
O Chamado do Mar, novo trabalho do cineasta baiano Thiago Sampaio, segue deixando sua marca em espaços de prestígio dentro e fora do país. Após estreia emocionante na COP30, em Belém, durante a programação da Casa da Voz dos Oceanos, o filme integrou uma mostra cultural portuguesa em Lisboa em dezembro e, neste mês, chega a Londres como semifinalista do Sunday Shorts Film Festival.
Narrado pela ativista, comunicadora e líder indígena Alice Pataxó, uma das 100 mulheres mais influentes do mundo pela BBC, o filme é um curta-manifesto que nasce do encontro entre ancestralidade e contemporaneidade, mergulhando na relação espiritual do povo Pataxó com o oceano, tratado como entidade viva e força de renovação.
A sessão de estreia, na COP30, foi realizada um dia após a demarcação oficial da terra de Alice Pataxó, Comexatibá, no extremo sul da Bahia. A celebração da conquista, após 30 anos de luta, conferiu ao lançamento um simbolismo forte e profundo. “Isso transformou a primeira exibição em algo que nenhuma produção pode planejar: uma celebração viva. Muitas pessoas se emocionaram com a força e a delicadeza dessa reconciliação entre Alice e o mar, que guarda feridas profundas da colonização. Foi como se o filme tivesse encontrado seu próprio destino”, destaca Sampaio.
O diretor, conhecido pela trajetória dedicada a narrativas ligadas ao mar e ao ambiente, comemora a circulação internacional do projeto, que também está em preparação para exibições em outros festivais internacionais, escolas, comunidades costeiras e espaços de discussão ambiental, em parceria com a organização não governamental Parley for the Oceans.
Diretor, fotógrafo e ativista pelo oceano, o cineasta constrói imagens que atravessam estética, ancestralidade e ativismo, buscando amplificar vozes que carregam a sabedoria das águas e das comunidades que delas dependem.




