A segunda temporada de ARTÉRIAS segue seu percurso de mapear práticas contemporâneas que reinventam narrativas, territórios e modos de criar no Brasil. Dirigida por Helena Bagnoli, a série reúne 26 minidocumentários que apresentam artistas de diferentes gerações e regiões, com protagonistas afro-brasileiros, indígenas e LGBTQIA+, cujas obras atravessam suportes variados e articulam experiências pessoais, políticas e coletivas. Os episódios inéditos vão ao ar às quintas-feiras, às 21h30, no SescTV, com reapresentações ao longo da semana e exibição sob demanda no Sesc Digital.

Em dezembro, a série destaca quatro trajetórias que tensionam fronteiras e afirmam a arte como campo de disputa, invenção e memória. A temporada começa com Rafa Bqueer (4/12), multiartista paraense cuja obra nasce do encontro entre a cultura popular amazônica, a estética drag, o carnaval e a crítica social. Entre Belém e Rio de Janeiro, Rafa desenvolve performances, indumentárias, fotografias e ações que problematizam o direito à circulação em espaços urbanos e expandem a presença do corpo negro em cenários que historicamente o invisibilizam. “O que eu levo para as galerias de arte e museus são as vivências que vêm da Amazônia e que vêm com muita força da cultura drag”, explica a artista. Trabalhos como Urrura, figura híbrida inspirada em Vera Verão, Gaby Amarantos e Grace Jones, sintetizam a potência de sua pesquisa: uma Amazônia globalizada que irrompe em vitrines, ruas e museus.

Na semana seguinte, em 11/12, o programa apresenta Tamikuã Txihi, artista visual, ceramista, escultora, muralista e ativista da comunidade Tekoa Itakupe, na Terra Indígena do Jaraguá (SP). Sua obra emerge da relação cotidiana com o território, o barro, o milho, a mandioca, as cestarias, a arquitetura indígena, e afirma a arte como modo de vida e cuidado. “Eu vou seguindo, fazendo aquilo que minha mãe e minha avó me passaram”, comenta. Orientada pelos ensinamentos de seu povo, Tamikuã constrói lagos, recupera áreas degradadas e cria murais que incorporam narrativas Pataxó. Para ela, “a arte indígena, hoje, é instrumento de luta e defesa dos territórios”, não à toa, seu trabalho aproxima práticas ancestrais de debates contemporâneos sobre território, memória e resistência.

No dia 18/12, o episódio mergulha no universo de Uýra, artista indígena travesti da etnia Mundurucu, onde arte, ecologia e educação se entrelaçam. Formada em Biologia e Ecologia, ela abandona a academia para narrar histórias naturais com tintas, plantas, afetos e miragens. Entre fotografia, performance e instalação, suas obras denunciam urgências socioambientais: da destruição das águas em Mil Quase Mortos, à cicatrização simbólica de Ponto Final, Ponto Seguido. “Tem gente que conta história cantando, dançando. Eu gosto de contar pintando minha cara”, diz. Presente na 34ª Bienal de São Paulo e na Bienal das Amazônias, Uýra soma prêmios como PIPA (2022), FOCO (2023) e EDP nas Artes. Sua trajetória é um gesto de retomada, como raízes fincadas na arte para reinventar mundos.

Encerrando o mês, em 25/12, a série apresenta a artista visual Vitória Cribb, cujo trabalho discute a relação entre raça e tecnologia. “Penso muito a ideia da mulher negra e máquina, partindo da minha existência”, revela. Em suas obras de realidade expandida, utiliza softwares, animação 3D e narrativas digitais para investigar vigilância, sensorialidade e presença sob uma perspectiva crítica e experimental. Filmes como Prompt ComandoIlusãoVigilance Extended e Bugs criam universos especulativos que questionam o que vemos, quem vê e como somos vistos, propondo novas formas de imaginar movimento e afeto no espaço virtual. Ao levar personagens para instalações e projeções, Cribb transforma arquiteturas e superfícies em extensões do corpo.

Com essas quatro produções, ARTÉRIAS reafirma seu compromisso em aproximar o público da diversidade de linguagens, histórias e perspectivas que constituem a arte contemporânea brasileira. A série evidencia que cada obra é também uma forma de disputar narrativas, reinventar territórios e ampliar os modos de sentir e compreender o país e o tempo em que vivemos.

A artista indígena Uýra é destaque em episódio de “Artérias”, dia 18/12, no SescTV (Foto: Uýra)

SERVIÇO
ARTÉRIAS – 2ª TEMPORADA
Série documental
Direção: Helena Bagnoli
Conteúdo: 26 episódios
Duração aproximada: 12 min
Classificação indicativa: Livre (exceto episódios indicados)
Exibição: quintas-feiras, às 21h30

EPISÓDIOS DE DEZEMBRO
Rafa Bqueer — 4/12
Tamikuã Txihi — 11/12
Uýra — 18/12
Vitória Cribb — 25/12

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SOBRE O SESCTV
O SescTV é um canal de difusão cultural do Sesc em São Paulo, distribuído gratuitamente, que tem como missão ampliar a ação do Sesc para todo o Brasil. Sua programação é constituída por espetáculos, documentários, filmes e entrevistas. As atrações apresentam shows gravados ao vivo com variadas expressões da música e da dança contemporânea. Documentários sobre artes visuais, teatro e sociedade abordam nomes, fatos e ideias da cultura brasileira em conexão com temas universais. Ciclos temáticos de filmes e programas de entrevistas sobre literatura, cinema e outras linguagens artísticas também estão presentes na programação.

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