Análises e Dicas #1015 – ‘Alabama: Presos do Sistema’ (The Alabama Solution)

– Sinopse: Detentos mostram o funcionamento do sistema prisional do Alabama, um dos piores do mundo, por meio de imagens gravadas clandestinamente com celulares dentro das próprias instituições, revelando práticas de trabalho forçado, coerção, violência e m0rt3s gratuitas. Original HBO Max.

– Análise rápida: O impacto é construído por meio de evidências: ao utilizar, em grande parte, imagens captadas ilegalmente por celulares dentro dos presídios, a obra elimina filtros institucionais e expõe uma realidade que o Estado prefere manter invisível. Não há encenação nem mediação confortável: o que se vê é o cotidiano cru de um sistema que ultrapassa a lógica da punição. O filme deixa claro que estar preso não equivale a estar fora do campo da dignidade humana. A privação de liberdade não legitima violência sistemática, tampouco práticas que operam pela intimidação física e psicológica como método de controle. A correção, aqui, é substituída por submissão. Além disso, revela um modus operandi inquietante: o sistema prisional passa a funcionar como engrenagem produtiva. Pessoas encarceradas são tratadas como força de trabalho compulsória, inseridas em uma lógica que associa punição à utilidade econômica. Quem não se adapta, quem resiste ou simplesmente falha em atender às exigências impostas, é castigado com violência extrema. Esse modelo resgata uma narrativa antiga, agora reapresentada sob verniz institucional: a ideia de que o cárcere deve servir à produção de bens de consumo. O filme estabelece, sem precisar verbalizar excessivamente, um paralelo direto com práticas dos séculos 17, 18 e 19, quando o trabalho forçado era sustentado por discursos legais, morais e econômicos. O contexto político contemporâneo dos Estados Unidos atravessa o documentário de forma estrutural. A ascensão de discursos autoritários e a radicalização do poder executivo ajudam a explicar como práticas desse tipo não apenas persistem, mas são naturalizadas. O Alabama surge como exemplo de um projeto mais amplo, no qual controle, violência e exploração são apresentados como ferramentas legítimas de gestão social. Sem apelos emocionais fáceis, o filme exige do espectador algo mais incômodo: posicionamento; e evidencia o abismo entre o que se chama de justiça e aquilo que, na prática, opera como mecanismo de dominação, silenciamento e reprodução da violência institucional.

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