. Com roteiro de Ângela Hirata Fabri e criação de Mara Lobão, o filme discute de forma contundente a exposição infantil, o culto à aparência e as pressões do mundo virtual — temas contemporâneos tratados por Lira com o mesmo olhar ético e afetivo que caracteriza seus documentários. Produzido pela Panorâmica e ELO Studios, o longa estreia em circuito nacional no próximo 23 de outubro.
Segundo Susanna Lira, dirigir #SalveRosa foi uma experiência profundamente transformadora. “O filme trata de um tema urgente e doloroso, que é a exploração de crianças nas redes sociais. Ao mergulhar nesse universo, percebi como o ambiente digital pode ser um espaço de vulnerabilidade extrema, especialmente para meninas e meninos expostos à lógica cruel da visibilidade e do consumo. ‘Salve Rosa’ nasce da necessidade de romper o silêncio em torno desse assunto e provocar reflexão: o que estamos naturalizando quando clicamos, curtimos e compartilhamos?”, diz ela.
“Como diretora, busquei construir um suspense que inquieta. O filme expõe a banalidade do mal travestida de tela, de algoritmo, de indiferença. A importância de dirigir Salve Rosa está justamente nisso: usar o cinema como espelho e alerta, para revelar o quanto a violência contemporânea pode ser sutil, mediada e invisível — e ainda assim devastadora”, continua Susanna.
Paralelamente, a cineasta dirige uma nova série documental sobre Marília Mendonça, produção original do Prime Video que começou a ser filmada em setembro, em Goiânia. O projeto, que conta com depoimentos de familiares, amigos e parceiros musicais, promete revelar a artista para além dos palcos e da tragédia, explorando suas raízes, processos criativos e a revolução que promoveu no sertanejo feminino. A série é produzida pela Kromaki e pela Chatrone, com roteiro de Valentina Castello Branco, Gabriela Altaf e Fabiana Assis.
Com uma carreira que soma mais de 18 longas e 120 prêmios nacionais e internacionais, Susanna Lira é formada em Jornalismo, com pós-graduação em Filosofia, Direito Internacional e Direitos Humanos, e mestranda em Psicanálise. Sua formação múltipla se reflete em uma filmografia que investiga o humano em suas complexidades — das fronteiras da violência às do afeto.
Entre seus trabalhos mais impactantes dos últimos anos estão os longas “Torre das Donzelas” (sobre as mulheres presas políticas na ditadura), “A Mãe de Todas as Lutas” (sobre resistência indígena e ambiental), “Prazer em Conhecer”, “Elas”, “Mussum – Um Filme do Cacilds” e “Adriano Imperador”. Mais recentemente, o documentário “Fernanda Young: Foge-me ao Controle” confirmou sua habilidade em combinar emoção e investigação, reafirmando seu lugar como uma das vozes mais consistentes e versáteis do cinema brasileiro contemporâneo.




Sucesso!!!👏👏🇧🇷🇧🇷