
Análises e Dicas #1035 – ‘Sirât’
– Sinopse: Junto ao filho, um homem tenta atravessar o deserto do Marrocos em busca da filha, desaparecida cinco meses antes após frequentar festas rave. Produção espanhola, atualmente nos cinemas.
– Análise rápida: “Sirât”, cujo título remete à ideia de caminho, constrói uma experiência sobre permanência e desgaste. Em uma ambientação apocalíptica que recusa espetáculo, o filme opta por um desenho de som cirurgicamente projetado, que não envolve, mas afasta. Somos colocados na posição de observadores de corpos que avançam porque parar significaria sucumbir. Em um cenário de colapso permanente, o homem atravessa territórios devastados movido apenas pela necessidade de continuar caminhando, mesmo quando já não há promessa de chegada. A narrativa não organiza o caos, apenas o expõe. Assim como na guerra, vidas se encerram sem explicação e sem redenção. A busca por alguém querido funciona como motor mínimo para que o corpo permaneça em pé, quase em estado alucinante. Não se vive, sobrevive-se. Segue-se o sirāt. Há também a tentativa de anestesiar os sentidos como fuga do vazio, como se reduzir a percepção fosse a única forma de suportar a ausência de horizonte. O diretor parece testar a resistência do espectador diante da exaustão e do inconclusivo. O filme não quer agradar nem narrar uma jornada tradicional. Quer expressar um estado de guerra contínuo, onde o motivo para seguir é frágil, mas a morte, arbitrária, é constante.
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