Análises e Dicas #1036 – ‘Bugonia’

– Sinopse: Dois conspiracionistas sequestram uma CEO da indústria farmacêutica, acreditando que ela é uma alienígena de Andrômeda destruindo a Terra. Com roteiro adaptado livremente do clássico cult sul-coreano “Save the Green Planet!”, disponível para aluguel multiplataforma.

– ⁠Análise rápida: Yorgos Lanthimos mantém a aposta em Jesse Plemons e Emma Stone como intérpretes de um cinema que opera na fratura cutucando feridas. A premissa soa absurda, mas o roteiro amplia o gesto: a suspeita de que a CEO seja um ser de Andrômeda revela menos sobre extraterrestres e mais sobre o colapso de confiança da nossa sociedade, incapaz de reconhecer os próprios códigos. Antes de continuar, uma breve explicação: o título evoca o mito da “bugonia”, descrito por Virgílio, em que “a vida nasce da carcaça”. Vem Lanthimos, talvez um dos diretores mais autorais da atualidade, e inverte a lógica: aqui, a crença na regeneração pelo sacrifício desemboca na violência legitimada pela paranoia. Se, no mito, a morte gera abelhas, no filme a convicção gera cárcere. A bolha do negacionismo, representada pela ideia de Terra Plana, funciona como motor dramático: é dentro dessa lógica fechada que prospera a fantasia de um “reset” do planeta, como se a destruição fosse uma etapa necessária de purificação (qualquer semelhança com a lógica n@z1sta não é mera coincidência). O sequestro, então, deixa de ser delírio isolado e passa a operar como gesto coerente dentro de um sistema de crenças que se retroalimenta; inclusive de fake news. A trilha, indicada ao Oscar, ou a ausência dela, conduz o ritmo. O silêncio não é ornamento: é estrutura. Ele expõe frustrações, ambições e rompantes de irritabilidade do trio central, deixando que o desconforto organize a cena. Há também uma crítica ao poder corporativo, tratado como entidade distante, quase alienígena. Mas o filme evita simplificações: a desumanização não pertence a um polo específico, ela circula. Mais do que sátira, “Bugonia” funciona como estudo sobre como teorias conspiratórias fabricam sentido e justificam brutalidade. A pergunta não é se a CEO é extraterrestre; é por que certos nichos políticos e socioculturais precisam que ela seja.

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