
O Projeto Paradiso anunciou os três projetos escolhidos para integrar a oitava edição da Incubadora Paradiso, iniciativa dedicada ao desenvolvimento de roteiros de longas-metragens de ficção brasileiros. Com o objetivo de fomentar produções de alto valor artístico e impulsionar o crescimento profissional dos participantes, o programa se consolida por mais um ano como um catalisador do cinema nacional.
Com investimento total de R$ 450 mil, a oitava edição da Incubadora Paradiso oferecerá suporte aos três projetos selecionados. Além de bolsa para a escrita de roteiro e para o produtor, os selecionados terão acesso a consultorias especializadas, workshops e ações estratégicas voltadas à inserção no mercado internacional. As duplas de cineastas e produtores passam ainda a integrar a Rede Paradiso de Talentos, ampliando sua conexão com outros profissionais do setor.
“A Incubadora Paradiso tem como objetivo atuar como uma peça-chave no processo de abertura ao mercado internacional dos talentos e projetos selecionados. Além de proporcionar um espaço de sinergia que prepara esses profissionais, possibilita alianças sólidas e de longo prazo. O programa é desenhado especialmente para cada etapa e inclui um acompanhamento individualizado, que respeita e orienta o trabalho de acordo com as necessidades específicas de cada participante”, aponta Paula Gastaud, coordenadora de conteúdo da Incubadora Paradiso.
Conheça os projetos selecionados para a Incubadora Paradiso 2026:
– “Quem deu nome à Terra”, projeto escrito e dirigido por Wara e produzido por Camilla Lapa, da Araçá Azul Produções, acompanha Hakan em seu retorno a um Brasil onde a raça é sistematizada pelo Estado. Em busca de uma declaração que a reconheça como indígena, ela reencontra sua identidade entre a família e os ancestrais. Neste ano, Wara também foi selecionade para o Directors’ Factory Ceará–Brasil, iniciativa da Quinzena dos Cineastas do Festival de Cannes, onde realizou o curta “A Fera do Mangue”, codirigido com Sivan Noam Shimon (Israel) e exibido no Festival. Wara, que já faz parte da Rede Paradiso de Talentos desde 2023, é cearense e a primeira pessoa indígena a integrar a Incubadora Paradiso.
– “Meu irmão” é roteirizado e dirigido por Luciana Bezerra e produzido por Maria Fernanda Miguel, da Arpex Produções. O projeto conta a história de Sofia, uma menina que está afastada de seu irmão Vivi, um menino trans, que mora com o pai, Luiz, desde que assumiu sua identidade de gênero masculina. Luciana Bezerra também é atriz e diretora do Grupo Nós do Morro. Moradora da Favela do Vidigal, onde nasceu, atua como arte-educadora no próprio grupo e em diversas ONGs e coletivos de arte popular.
– “Boca da noite”, projeto de Stephanie Ricci com produção de Rodrigo Lavorato, da Ladaia, acompanha Areta, que tem 70 anos e só um medo maior do que a morte: não ser lembrada. Numa noite estranha, após perder suas chaves de casa no centro de São Paulo, ela vai em busca de um chaveiro 24h, mas cai num labirinto de figuras marginais e solitárias que a empurram para uma jornada absurda por uma cidade em desaparecimento. O projeto também foi selecionado para receber o fundo Script and Project Development do Hubert Bals Fund, programa ligado ao Festival de Roterdã que apoia longas-metragens com potencial artístico e impacto internacional — seleção que garantiu a entrada de Stephanie Ricci na Rede Paradiso de Talentos em julho deste ano.
Rachel do Valle, diretora de programas do Projeto Paradiso, celebra a seleção desta edição e reforça o impacto da iniciativa: “A Incubadora Paradiso nasce da convicção de que o desenvolvimento é uma etapa decisiva para qualquer longa-metragem. Hoje, ao chegarmos à oitava edição, vemos o quanto esse investimento gera resultados concretos para os talentos e para o ecossistema audiovisual. Os projetos selecionados representam diferentes vozes, estéticas e territórios, e reforçam a nossa aposta em trajetórias que podem transformar o cinema brasileiro nos próximos anos.”
Desde 2019, a Incubadora Paradiso já acompanhou 27 projetos. Entre os mentores nacionais das últimas sete edições, estão Kleber Mendonça Filho, Anna Muylaert, Marcelo Gomes, Marco Dutra, Juliana Rojas, Helen Beltrame-Lineé, entre outros. Alguns dos consultores internacionais são Lucrécia Martel, Eliseo Altunaga, Cristian Mungiu e Céline Sciamma. O anúncio dos selecionados da próxima edição foi feito durante conferência no Ventana Sur, em Buenos Aires, após o pitching dos projetos participantes da edição da Incubadora 2025,
Sobre o Projeto Paradiso
O Projeto Paradiso, uma iniciativa filantrópica do Instituto Olga Rabinovich, investe em formação profissional e geração de conhecimento com programas de bolsas e mentorias, além de cursos, seminários e estudos. Focado na internacionalização, atua por meio de parcerias com instituições de referência no Brasil e no mundo, criando oportunidades para profissionais em diferentes fases da carreira. Desde 2019 a iniciativa já beneficiou centenas de profissionais brasileiros do audiovisual por meio de suas inúmeras iniciativas.



