Dennis Carvalho nos deixou aos 78 anos (Foto: João Cotta/ Grupo Globo)

Morreu nesta sexta-feira (28), no Rio de Janeiro, o diretor e ator Dennis Carvalho, aos 78 anos. A informação foi confirmada pela TV Globo. O artista enfrentava complicações de saúde nos últimos anos, incluindo problemas respiratórios decorrentes de um quadro grave de septicemia enfrentado anteriormente. Um dos nomes mais influentes da teledramaturgia brasileira, ele deixa um legado que atravessa gerações de novelas e profissionais da televisão.

Carvalho foi internado algumas vezes nos últimos anos, o que reduziu aparições públicas e afastou o diretor do trabalho na emissora onde construiu a maior parte da carreira. A confirmação da morte mobilizou colegas, artistas e executivos da indústria, que reconheceram sua importância na consolidação do padrão narrativo e estético das novelas da Globo a partir dos anos 1980.

Nascido no Rio de Janeiro, em 1947, ele iniciou a carreira como ator ainda jovem. Atuou em produções televisivas nos anos 1960 e 1970, período em que consolidou presença na dramaturgia. A transição para a direção marcaria o ponto de virada definitivo na trajetória.

Como diretor, assinou novelas que ajudaram a definir o ritmo moderno da TV brasileira, investindo em narrativa ágil, linguagem mais naturalista e forte apelo popular. Seu trabalho esteve associado a grandes sucessos do horário nobre e a parcerias criativas com autores importantes da emissora.

Ao longo das décadas, tornou-se referência interna na Globo, participando não apenas da direção artística, mas também de decisões estratégicas relacionadas à dramaturgia; atuação que ajudou a estruturar o chamado “padrão Globo de qualidade” em um período de expansão e consolidação da teledramaturgia brasileira.

Sua morte encerra um capítulo importante da história da televisão nacional.

Principais obras
Entre os trabalhos mais emblemáticos dirigidos por Dennis Carvalho está Vale Tudo, escrita por Gilberto Braga, que transformou o debate ético em motor narrativo e entrou para a história com a pergunta que atravessou o país: “Quem matou Odete Roitman?”. A novela consolidou o horário nobre como espaço de discussão social de alta temperatura.

Na sequência, veio Tieta, adaptação do romance de Jorge Amado que combinou sensualidade, crítica política e humor popular, ampliando o alcance da dramaturgia brasileira no exterior. Já em Rainha da Sucata, a narrativa dialogava com o Brasil da ascensão social e das tensões econômicas do início da década de 1990.

Nos anos 2000, comandou Laços de Família, fenômeno que ultrapassou a ficção ao impulsionar campanhas reais de doação de medula óssea, demonstrando o impacto direto da novela na vida pública. Em seguida, dirigiu Celebridade, trama que antecipou discussões sobre cultura da fama, imagem e construção midiática em um mundo cada vez mais guiado pela exposição.

Outro marco foi Senhora do Destino, sucesso de audiência que criou personagens de forte apelo popular e reafirmou a potência melodramática do horário nobre. Anos depois, esteve à frente de Insensato Coração, que explorou dilemas éticos contemporâneos e relações familiares sob tensão constante.

Também dirigiu Joia Rara, produção que misturava espiritualidade, romance e contexto histórico e que viria a conquistar reconhecimento internacional, incluindo o Emmy Internacional de Melhor Novela.

Em diferentes décadas, Dennis Carvalho foi peça-chave na construção de um ritmo mais cinematográfico para a televisão aberta, com direção dinâmica, uso expressivo de trilha sonora e atenção à composição visual, contribuindo decisivamente para consolidar o chamado padrão de qualidade da dramaturgia da Globo.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui