‘Os fuzis’ (Divulgação: Itaú Cultural Play)
A coleção Histórias do Cinema Brasileiro, disponível no catálogo da Itaú Cultural Play (IC Play), recebe cinco novas estreias a partir de 20 de março. No conjunto, os filmes de diretores como Ruy Guerra, J.B. Tanko, Aurélio Teixeira, Amácio Mazzaropi e Paulo Gil Soares revisitam um período marcado tanto pela experimentação artística quanto por tensões políticas no Brasil.
Entre os destaques, está Os Fuzis (Rio de Janeiro, 1963), de Ruy Guerra. Considerado um marco da modernidade cinematográfica no país por mesclar documentário e ficção, este filme venceu o Urso de Prata no Festival de Berlim de 1964. Ainda, a produção Proezas de Satanás na Vila de Leva-e-Traz (Rio de Janeiro, 1967), dirigido por Paulo Gil Soares baseado na literatura de cordel e pouco conhecido no país.
Construída pelas mais diversas vozes, a memória cinematográfica brasileira guarda inúmeras histórias, muitas delas esquecidas. A partir dessa pluralidade, a coleção propõe um mergulho nos diferentes caminhos percorridos pela produção nacional, desde as suas origens até a contemporaneidade.
O acesso à Itaú Cultural Play – plataforma de streaming gratuita dedicada à produção audiovisual nacional – pode ser feito em itauculturalplay.com.br, nas smart TVs Samsung, LG, Android TV e Apple TV, nos aplicativos para dispositivos móveis (Android e iOS) e via Chromecast. O conteúdo da IC Play também está disponível nas plataformas Claro TV+, SKY+ e Watch Brasil.
Os filmes
Os Fuzis é ambientado no sertão nordestino em 1963, para onde um batalhão militar é enviado para proteger o estoque de alimentos de um comerciante enquanto a população local enfrenta a fome. Além do prêmio especial do júri em Berlim, o filme rendeu a Ruy Guerra o prêmio de melhor fotografia no Festival de Pesaro (1964) e o Cabeza de Palenque no Festival de Acapulco (1965).
Entre as estreias está também Carnaval barra limpa (Rio de Janeiro, 1967), de J.B. Tanko. Trata-se de uma comédia que acompanha a disputa entre ladrões brasileiros e estrangeiros por um colar de diamante durante o carnaval carioca. O longa-metragem tem participações de figuras conhecidas da cultura popular brasileira, como o apresentador Chacrinha, o ator Ary Fontoura e a cantora Ângela Maria.
Em Juventude e ternura (Rio de Janeiro, 1968), dirigido por Aurélio Teixeira, uma jovem cantora divide-se entre o amor de um pianista e as exigências do sucesso no showbiz. Com números musicais, o filme dialoga com a Jovem Guarda, movimento cultural que marcou a década de 1960 no país.
Outro título da seleção é Tristeza do Jeca (São Paulo, 1960), da chamada “fase rural” de Amácio Mazzaropi. Inspirada em Jeca Tatu, personagem de Monteiro Lobato, a comédia acompanha um trabalhador de fazenda que se envolve em uma disputa política quando dois coronéis tentam se eleger prefeitos.
Por fim, Proezas de Satanás na Vila de Leva-e-Traz (Rio de Janeiro, 1967), filme de Paulo Gil Soares, é baseado na literatura de cordel e faz uso de alegorias para retratar a ditadura civil-militar brasileira e as transformações sociais no interior do país. Na trama, moradores de um vilarejo encontram petróleo no sertão e assistem à rápida modernização da região, até que acontecimentos misteriosos passam a rondar a vila. Vencedor do Festival de Brasília de 1967, o longa-metragem tem trilha sonora composta por Caetano Veloso, com participações de Gal Costa.
FICHA E SINOPSES DOS FILMES
-Os fuzis
de Ruy Guerra (Drama, 84 min, Rio de Janeiro, 1963)
Classificação indicativa: 12 – Drogas lícitas e violência
Sinopse: Nordeste, 1963. Sertanejos famintos comem farinha e bebem água na varanda de uma casa pobre. Enquanto isso, um batalhão de soldados chega à Milagres, uma pequena cidade da caatinga. A tropa está lá para proteger o armazém de alimentos de um comerciante local, que teme um levante popular.
-Carnaval barra limpa
de J.B. Tanko (Comédia, 95 min, Rio de Janeiro, 1967)
Classificação indicativa: A14 – Violência, drogas lícitas, atos criminosos
Sinopse: Em pleno carnaval carioca, uma atriz internacional chega à cidade carregando no pescoço um colar de R$ 500 milhões, com o maior diamante já encontrado. A joia passa a estar sob a mira do Sindicato dos Ladrões Brasileiros, que fará de tudo para roubá-la antes do grupo rival de ladrões estrangeiros.
-Juventude e ternura
de Aurélio Teixeira (Drama, 105 min, Rio de Janeiro, 1968)
Classificação indicativa: 12 – Drogas lícitas
Sinopse: Numa boate carioca, um charmoso contrabandista de uísque se encanta com o show de uma jovem cantora iniciante. Para conquistá-la, ele promete investir na carreira dela e de sua banda nos palcos da cidade. Empresário ambicioso, também contrata um talentoso pianista para compor um disco para ela. Tudo vai bem, até que a moça se apaixona pelo rapaz.
-Tristeza do Jeca
de Amácio Mazzaropi (Comédia, 95 min, São Paulo, 1960)
Classificação indicativa: A14 – Violência, drogas lícitas, atos criminosos
Sinopse: Caipira é forçado a se envolver numa disputa política quando dois coronéis decidem se eleger para o cargo de prefeito de uma cidadezinha. Sagaz, ele é contratado para fazer campanha para ambos, gerando todo tipo de confusões.
-Proezas de Satanás na Vila de Leva-e-Traz
de Paulo Gil Soares (Comédia, 90 min, Rio de Janeiro, 1967)
Classificação indicativa: livre
Sinopse: Moradores da Vila de Leva-e-Traz encontram um inusitado tesouro no meio do sertão: um poço de petróleo. Enquanto uma cidade moderna se constrói a partir da exploração da riqueza descoberta, o vilarejo vê seus habitantes migrarem para o novo eldorado urbano. Mas fatos estranhos começam a acontecer na vila, dentre eles a aparição do próprio diabo.
SERVIÇO:
Estreia na Itaú Cultural Play
Histórias do cinema brasileiro – Novos filmes
A partir de 20 de março de 2026

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