Cena de ‘Recife Frio’, de Kleber Mendonça Filho, diretor de ‘O Agente Secreto’ (Foto Divulgação/ Itaú Cultural Play)
Quem preferir ficar em casa durante o Carnaval, a partir desta sexta-feira (13), pode assistir aos 18 novos filmes que chegam ao catálogo da Itaú Cultural Play, plataforma de streaming gratuita do cinema brasileiro, que completa cinco anos em junho. A seleção oferece curtas e longas-metragens de diversos estados, para adultos e crianças. Entre eles, Recife Frio (PE, 2009), comédia do premiado Kleber Mendonça Filho, diretor do thriller e candidato ao Oscar por O Agente Secreto. Os espectadores também podem conferir Brasiliana: o musical negro que apresentou o Brasil ao mundo (MG, 2024), mais recente filme do aclamado cineasta Joel Zito Araújo, que venceu o In-Edit Brasil – Festival Internacional do Documentário Musical no ano passado.
Para as crianças, a IC Play acrescenta oito novos títulos à sua coleção permanente Cine Curtinhas, que reúne curtas-metragens de animação para esse público. Entre eles, PiOinc (DF e GO, 2023), que aborda a amizade entre um porquinho e um passarinho e conquistou o Prêmio IC Play na 23ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, em 2024.
O acesso à Itaú Cultural Play é gratuito, disponível em www.itauculturalplay.com.br, nas smart TVs da Samsung, LG, Android TV e Apple TV, nos aplicativos para dispositivos móveis (Android e iOS) e Chromecast. Você também pode encontrar conteúdo da IC Play nas plataformas Claro TV+, SKY+ e Watch Brasil.
Brasil em paisagem
No “falso documentário” Recife Frio (PE, 2009), a cidade natal de Mendonça, frequentemente representada em seus filmes, sofre uma drástica mudança climática e começa a enfrentar chuvas e neve intensas. Com pinguins ocupando a paisagem litorânea, os habitantes precisam se adaptar a uma nova e gelada realidade.
Mesclando distopia e comédia, o diretor já apresenta neste curta-metragem ácidas críticas ao olhar estrangeiro para o Brasil e ao desenvolvimento urbano predatório. Recife Frio garante boas risadas enquanto reforça a resistência da cultura popular local, representada pela cantora Lia de Itamaracá, que participa do filme.
No “documentário real” Brasiliana: o musical negro que apresentou o Brasil ao mundo (MG, 2024), Joel Zito, um dos mais importantes nomes do cinema negro brasileiro, resgata a história da Brasiliana, companhia de teatro, dança e música formada por artistas negros que foi uma das pioneiras em apresentar a cultura brasileira ao mundo. Nos seus 25 anos de atividade, a Brasiliana, fundada em 1949 no Rio de Janeiro, percorreu 90 países, levando o samba, o maracatu e outras expressões da cultura do país para diferentes plateias.
Reunindo farto material de arquivo e entrevistas com integrantes da companhia, o longa-metragem levou o prêmio de melhor filme brasileiro no 17º In-Edit Brasil – Festival Internacional do Documentário Musical, no ano passado.
A plataforma passa a exibir também o longa-metragem acreano Empate (2019), dirigido por Sergio de Carvalho. O filme recupera a memória do movimento seringueiro nas décadas de 1970 e 1980 no estado, personificado em Chico Mendes, ativista assassinado em 1988. O enredo destaca as estratégias pacíficas de resistência que ficaram conhecidas como “empates”.
Outro representante do Norte é Dasilva Daselva (2025), curta-metragem do estado do Amazonas, dirigido por Anderson Mendes. O documentário percorre a região a partir da vida e da obra do artista e ecologista Sebastião Corrêa da Silva. Conhecido como Da Silva da Selva e autodidata, ele já produziu mais de 600 obras, apesar da perda progressiva da visão.
A repressão da ditadura militar brasileira é o fio condutor do curta-metragem capixaba Depois Deste Desterro (2024). Neste drama, o diretor Renan Amaral situa a narrativa em 1968, quando Alice retorna a sua cidade natal após matar um militar. Enquanto ela e a irmã esvaziam a casa da falecida mãe, segredos emergem.
Também uma produção capixaba, o curta-metragem documental Canto das Areias (2024) resgata a memória de Itaúnas, vila no Espírito Santo soterrada por dunas ao longo de décadas. A partir da devoção a São Benedito e das festas populares, o documentário articula lembranças, fé e pertencimento para mostrar como a história de um lugar permanece viva na imaginação de seus moradores. A direção é de Maíra Tristão.
Uma realização do Coletivo Nós do Audiovisual, fruto dos cursos técnicos oferecidos durante a Mostra de Cinema de Gostoso, no Rio Grande do Norte, o curta-metragem de ficção Maremoto (RN, 2024) acompanha Léo, filha de um pescador. A jovem teve que desistir da paixão pelo mergulho em alto-mar para abrir sua oficina de motos. Porém, quando seu irmão chega com o GPS do pai doente, ela decide fazer um último mergulho em busca de um tesouro esquecido.
