(Foto: Mohamed Hassan/ Pixabay)

A evolução do modelo de negócios das plataformas de streaming no Brasil tem reposicionado a relação entre preço, experiência e publicidade. Serviços que chegaram ao país com uma proposta de acesso ilimitado, sem anúncios e com mensalidades reduzidas passaram a operar com planos segmentados, valores mais elevados e alternativas com inserção publicitária para consumidores que buscam pagar menos. O movimento reflete um processo de ajuste do setor à medida que o streaming já se consolidou como hábito de consumo recorrente no país. Nesse contexto, a Netflix, inclusive, divulgou recentemente a intenção de adquirir ativos ligados à WarnerHBO.

Dados da YouGov indicam que o consumidor brasileiro demonstra disposição a pagar por streaming, desde que perceba valor claro na experiência. Segundo a pesquisa, 49,24% dos entrevistados afirmam estar dispostos a pagar por conteúdo premium quando isso significa acesso a entretenimento de alta qualidade. Além disso, 46,55% dizem aceitar pagar por um serviço de assinatura especificamente para evitar anúncios.

Ao mesmo tempo, a publicidade aparece como um ponto de atenção na relação com as plataformas. Entre os respondentes, 64,38% afirmam que pulam anúncios assim que a opção fica disponível ao assistir vídeos online, indicando baixa tolerância à interrupção durante o consumo de conteúdo digital.

O estudo evidencia que o streaming já está incorporado à rotina dos brasileiros. Mais da metade dos entrevistados (52,59%) concorda que os serviços de streaming mudaram sua forma de assistir TV, enquanto 27,88% consideram que a TV ao vivo perdeu relevância. Esse cenário cria um ambiente no qual o uso frequente do serviço se mantém, mesmo diante de ajustes progressivos no modelo de monetização.

Segundo David Eastman, diretor-geral da YouGov na América Latina, eventuais movimentos de consolidação exigirão atenção especial ao equilíbrio entre preço e experiência. “Se a Netflix avançar na integração de Warner e HBO, o Brasil vai exigir equilíbrio fino entre preço e experiência”, afirma, acrescentando que “A disposição a pagar existe, mas a paciência com fricção publicitária é limitada, então os vencedores serão aqueles que transformarem escala em valor percebido, sem degradar a experiência”.

Para Eastman, os dados indicam que a mudança no modelo de negócios acompanha o amadurecimento do hábito de consumo digital no país. “O mercado brasileiro demonstra abertura para pagar mais quando identifica benefícios claros, mas reage de forma objetiva quando mudanças no preço ou no formato impactam diretamente a experiência”, completa.

Metodologia
A ferramenta YouGov Profiles é alimentada por dados coletados diariamente por meio de pesquisas contínuas, com uma amostra robusta de mais de 70 mil brasileiros (o tamanho da amostra varia de acordo com o país). Os dados do Profiles Brasil são representativos em âmbito nacional e cuidadosamente ponderados por idade, gênero e região, garantindo alta precisão e relevância nas análises.

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