
Análises e Dicas #997 – ‘…E Deus Criou a Mulher’ (Et Dieu…Créa La Femme (#RipBrigitteBardot)
– Sinopse: Juliette, jovem órfã que vive em uma pequena cidade do sul da França, recusa-se a seguir as convenções sociais impostas às mulheres. Impulsiva, sensual e espontânea, ela desperta o desejo de vários homens e provoca tensões em relações marcadas por ciúme e possessividade. O casamento surge como tentativa de enquadramento moral, mas não é capaz de conter sua liberdade. Disponível no Looke.
– Análise rápida: A narrativa se constrói a partir do conflito entre desejo individual e repressão social. O filme expõe o incômodo causado por uma mulher que se recusa a ser controlada, algo extremamente ousado para os meados dos anos 1950, quando boa parte da sociedade e até a indústria cinematográfica se curvavam a convenções misóginas ainda vistas com olhos negligentes. Dirigido por Roger Vadim, o longa funciona menos como um drama tradicional e mais como um retrato provocador de seu tempo. Brigitte Bardot domina completamente a obra, não apenas pela beleza, mas pelas forças física e emocional da atuação, marcada por naturalidade e intensidade. Sua Juliette rompe com o arquétipo feminino passivo e se afirma como sujeito do próprio desejo. O roteiro é simples e, em alguns momentos, esquemático, servindo mais como suporte para o impacto cultural do que para a complexidade narrativa. Os personagens masculinos orbitam a protagonista movidos por frustração, controle e posse, o que revela a crítica à clara estrutura misógina. A liberdade de Juliette é constantemente tratada como ameaça, e ela é responsabilizada pelas reações masculinas. Ainda assim, o filme não a condena de forma explícita, criando uma ambiguidade desconfortável. A câmera a objetifica, mas também a transforma em símbolo de ruptura. O resultado é uma obra histórica, provocadora e ainda hoje incômoda, que reflete mais os limites morais da sociedade do que os da própria personagem.
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