
A música brasileira, seus intérpretes e momentos históricos são o fio condutor da nova temporada de As Cores do Som, que a Itaú Cultural Play, plataforma de streaming gratuita do cinema brasileiro, exibe a partir desta sexta-feira (27). Desta vez, a viagem é pela bossa-nova, tropicália, forró, arrocha, funk, samba e batuque. Em nove documentários, o espectador perpassa as expressões culturais genuínas do Brasil e suas diferentes regiões, por meio de instrumentos, letras e ritmos. Uma playlist inspirada na mostra, com 27 músicas, está disponível no perfil do Spotify do Itaú Cultural.
O universo do compositor, tido como um dos pilares da música popular brasileira, por exemplo, é registrado no longa-metragem Dorival Caymmi – Um homem de afetos (São Paulo, 2020), dirigido por Daniela Broitman. Em outro, a história do sanfoneiro pernambucano Dominguinhos é contada por ele mesmo no documentário homônimo dirigido por Joaquim Castro, Eduardo Nazarian e Mariana Aydar (2014). Paulinho da Viola é o narrador de Partido alto (1982), de Leon Hirszman, que aborda a tradição do samba de origem na batucada baiana.
O acesso à Itaú Cultural Play é gratuito, disponível em itauculturalplay.com.br, nas smart TVs da Samsung, LG, Android TV e Apple TV, nos aplicativos para dispositivos móveis (Android e iOS) e Chromecast. Você também pode encontrar conteúdo da IC Play nas plataformas Claro TV+, SKY+ e Watch Brasil.
Os filmes
A batalha do passinho (Rio de Janeiro, 2013), de Emílio Domingos, registra o momento em que os passinhos de funk se fortalecem como força cultural das periferias cariocas. Ao acompanhar jovens dançarinos em suas disputas, o filme investiga como a dança se torna linguagem de afirmação, pertencimento e enfrentamento ao preconceito. Em outra ponta, Concerto de quintal (Rondônia, 2025) revisita a memória musical de Porto Velho (RO) e costura a trajetória de artistas locais. Dirigido por Juraci Júnior, o filme reflete sobre herança, identidade e transmissão cultural.
O caráter real do documentário é atravessado pela ficção na comédia musical Corações a mil (Rio de Janeiro, 1983), de Jom Tob Azulay. O filme acompanha uma turnê de Gilberto Gil na qual um pesquisador acadêmico atrapalhado e interessado pela comunicação de massa na música brasileira se apaixona por uma fã do cantor. O elenco é composto por Regina Casé, Joel Barcellos, Caetano Veloso, Paulo César Pereio, além do próprio Gil. A história do forró entra em destaque em Dominguinhos (São Paulo, 2014), dirigido por Joaquim Castro, Eduardo Nazarian e Mariana Aydar. Construído a partir da palavra do próprio artista, o filme recompõe a trajetória do sanfoneiro por meio de imagens de arquivo e encontros musicais, abordando suas parcerias, influências e o papel central do músico na consolidação do forró no cenário nacional.
Em Dorival Caymmi – Um homem de afetos (São Paulo, 2020), Daniela Broitman organiza um retrato íntimo do compositor baiano, articulando a relação dele com a religiosidade, o amor e o mar que influenciaram e marcaram diretamente a sua obra. Eleito Melhor filme pelo Júri Popular no In-Edit Brasil, o documentário reúne farto material de arquivo, depoimentos do próprio Caymmi, e contribuições de Caetano Veloso, Gilberto Gil e a filha Nana Caymmi.
Paulinho da Viola dá voz ao curta-metragem Partido alto (Rio de Janeiro, 1982), de Leon Hirszman. O filme lança um olhar sensível sobre a história e tradição do samba de improviso, originário da batucada baiana, e conta com a presença de Wilson Moreira, Argemiro da Portela e outras figuras da música brasileira. Em Poesia azeviche (Bahia, 2018), Ailton Pinheiro recupera a história dos blocos afro de Salvador e sua contribuição para a afirmação da identidade negra. O curta-metragem combina relatos e imagens de arquivo para destacar a potência estética e política dessas agremiações na música popular brasileira.
Com foco no interior sergipano, Mexeu comigo (Sergipe, 2024), investiga o universo do arrocha a partir de seus intérpretes e compositores. O curta-metragem dirigido por Danilo Rodrigues, J. Hiago Oliveira e Sara Maylyne analisa a sofrência inerente às composições ao conversar com os artistas, além de observar seus modos de produção e a circulação das músicas fora dos grandes centros da indústria. O som da pele (Pernambuco, 2024), dirigido por Marcos Santos, acompanha a atuação de um educador que conduz um grupo musical formado por pessoas surdas. Ao explorar metodologias táteis e a centralidade do corpo na criação, o filme questiona noções convencionais de escuta e reforça a arte como ferramenta de inclusão.
