

Análises e Dicas #1005 – Uma Batalha Após a Outra (One Battle After Another)
– Sinopse: Em uma América sob avanço autoritário, um ex-revolucionário vivendo com identidade falsa, é forçado a fugir quando o passado político vem à tona. Ao lado da filha, a quem precisa procurar, pois fugiram separados, tenta sobreviver a um sistema de vigilância e repressão comandado por forças estatais. Disponível na HBO Max.
– Análise rápida: Livremente inspirado em Vineland, de Thomas Pynchon, o filme constrói seu argumento a partir da repetição histórica: o autoritarismo não irrompe, ele se infiltra. A noção de “uma batalha após a outra” organiza a narrativa como desgaste contínuo, sugerindo que a resistência não é gesto isolado, mas herança transmitida entre gerações, muitas vezes sem aprendizado real. O roteiro evidencia como regimes extremistas se fortalecem de dentro para fora, apropriando-se do discurso da ordem enquanto atribuem à oposição a autoria de violências que eles próprios produzem. Nesse contexto, o neonazismo surge não como caricatura, mas como manifestação social tolerada e instrumentalizada por um Estado que depende do medo e da força para se legitimar. O protagonista de Leonardo DiCaprio não ocupa o lugar do herói clássico, mas o de um anti-herói da vida real marcado por decisões passadas que reverberam no presente, especialmente na relação com a filha. A moça, por sua vez, funciona como consciência crítica, questionando se a luta política pode existir sem reproduzir os mesmos mecanismos de opressão. A direção de Paul Thomas Anderson aposta no choque entre ação, sátira e intimidade familiar para revelar o absurdo de sistemas que se pretendem racionais. A trilha sonora de Jonny Greenwood, muitas vezes apelando a notas irregulares, sustenta um estado permanente de inquietação, reforçando o clima de paranoia que atravessa toda a narrativa; e a atuação de DiCaprio reforça a exaustão moral de quem vive em permanente estado de alerta. Ao final, o filme propõe que a resistência perde sentido quando guiada apenas pelo ódio, e que a preservação da humanidade talvez seja o último gesto político possível.
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