A permanência das estruturas de trabalho, independente do setor, são o mote do documentário Serão (PB, 2024), de Caio Bernardo. O diretor revela o cotidiano árduo de uma família do Cariri paraibano, que se divide entre a antiga extração manual de cal e o trabalho na indústria têxtil, recém-chegada na região.
O drama histórico amapaense Tu oro (2024), dirigido por Rodrigo Santos de Souza, transporta o espectador para o Amapá do século XIX, um território em disputa entre Brasil e França. Ali, o garimpeiro Joaquim é forçado por um explorador francês a revelar a localização de uma valiosa mina de ouro. Preso e sob ameaça, ele precisa usar toda a sua inteligência e conhecimento da floresta para escapar de seu captor.
Por fim, a IC Play exibe Ouça-me (TO, 2015), primeiro filme protagonizado pelo ator e comediante Paulo Vieira. Neste curta-metragem, Vieira interpreta Roberto, um motorista de ônibus que precisa aprender a viver após perder gradualmente a audição. Dirigido pela dupla André Araújo e Roberto Giovanetti, o drama se destaca pelo interessante trabalho de som e oferece uma oportunidade de conhecer a realidade de Palmas e a identidade tocantinense que mora nos detalhes.
Diversão em família
No mesmo dia, a coleção Cine Curtinhas recebe oito novos filmes. Divertidos, inteligentes, premiados em festivais, eles tratam de temas importantes para a infância, com delicadeza e criatividade. São também atrações para pais e filhos curtirem juntos.
Um deles é PiOinc (DF e GO, 2023), animação de Alex Ribondi e Ricardo Makoto que conquistou o Prêmio IC Play na 23ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, em 2024. O enredo gira em torno da amizade entre Oinc, um porquinho, e Pi, um passarinho recém-nascido, e a aventura na qual eles se envolvem para levar Pi de volta a sua casa, que fica em um ipê amarelo. O grande ponto da história, no entanto, é a empatia e a aceitação, uma vez que Pi nasceu com uma deficiência física.
 
Em Abraços (SC, 2025), animação da multiartista indígena Barcabogante, a menina Nanai acorda de um sonho no qual abraçava a mãe e percebe que ela está triste. Para animá-la, passa a escrever em seu diário uma aventura imaginária vivida pelas duas.
As relações de afeto também movem O Jardim Mágico (DF, 2025), da dupla Naira Carneiro e Carlon Hardt. Na história, um pastor perde seus animais durante uma seca e recebe apoio do vizinho agricultor. A convivência harmoniosa, no entanto, é colocada à prova quando o pastor encontra um pote de moedas de ouro no terreno do amigo. Inspirado no tom das antigas fábulas, a produção recebeu menção honrosa na Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis.
A cultura popular aparece com força em Eu e o boi, o boi e eu (MG, 2024), de Jane Carmen Oliveira, produzido na pequena cidade mineira de Pedro Leopoldo. Temendo a lenda do Boi da Manta contada pela mãe, uma menina mergulha no clima festivo de uma celebração cheia de máscaras, cores e fantasia, até se deparar com a figura que tanto a assustava.
O boi-bumbá também aparece na animação paraense Contos Mirabolantes – O Olho do Mapinguari (2023). Ele é o companheiro de aventuras de Maria Estrela, uma garota que decide contar aos pais antes de dormir a história da lenda amazônica do Mapinguari, um monstro que perde seu único olho na floresta. A direção é de Andrei Miralha e Petronio Medeiros.
Em Vivi Lobo e o quarto mágico (PR, 2019), de Isabelle Santos e E. M. Z. Camargo, a pequena Vivi sofre bullying na escola por ser chamada de “cara de lobo”. À noite, em seu quarto, ela encontra figuras femininas inspiradoras, como Frida Kahlo, que a ajudam a enxergar o lobo sob outra perspectiva e a reconhecer suas próprias qualidades. O curta-metragem foi premiado como Melhor Animação na Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, em 2019, e como Melhor Curta no GUKIFF – Festival Internacional de Cinema Infantil de Seul, na Coreia do Sul, em 2020.
Tsuru (RJ, 2024), por sua vez, conta a história de um pedaço de papel que, após ser despertado pelo bater de asas de um tsuru (um origami de uma ave japonesa), embarca em uma jornada desafiadora em busca de transformação. A direção é de Pedro Anias.
Encerrando as novidades, chega à Cine Curtinhas o curta-metragem goiano O Malabarista (2018), de Iuri Moreno. Amanhece e é mais um dia normal em uma grande cidade cinza, cheia de barulho e automóveis. É nesse momento que um malabarista se prepara para sair de casa e arrancar sorrisos das pessoas. Uma mescla entre documentário e ficção, a história foi criada a partir de relatos reais de malabaristas.

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