Ficha e sinopse dos filmes
A batalha do passinho
de Emílio Domingos (Documentário, 72 min, Rio de Janeiro, 2013)
de Emílio Domingos (Documentário, 72 min, Rio de Janeiro, 2013)
Classificação indicativa: 10 – Linguagem imprópria e violência
Sinopse: Nascido nas comunidades cariocas, o passinho explodiu em 2008. Desde então, ele vem mudando a periferia do Rio de Janeiro. Uma nova forma de dançar o funk, o passinho é a manifestação cultural carioca mais importante dos últimos dez anos. Conquistou gerações de jovens que nele encontram uma forma de expressão, luta e identidade. Premiado no Festival do Rio de 2012, o documentário acompanha de perto o movimento do passinho carioca. Realizado num momento de efervescência da dança nas periferias da capital fluminense, registra com intimidade e frescor, na contramão do preconceito, as batalhas e os sentidos culturais e políticos do passinho.
Concerto de quintal
de Juraci Júnior (Documentário, 80 min, Rondônia, 2025)
de Juraci Júnior (Documentário, 80 min, Rondônia, 2025)
Classificação indicativa: A12 I Drogas lícitas e linguagem imprópria
Sinopse: Manuseando antigas fitas K7, o músico rondoniense Silvinho Santos escuta num tocador composições feitas por seu pai, que também era músico. Entre cenas e lembranças da infância, Silvinho vai revelando histórias e a riqueza de uma expressão artística local. Esta cena é o ponto de partida para uma viagem afetiva pela história da música de Porto Velho. O filme percorre referências, estilos, gêneros e estéticas dos tantos sons ouvidos por diferentes gerações na cidade. Exibido em diversos festivais brasileiros, o documentário é fruto de intensa pesquisa conduzida pelo cineasta Juraci Júnior sobre a música na capital rondoniense. A partir de um acervo particular com registros e gravações do passado, surge uma galeria de ícones locais, como os compositores Jorge Andrade, Torrado e Manelão. A recuperação da memória local ainda se combina à trajetória de um filho em busca da figura paterna.
Corações a mil
de Jom Tob Azulay (Comédia musical, 90 min, Rio de Janeiro, 1983)
de Jom Tob Azulay (Comédia musical, 90 min, Rio de Janeiro, 1983)
Elenco: Gilberto Gil, Regina Casé, Joel Barcellos, Caetano Veloso, Paulo César Pereio
Classificação indicativa: A10 – Drogas lícitas
Sinopse: Interessado pelos mistérios da comunicação de massa na música brasileira, um pesquisador acadêmico sai a campo para provar suas teses. Seu “objeto” de análise será a turnê de um dos maiores artistas brasileiros de todos os tempos – nada menos que Gilberto Gil. Deslocado com a rotina dos shows, atrapalhado com os hábitos da juventude que quer estudar, o acadêmico logo se apaixona por uma fã bem especial de Gil. Depois de dirigir a histórica empreitada de Os Doces Bárbaros (documentário sobre o show de Caetano, Gil, Gal e Bethânia, em cartaz na IC Play), Jom Tob Azulay realizou esta deliciosa comédia musical que mistura ficção e documentário de maneira habilidosa e despojada. Regina Casé e Joel Barcellos formam o par romântico que acompanha as andanças e performances de Gil pelos palcos do país.
Dominguinhos
de Joaquim Castro, Eduardo Nazarian, Mariana Aydar (Documentário, 87 min, São Paulo, 2014)
de Joaquim Castro, Eduardo Nazarian, Mariana Aydar (Documentário, 87 min, São Paulo, 2014)
Classificação indicativa: Livre
Sinopse: Neste documentário que conta com imagens de arquivo e registros exclusivos, Dominguinhos narra sua trajetória e sucesso junto de outros ícones da música brasileira. O sanfoneiro revive sua história em uma experiência sensorial repleta de autenticidade e, claro, de muito forró. Uma viagem no tempo através da vida e da obra de um dos maiores mestres da música popular brasileira. Exibido na competitiva nacional do Festival É Tudo Verdade, o filme se constrói a partir da palavra e da voz do próprio artista e reúne preciosos documentos e cenas que imortalizam o seu legado. Grandes nomes da nossa cultura, como Gilberto Gil, Elba Ramalho, Luiz Gonzaga e Gal Costa, se unem para celebrar o que há de melhor no forró, no baião e no xaxado. Admiradora da obra de Dominguinhos, a cantora Mariana Aydar assina a direção do documentário.
