
A 29a Mostra de Cinema de Tiradentes, entre os próximos dias 23 e 31, contará novamente com as mostras competitivas de longas-metragens Olhos Livres e Aurora. Os filmes selecionados, todos em pré-estreia mundial, reafirmam o papel do evento como um dos principais espaços de lançamento e reflexão do cinema brasileiro contemporâneo. A temática desta edição, “Soberania imaginativa”, atravessa os pensamentos em torno da seleção, ainda que não seja preponderante para as escolhas.
De muitas maneiras, o conceito tende a se ampliar na relação com os filmes tanto nas sessões quanto em debates e encontros entre crítica, cineastas e público. As seleções das duas mostras foram realizadas pela curadoria de longas-metragens da Mostra de Tiradentes, formada por Francis Vogner dos Reis, Juliano Gomes e Juliana Costa.
MOSTRA OLHOS LIVRES
Segue um espaço de abordagens estéticas arrojadas, voltado a possibilidades lúdicas e criativas da linguagem cinematográfica desenvolvidas por realizadores que já possuem alguma circulação em festivais. Desde o ano passado, a mostra mudou um pouco de perfil e reforçou o objetivo de desbravar novos caminhos da produção autoral e acompanhar cineastas que apostam na radicalidade inventiva mesmo após trajetórias já consolidadas.
Os filmes: Meu Tio da Câmera (Bernard Lessa, ES), Tannhäuser (Vinícius Romero, SP), Anistia 79 (Anita Leandro, RJ), As Florestas da Noite (Priscyla Bettim e Renato Coelho, SP), O Enigma de S. (Gustavo de Mattos Jahn, RJ), Ao Sabor das Cinzas (Taciano Valério, PE) e Amante Difícil (João Pedro Faro, RJ).
Para o coordenador curatorial Francis Vogner dos Reis, a Olhos Livres reflete um traço marcante do cinema brasileiro atual: “Se algo aparece hoje como determinante, não é uma linha estética única ou um traço político homogêneo, mas a diversidade imaginativa muito forte”, afirma. Segundo ele, trata-se de uma geração de realizadores que muitas vezes iniciou trajetórias há dez ou quinze anos e que, agora em seus terceiros, quartos ou até sextos longas-metragens, continuam a produzir filmes à revelia das condições difíceis ou limitadoras e mantendo compromisso com o risco e a invenção.
“Se você olha para a Olhos Livres, você percebe que há vários jovens veteranos do cinema independente brasileiro, artistas e cineastas que já têm uma assinatura e que estão escolhendo estrear em Tiradentes”, reforça o curador. “Isso consolida um cenário de cinema autoral brasileiro que não é necessariamente formado apenas por estreantes ou novidades, mas por pessoas que estão amadurecendo, desdobrando sua obra e consolidando um estilo, uma linha específica.”
MOSTRA AURORA
É dedicada a longas-metragens de estreia e reúne em 2026 novos caminhos possíveis na expressão audiovisual brasileira independente. A seção segue como um dos principais espaços de revelação do cinema no país, com títulos de diferentes territórios, contextos e formas de produção que ajudam a redesenhar o mapa da produção a partir de realizadores em começo de carreira na direção.
Os filmes: Vulgo Jenny (Viviane Goulart, GO), Sabes de Mim, Agora Esqueça (Denise Vieira, DF), Politiktok (Álvaro Andrade, BA), A Voz da Virgem (Pedro Almeida, RJ), Para os Guardados (Desali e Rafael Rocha, MG) e Obeso Mórbido (Diego Bauer, AM).
Francis Vogner chama atenção para as condições de realização desses filmes da Aurora. “Boa parte é feita com recursos próprios ou com editais de valores muito pequenos, muito aquém daquilo que seria trabalhado como um baixo orçamento”, observa. Para o curador, esse cenário evidencia tanto a urgência de políticas públicas voltadas aos primeiros longas quanto a força de um cinema que constrói uma linha evolutiva dentro do lastro do cinema independente brasileiro das últimas duas décadas.
Os filmes da Mostra Olhos Livres concorrem a prêmios concedidos pelo Júri Oficial, composto por Alvaro Arroba (programador, Argentina), Daniela Giovana (professora e pesquisadora, MS), Darks Miranda (artista, RJ), Hermano Callou (crítico de cinema, RJ) e Renato Novaes (ator, MG). Já os títulos da Mostra Aurora são avaliados pelo Júri Jovem, formado por estudantes selecionados a partir de uma oficina de crítica realizada em setembro, durante a Mostra CineBH. Os filmes vencedores de cada Mostra recebem o Troféu Barroco – oficial do evento, prêmio em serviços oferecidos por empresas parceiras e o Prêmio Embratur, no valor de R$20.000,00.
Ao articular Olhos Livres e Aurora, a Mostra de Tiradentes reafirma sua aposta em um cinema plural, diverso e inventivo, em sintonia com a noção de soberania imaginativa. “O cinema brasileiro nunca foi uma coisa só, ele é múltiplo”, lembra Francis Vogner.
SOBRE A MOSTRA DE CINEMA DE TIRADENTES
PLATAFORMA DE LANÇAMENTO DO CINEMA BRASILEIRO
Maior evento do cinema brasileiro contemporâneo em formação, reflexão, exibição e difusão realizado no país e chega a sua 29ª edição de 23 a 31 de janeiro de 2026, em formato online e presencial. Apresenta, exibe e debate, em edições anuais, o que há de mais inovador e promissor na produção audiovisual brasileira, em pré-estreias mundiais e nacionais – uma trajetória rica e abrangente que ocupa lugar de destaque no centro da história do audiovisual e no circuito de festivais realizados no Brasil.
O evento exibe mais de filmes brasileiros em pré-estreias nacionais e mostras temáticas, presta homenagem a personalidades do audiovisual, promove seminário, debates, a série Encontro com os filmes, oficinas, Mostrinha de Cinema, Fórum de Tiradentes, Conexão Brasil CineMundi e atrações artísticas. Toda a programação é gratuita. Mais informações www.mostratiradentes.com.br