Dorival Caymmi – Um homem de afetos
de Daniela Broitman (Documentário, 93 min, São Paulo, 2020)
de Daniela Broitman (Documentário, 93 min, São Paulo, 2020)
Classificação indicativa: AL – Drogas lícitas, linguagem imprópria
Sinopse: Uma viagem irresistível pelo universo do cantor e compositor baiano que revolucionou a canção no Brasil, influenciando gerações de músicos, e abrindo caminho para a Bossa Nova e a Tropicália. Traduzindo sensorialmente os versos de Caymmi, o filme passeia pela atmosfera vibrante dos pescadores baianos, pelas referências de raiz africana, pela religiosidade e a espiritualidade no candomblé, e pelas muitas histórias de amor. Exibido em mais de 20 festivais dentro e fora do país, eleito o Melhor filme pelo Júri Popular no In-Edit Brasil, o documentário reúne farto material de arquivo, depoimentos do próprio Caymmi, e contribuições de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Nana Caymmi. Uma das principais atrações do documentário é uma entrevista inédita dada pelo artista em 1998, aos 84 anos de idade, na qual ele discorre sobre filhos e netos, a convivência com Carmen Miranda, as aventuras amorosas e sua relação com a natureza. Um retrato de corpo e alma de um gênio da cultura brasileira.
Mexeu comigo
de Danilo Rodrigues, J. Hiago Oliveira, Sara Maylyne (Documentário, 23 min, Sergipe, 2024)
de Danilo Rodrigues, J. Hiago Oliveira, Sara Maylyne (Documentário, 23 min, Sergipe, 2024)
Classificação indicativa: A10 I Linguagem imprópria, drogas lícitas
Sinopse: No interior do estado de Sergipe, um ritmo musical arrebata corações e mentes – o arrocha. Sofrência, traições, desilusão amorosa e paixões avassaladoras são alguns dos ingredientes do imaginário poético do gênero, que hoje embala festas em diversas partes do Brasil. Exibido em diversos festivais brasileiros, o filme colhe depoimentos e impressões dos mais diversos amantes e compositores do arrocha. Também retrata como suas canções são feitas e comercializadas para o público, para além do circuito tradicional de gravadoras, plataformas digitais e rádios.
Partido alto
de Leon Hirszman (Documentário, 23 min, Rio de Janeiro, 1982)
de Leon Hirszman (Documentário, 23 min, Rio de Janeiro, 1982)
Classificação indicativa: Livre
Sinopse: Versos simples e improvisados marcam este samba com origem na batucada baiana. O partido-alto vai além de um ritmo, é a própria comunicação na sua forma mais livre. Para os seus sambistas, o lema é a diversão. Não tem hora nem lugar: a vida é o palco para o espetáculo da música. Herança cultural brasileira, o samba de partido-alto percorre décadas de tradições e ritmos com raízes na batucada baiana. Concebido em colaboração com Paulinho da Viola, este documentário retrata, nas palavras de Candeia, “a expressão mais autêntica do samba”. Wilson Moreira, Argemiro da Portela e outras figuras da música brasileira estão presentes nesse registro repleto de comunhão e partilha, dirigido pelo olhar sensível de Leon Hirszman.
Poesia azeviche
de Ailton Pinheiro (Documentário , 20 min, Bahia, 2018, 20 min)
de Ailton Pinheiro (Documentário , 20 min, Bahia, 2018, 20 min)
Classificação indicativa: Livre
Sinopse: Das ruas, vielas e comunidades de Salvador para todo o país, os blocos afro da Bahia deixaram um legado inapagável para a música popular brasileira. Através das memórias e histórias contadas por seus compositores e letristas, o documentário revela a importância destas expressões culturais para a afirmação da identidade negra e para a luta contra o racismo no Brasil. Imagens de arquivo e depoimentos dos principais artistas envolvidos com a cena musical dos blocos afro-brasileiros entre as décadas de 1970 e 1990 são as grandes atrações deste curta-metragem exibido em diversos festivais do Brasil e do mundo. Passado e presente se combinam numa narrativa sensível em revelar toda a riqueza de um momento artístico.
O som da pele
de Marcos Santos (Documentário, 22 min, Pernambuco, 2024)
de Marcos Santos (Documentário, 22 min, Pernambuco, 2024)
Classificação indicativa: AL
Sinopse: Irton Mário é fundador do “Os batuqueiros do silêncio”, grupo musical formado por pessoas com surdez total ou parcial. Também conhecido como Mestre Batman, o músico e educador utiliza a arte como ferramenta de integração e inclusão social. Desafios e conquistas mostram como a expressão artística rompe barreiras e transforma existências. Neste documentário, o coletivo “Os batuqueiros do silêncio” desconstrói o que entendemos por escuta convencional. Mestre Batman cria música a partir de metodologias táteis-visuais, utilizando o corpo como percussão e cenário de criação. Com forte influência da música e cultura afro-brasileira, promove encontros com jovens surdos na periferia e ensina a arte como instrumento de inclusão e pertencimento.
SERVIÇO
Mostra As cores do som
A partir de 27 de fevereiro de 2026 na Itaú Cultural Play



